12.14.2009

Frederic Chopin, prelude Op. 28 No. 15 (Raindrop Prelude)

Eu gostaria de poder me transformar em sons, notas, melodias, principalmente quando estou triste. Gostaria de desvanecer, sair pelo ar, fluida como som. Invisível despertar pessoas. Tomá-las pra mim, e ligar o Start de suas fantasias.

Eu queria ser como música. Tomar todo o espaço, ocupar o vazio e fazer tudo vibrar: mais leve, mais poética, menos problemática.

Quando estou triste, sou essa música. Tenho o som das gotas de chuva:


Café forte

Tenho 43 anos e estou completamente sozinha. Irremediavelmente sozinha. Você sabe o que é isso? Ontem fui a um bar com os colegas de trabalho, lugar sujo, paredes rabiscadas, banda de rock visivelmente amadora. Cheio de garotos jovens com jeans rasgado, segurando bebidas ruins e baratas. Misturei-me a eles, estava até gostando, me sentia confortável com a familiaridade das situações, já fui adolescente, e certas coisas definitivamente não mudam. Ao final do show ofereci um drink ao guitarrista. Ele disse: ok, gatinha! Eu derreti.
Fui ao apartamento dele e nós transamos. Eu havia me esquecido como era a textura de um garoto jovem; como eram firmes seus músculos, a pele lisa, os brasos fortes. Ele disse que me queria, e não há nada como ver o desejo nos olhos de um homem. Há um tipo de olhar que suga, que despedaça. Transei a noite toda com os músculos, a pele, os pelos, o suor do homem jovem. Em um colchão no chão, com guitarras em volta, roupa suja. Eu era parte daquele quarto. Eu era aquele quarto.
Na manhã seguinte eu levantei fui até o banheiro e me olhei no espelho. E deus sabe que uma mulher de 43 anos não acorda radiante; maquiagem derretida, pele sem viço. Necessitava urgente de um café forte pra lembrar quem sou eu. Não precisou de tanto, me virei e dei de cara com uma toalha dos Power Rangers. Assustada, disse a mim mesma: você tem idade pra ser mãe dele! Fui embora antes dele acordar. Espero que ele tenha achado que eu fui apenas uma miragem. Naquela noite eu realmente fui apenas uma miragem.