4.07.2012

[Series} Homeland


Serie estadunidense baseada em uma israelense chamada Hatufim (impressionante como Israel produz boas séries). Elenco estrelado, grande produção, tema batido: terrorismo.
Quando li o mote dessa série não dei nada por ela, pois essa história de EUA versos inimigos da liberdade e paz já vem desde Rambo na Guerra Fria e não me convence mais. Mas acabei dando uma chance a Homeland e não me arrependi.
A história gira em torno de dois ótimos personagens; Carrie Mathison, que é uma oficial da CIA, uma espécie de investigadora, e Sargento Nicholas Brody militar que passou quatro anos como refém da Al-Qeada.
O ponto de tensão da história é que Carrie descobre por meio de uma fonte que um militar americano fora convertido pela Al-Qeada, e com a surpreendente libertação do Sargento Brody todas as desconfianças da detetive recaem sobre ele. Ela inicia assim, sem nenhum apoio, uma empreitada para descobrir a verdade. Seu chefe Saul Berenson (muito bem interpretado por Mandy Patinkin) é o único que sabe de sua desconfiança e se mantém como ponto de apoio e razão pra Carrie, que embarga cada vez mais nessa paranoia.
O ponto mais interessante dessa historia é Carrie, que aos poucos vai perdendo a razão, mas continua seguindo seus instintos. Ela passa a duvidar de si mesma, fica insegura, e essa confusão e insegurança mental da personagem vai tornando a trama mais envolvente. O roteiro não deixa claro se ela está certa, mas vai dando pistas ao longo da trama. A obsessão de Carie fica tão grande que ela numa tentativa desesperada de se aproximar de Brody acaba se envolvendo amorosamente com ele. E ai toda a trama toma outra proporção, seus sentimentos de afinidade para com ele, somados a desconfiança e a insegurança do que está fazendo, coloca a personagem num limite emocional muito interessante, e muito bem interpretado por Claire Danes. Nesse ponto ninguém acredita mais nela, nem mesmo ela.
E ao final da temporada, a condição emocional dela fica evidente; ela é bipolar. E uma crise maníaca explode em meio a toda a investigação, quando ela já estava perto de descobrir a verdade (o clímax da história). Carrie chega próxima da sua ruína.
O estado emocional de Carrie não é o único que conduz a série, o sargento Brodry e seu retorno pra casa e readaptação com a família é algo difícil e delicado. E o amigo e chefe de Carrie, Soul, também vive um momento pessoal complicado. E é justamente esse belo enredo de emoções a flor da pele que torna essa história de fundo batido (terrorismo) tão interessante. Como a vida, que nos conduz sempre com altos e baixos na escala da emoção, Carrie navega por um mar turbulento em busca da verdade e ética, mesmo tendo que enfrentar seus piores pesadelos. Pois, nada mais difícil do que enfrentar seus próprios demônios. Terminei a temporada completamente identificada com a personagem Carrie, e admirada com o belo trabalho da atriz Clarie Danes, ela ganhou meu respeito.

Essa série fala sobre comprometimento, sentimentos e verdade.

[Series} Breaking Bad


Breaking Bad é uma série americana, estreiou em 2008, e no momento completou sua 4ª temporada. Dirigida e produzida por Vince Gilligan, o qual já ganhou um Emmy em 2008 por conta de seu trabalho de direção em Breaking Bad.

A história é algo que eu gostaria de ter tido a idéia antes. Um professor de química, Walter White, casado, e com um filho adolescente que tem paralisia cerebral, enfrenta uma vida chata, e decadente. Ele tem uma grande formação, poderia estar ganhando bem mais, porém foi passado pra trás por ‘amigos’ e acabou como professor, ou seja, frustrado. Pra complementar a renda, ele trabalha num lava-a-jato de carros (preciso dizer o quão humilhante é isso pra ele?). A esposa, Skyler, é mandona, autoritária, e ofusca qualquer brilho ou iniciativa de Walter. O filho apesar da paralisia cerebral é um personagem carismático, e funciona como base do envolvimento familiar. Esse trio é a base do enredo.

E a série começa com Walter descobrindo que tem câncer no pulmão, e que não há muita possibilidade de cura. Ele preocupado com o futuro de sua família (Skyler está grávida), decide começar a fabricar metanfetamina para vender. Ele se junta a um ex aluno que tem ligação com o tráfico, o Jesse, e juntos formam a dupla que irá impulsionar a história nas mais inimagináveis situações.

Duvido que alguém consiga assistir aos 5 minutos iniciais da série e não ficar envolvido. E o que me atraiu nessa narrativa foi como a relação da morte iminente do personagem principal fez com que ele tivesse tomado a autonomia de fazer de sua vida o que bem entendesse. A mudança do personagem ocorre claramente ao longo da serie, e marco o momento em que ele raspa a cabeça (por conta do tratamento do câncer), como inicial da nova fase de ‘fora da lei’ que ele principia. Walter faz coisas que nunca imaginou que conseguisse, não há limite as possibilidades de um ser, não existe o “eu não sou assim”, ou “eu não faço isso”, tudo é possível. Ele com a iminência da morte passa a se sentir mais vivo, mais viril, mais dono de si. Acho que é a sensação de completude que a velhice trás, saber que está mais próximo da morte dá alguma liberdade.

A trama ao longo das temporadas se encaminha num rumo que está me desagradando, Walter por fidelidade ao seu parceiro Jesse, começa a ficar cego e cometer erros de julgamento. O envolvimento com a fabricação de drogas se torna tanto que ele não vê mais como sair a menos que esteja morto (morte natural, ou assassinato). O personagem agora se encontra num beco sem saída, não tem mais como ir adiante, está sozinho, e desprotegido. A pressão sobre ele é enorme, e veremos como os roteiristas irão encaminhar essa história...

Essa série fala sobre, morte, limites e fidelidade.

3.17.2012

Inventário:

Não acredito em Deus, acredito em Tom Zé.
Não acredito em Felicidade, acredito em silêncio.
Não acredito em Desejo, acredito no que sonho.
Não acredito em Dom, acredito na vontade.
Não acredito em mim, acredito no Outro.

Eu roubo namorado dos outros
Eu baixo musica da internet
Troco de roupa em frente à janela
Rasgo foto de amor antigo
Joguei fora meus diários

Cabelo crespo
Unha fraca
Pele seca
Dentes tortos
Urina ácida

Pensamentos críticos.

Trilogia

Chega de dia da mulher!

E mais um dia da mulher veio e se foi, e fiquei com uma sensação estranha vendo as milhares de manifestações pró-direitos das mulheres. Senti uma enorme preguiça das bandeiras já tão desgastadas que os grupos feministas há décadas balançam na vã esperança de estarem fazendo a diferença.

A modificação do lugar da mulher em nossa sociedade veio em função das mudanças econômicas, sociais, políticas e ideológicas do século XX, e não foram necessariamente direitos conquistados por lutas politicas ou boa vontade democrática. Não desprezo a luta de grandes nomes do feminismo, e suas manifestações e ideais que ajudaram muito nesse movimento de abertura para mulheres. Mas temos que aceitar que as mudanças reais vieram em função da necessidade da força de trabalho da mulher ser inserida na roda do capital. Tenho que admitir também que a evolução da indústria farmacêutica que possibilitou o sexo livre também teve seu peso. O lugar da mulher mudou porque a sociedade mudou, o capitalismo nos colocou para fora de casa, e nos diminuiu a possibilidade de uma vida de ‘dona de casa’ (não vou elaborar aqui se isso foi bom ou ruim).

A nova mulher que surge, vira um grande paradoxo. Ela pode ser independente, tem alguma liberdade de escolha, e todos os prazeres fálicos na sua frente, coisas que só os homens podiam desfrutar, mas ao mesmo tempo sonha em ter filhos, se casar, e viver pra sempre amada e devotada a um homem. Hoje coexistem dois parâmetros conflitantes de comportamento feminino na mente das mulheres (e dos homens também). Ainda estamos em fase de mudança, e acredito que o comportamento da mulher irá tender cada vez mais para o individualismo e busca de bens fálicos, mas isso é outra discussão.

Voltando as campanhas do dia da mulher... Vejo que ainda há um grupo grande de mulheres defendendo causas que já não fazem sentido (não fazia muito sentido nem na época que isso estava em pauta). Se agrupar pra defender a igualdade é tão absurdo como fazer guerra pela paz. Quanto mais os grupos feministas diferenciam as mulheres como uma classe, mais ficamos distantes da tão sonhada igualdade.

Outra coisa observada: exaltação excessiva do “ser mulher”. Sempre vi com muito pesar esse discurso que as mulheres são especiais, que são superiores!! É justamente esse discurso a base da exploração sexual, por exemplo. É a mulher deusa, mãe a que deve ser trancafiada numa burca para ser protegida. Ou deve ficar em casa cuidando dos filhos, pois é a única que pode fazer isso, e só fazer isso. A igualdade tem que ser total - lógico que respeitando as particularidades de cada sexo-, mas nós mulheres não somos nem melhores nem piores que os homens, apenas temos vagina.

Aprendi uma coisa:

Em caso de dúvida, mate o príncipe.

Trabalho de Dina Goldstein - Fallen Princesses

Boa briga

Gosto de boa briga. E pra boa briga é necessário um adversário à altura. Briga fraca é igual teatro de 5ª categoria: tem texto ruim e teatralização em excesso.

Só brigo de verdade se tiver respeito pelo menos por uma das pessoas envolvidas, na maioria das vezes o oponente não merece meu esforço.

Prefiro as brigas limpas, aquelas em que o oponente não irá ultrapassar o limite do tatame. Na arena se briga, se mata e vai-se embora, quanto o limite do espaço da briga não é respeitado o prazer da briga se perde, e vira bagunça infantil.

Ódio e amor andam juntos, caminham de mãos dadas, se estapeando às vezes. Uma boa briga de ódio tem que ter amor, se não os limites são ultrapassados e ao final se tem só indiferença.

Gosto de uma boa briga, mas só se for aprender algo com ela, se não, não vale a pena.

Hoje em dia faltam bons oponentes...

[Cartas de amor} Carta a melhor amiga.

Hoje quando estava no banho pensei em você, me veio aquela música do Lulu na cabeça. Lembrei-me de quando você cantava pra mim, consigo te ver na minha frente, com seu sorriso característico, os olhos brilhando, e a sua voz desafinada de sempre.

Degustando cada sílaba, cada frase, como se fosse uma certeza eterna. Com aquele seu jeito de quem sabe sempre o que fazer. Cheia de certezas. Custei a perceber que vc também tem inseguranças.

Lembrei de você na adolescência. Tão linda, tão radiante, e meus olhos se encheram de lágrimas.

Quantas vezes você quis fugir? Quantas vezes você se apaixonou? Quantas vezes deixou todos bobos com seu jeito espontâneo? Quantos se apaixonaram por vc?

Chorei por você, com você, pra você.

Lembrei de todos os barrancos q vc desabou, de todos os amores que não concretizou, de todos que te deixaram e que vc deixou. Nem sempre é so easy se viver. Você avisou isso, mas acho que nenhuma das duas levou a sério.

E o amor?

Você lutou por ele mais que eu, o conquistou, o mereceu. Mas sei que ainda sente sua vida vazia. E esse buraco jamais será fechado. Há pessoas que nasceram pra ser amadas, outras não.

Obrigada por tudo que me ensinou.