Com estrangeiros tenho pouca paciência, com os brasileiros metidos a estrangeiros não sobra um pingo de compreensão. Nada mais pavoroso do que ver um brasileiro se comunicando em outra língua, tentando desesperadamente parecer mais sofisticado do que realmente é. O pior é quando a língua eleita é o inglês, porque achar que ninguém está entendendo é um equívoco bizarro. Aos equivocados eu digo: minhas crianças, inglês é língua universal, até nas escolas de zona rural há professorinha de inglês.
Ou se a pessoa tem a sorte de aprender alguma língua pouco comum se aventura a falar e escrever na tal língua com todos, sem tomar conhecimento que ao invés de impressionar está passando por parvo, por estar falando uma coisa que absolutamente ninguém está compreendendo. Uma palavrinha ou outra vá lá, mas frases inteiras? Ai já é demais.
Eu entendo a influência de outras línguas em nosso idioma, isso é interessante para o enriquecimento dela, mas não compreendo a desvalorização da nossa cultura quando um jovem prefere usar gírias em inglês ao invés de tentar se expressar na sua língua natal.
Não sei se estou sendo careta, ou reacionária. A questão é que um dia desses um ser adepto aos estrangeirismos teve a pachorra de me dizer que o Brasil não tem cultura própria, com alguns minutos de conversa percebi que o infeliz não fazia idéia do que se tratava a palavra cultura, mas mesmo assim me chocou.
Ver um brasileiro se expressando em outra língua pra mim é como ver um negro no apartheid usando linguagem de branco. Vamos tentar valorizar mais a nossa “crioulice”, e parar de se envergonhar dela. Como dizia o mestre Bezerra da Silva: somos crioulos doutor, mas ninguém roubou nada!



