3.31.2008

Ode a tristeza

Sou de essência melancólica. Respeito meus momentos de tristeza, dou a eles o tempo e a gravidade que necessitam, nada além. Saber respeitar os momentos de infelicidade é básico da existência, pois a vida é cíclica, angústia e mal-estar são condições humanas.
Mas a felicidade sempre volta...
Para algumas pessoas saber que serão um dia felizes é novo combustível para a vida, para outras saber que a tristeza vai voltar é saber viver.
Em um mundo altamente competitivo, estar triste pode ser interpretado como um sinal de fraqueza. Não ter o direito de estar triste, não ter o direito de expressar-se. Mundo cruel com as pessoas tristes.
Temos que vencer! Vencer a qualquer custo. Vencer o quê/ vencer quem? A realização na vida é um objetivo. Mas se lembrar que existe carne, existe vida, existe EU. Lembrar que existe matéria viva pulsando dentro de mim, dentro de todos. Matéria que é ignorada. Dar valor as circunstâncias, ao menor e invisível, ou ao menos importante. Sempre se lembrar que nada é perfeito, nada é eterno e essencial. Saber que quando se conquista algo grande vem junto uma carga de responsabilidades e deveres, e isso transforma esse bem em algo não tão bom assim. Existem pessoas que simplesmente não suportam isso. Lembrar que tudo é mutável, não se pode prever, e que nada é eterno, intocável, nem nós nem nossa felicidade. A tristeza é parte do todo, ela é natural e importante. É bela.

Billie Holiday



Billie Holiday tem um maravilhoso cheiro de mofo.

Mais uma das minhas lamentáveis poesias

Eu me perdi na minha mente, nos meus devaneios.

Falar sobre mim
Preciso me silenciar,
preciso me recolher,
me buscar,
me calar.
Saber respeitar o silencio,
o seu momento.
Saber se reintegrar se reconstruir,
se decodificar.
Me buscar em mim,
Quero me achar em mim.
Terrivel essa sensação de se perder

3.06.2008

Odeio Shopping

Estava a passear em um shopping da cidade, entretida entre vitrines e pessoas.
Sentei-me em um banco duro que combinava com a decoração austera e fiquei a observar: deixei meu olhar vaguear pelos transeuntes, vitrines e vendedoras. Percebi de relance que seria capaz de ficar ali por horas. Em um lampejo de consciência notei a engenhosidade dos Shoppings Centers.
Vamos analisar:
1. Não tem janelas, o mundo com seus problemas e barulhos fica do lado de fora, é um novo espaço que te acolhe e te desliga. Em certos ambientes isso fica tão evidente que é impossível não levar um susto, exemplo: lugares com ar condicionado (a experiência de estar em um lugar com ar condicionado e sair ou vice-versa é único).
2. O shopping é formado por lojas colocadas lado a lado, entre uma vitrine e outra não há espaço, não há pausa, somente apelo visual, que nos impede de pensar.
3. Lugar infestado de pessoas consumistas. Aquelas que fingem que você não existe, ou em um dia de bom humor te olham de cima a baixo te fazendo se sentir tão desajeitado quanto um boneco de Olinda
4. A musiquinha inebriante que irrita, mas a certo ponto passa a fazer parte do ambiente.
5. Você vai ao shopping com sua melhor roupa e lá chegando constata que está brega e mal vestido, pois sempre vai haver uma roupa na vitrine melhor que a sua.

Aí começa o mal estar...

Como se sentir bem em um shopping?

Ana de Amsterdam


Nunca quis trocar meu nome, sempre me orgulhei do Rafaela, feminino de Rafael, feminina.
Às vezes diminuído a Rafa, Rá, Fá, Faela... Sempre achei sonoro, um pouco romântico, às vezes doce às vezes amargo. Gritado não fica muito bom, o ‘A’ se estende muito, mas bem sussurrado ao ouvido soa como música.
Várias consoantes, repetição de vogais. E um ‘E’ no meio.
Conheço poucas Rafaelas, poucas famosas, as vezes acho que sou a única, a verdadeira Rafaela.
Belo nome Rafaela.
Mas essas certezas foram abaladas por uma música: Ana de Amsterdam do Chico Buarque. Agora o nome Rafaela não me cabe mais, descobri que sou Ana.