Sinto uma estranheza inquietante como se o que sou hoje fosse um emaranhado de conseqüências que não contive. E agora olho pra mim assustada como resultado de todos os reflexos e desejos que ignorei. Há algo em mim que não é meu.
Meu reflexo no espelho me diz que parei em algum ponto entre a adolescência e a vida adulta, e meu divã me diz que nem saí da infância. Parei há muito tempo, e agora sou um amontoado de carne que sente o que quer, faz o que quer, totalmente sem controle. Algo em mim se quebrou.
Como conviver com o furo que me constitui? Se a partir desse furo saem de mim todos os males. Pandora tenta capturá-los enquanto eu tento recuperar ao menos a esperança. E de todos os males que me afligem a alma, o pior é ter sanidade para perceber que perco não só a esperança como meu amor.









