7.21.2008

26 de Agosto de 1985

Estou no meu inferno astral, e preste a completar mais um aninho de vida, e como sempre a infelicidade tomou conta do meu ser nessa data tão querida.
Fazer aniversário nunca foi uma tarefa fácil pra mim, sempre fiquei confusa sem saber direito o que fazer, o que pensar.
É muito cruel passar de uma idade pra outra em apenas um dia, cria uma sensação ruim do tempo, que ele é traiçoeiro. Ninguém tem noção de mudança de idade sem ser no dia do aniversário. Você passa um ano se acostumando com o numero da idade que tem e de um dia pro outro temos que somar um. Mas como? De onde veio esse ano que eu não vi?
Nunca gostei muito de festa de aniversário, alias a única vez que eu me lembro de ter tido uma foi aos 10 anos, ela foi filmada e eu faço questão de não assistir a fita e ver o freak show que é minha família.
Aos 15 eu participei da festa de 15 anos da minha amiga. Fiz maquiagem, escovei o cabelo, coquei vestido rodado e tudo. Fiquei horrorosa. Nunca mais quis ver a fita também.
Meu aniversário de 18 anos não foi menos decepcionante, pois achava que seria o marco da minha vida, que daquele dia em diante tudo iria mudar, eu seria finalmente adulta, maior de idade, mas eu percebi que continuava a mesma. A mesma Rafaela de sempre... Oh decepção!
Na casa dos vinte, na qual me encontro não está diferente, pelo contrário, tudo uma mesmice. E mais uma vez a sensação que estou sendo usurpada na minha existência. Nada de felicidades, só mais anos de vida que coleciono inutilmente desde os 10 anos. Mais rugas, mais responsabilidades, menos presentes. Por mim continuava fazendo 10 anos até hoje.

Estou em luto pelo meu aniversário.

7.01.2008

Ditadura do orgasmo!

Seria tão bom se os templos religiosos se prestassem a fazer mais que ecoar cânticos aos Deuses. Seria tão enriquecedor se ao invés de decorar as passagens da bíblia de forma surpreendente os religiosos a interpretassem criticamente. Seria imensurável se o espaço de uma casa religiosa se voltasse para questões teológicas, estudos das religiões, dos textos sagrados, e não ser apenas um aglomerado de gente em busca de um bem-estar egoísta. As pessoas deveriam compreender que a busca de um Deus é mais antiga que a civilização ocidental, e a busca pelo consolo supremo é mais antiga que a fala. “O consolador” é uma entidade criada para acalentar as nossas tristezas. Sofremos desde a primeira inspiração. Isso vale tanto para o garoto pobre que nasceu na favela do Rio, quanto para o garoto rico que nasceu na Suíça. Todos sofrem. O que vale é aprender a conviver com as impossibilidades, e parar de dar dinheiro para os psicólogos oportunistas escritores de auto-ajuda.