O que mais sinto falta na infância era quando falávamos com toda certeza: “vamos ser amigas para sempre”, “se você se mudar irei sempre à sua casa”, “sempre vou gostar de você”, e isso era real, verdadeiro. Cada palavra proferida tinha peso de profecia. Só na infância as coisas duram para sempre.
Tive um amor infantil pelo vizinho do final da rua, nunca soube seu nome, mas me recordo bem que foi o primeiro homem que vi sem camisa na vida. Ele era alto, robusto, musculoso, tinha os cabelos claros, cacheados e um pouco compridos. Ficava conversando com mais meia dúzia de homens em frente de sua casa todo final de tarde, sempre sem camisa exibindo seus músculos. E eu menina passava e não conseguia desgrudar os olhos dele. Eu procurava desculpas para ter que passar pela esquina, em frente sua casa, quando ele estava aos papos com seus amigos, só pelo prazer de ver ele de perto. Era realmente um homem bonito, e nem notava minha presença. Sei que me apaixonei por ele, e foi do melhor tipo de paixão, a que fica só na fantasia. Saudade de quando isso bastava.

0 comentários:
Post a Comment