
Sou o tipo de pessoa que tem um fraquejo pela irritação, sei disso. Convivo com um eterno incomodo. Mas o que mais me tira do sério são as pessoas, ou melhor, as coisas que as pessoas fazem (ou deixam de fazer).
Nessa época do ano eu fico mais suceptível a irritabilidade. E o que mais me deprime é a maldita decoração de Natal. Nada contra as bolinhas e o festão, sou contra o exagero. Se não tiver dinheiro para fazer uma coisa de bom gosto tenha a dignidade de não fazer nada!
Esse mês entrei no supermercado perto da minha casa e dei de cara com um boneco de Papai Noel murcho e feio, ai pensei: Que marmota! O franzino velhinho constituia-se de um boneco grande e magro, mal vestido, com uma barba falsa todo embolada. Em volta um festão. Estava lamentável... Foi difícil segurar o riso. Eu preferí fingir que não o ví e passei reto. Ainda hoje me esforço para ignorar aquela figura "excêntrica” quando vou ao supermercado. Mas essa rede de supermercados com certeza não preza pelo bom gosto. Isso é perceptível na música que ecoa em seus corredores, sempre um pop music estilo FM. Aliás supermercado não é lugar para ter música. Se eu quero ouvir música vou para um bar ou boate. Ningém pensa: puxa, estava querendo ouvir uma música hoje... Vou ao supermercado.
Mas voltando à questão da decoração natalina, vamos falar sobre as casas enfeitadas com o conceito equivocado de que quantidade é qualidade. Há pessoas que não economizam, querem valorizar a bela sacada e a enchem de luzes coloridas, piscas musicais, cascatas, tudo misturado aos festões e bolas (que pouco aparecem), Papai Noel subindo, Papai Noel descendo, Papai Noel dançando. Um inferno visual piscante!
Meu prédio também está enfeitado (contra minha vontade, claro). No corredor principal o zelador colocou festões prata pendurados em arco no teto. Eles estão visivelmente gastos. Ele comete essa injúria todo ano, coloca vários festões e bolas de todo tipo misturados sem raciocínio (deu pra vizualizar?).
No caso da decoração infeliz do meu prédio, seria mais eficaz se eles colocassem uma faixa na frente escrita: aqui mora gente pobre. Mas pelo o que conheço dessas pessoas, elas logo iriam pendurar umas bolinhas e uns festões velhos para ficar mais bonitinho.
Dai-me paciência!