Tenho uma namorada de 19 anos, que tem sido a fonte de minhas preocupações. Quando a conheci, há cinco anos, me pareceu a mulher certa, dotada de uma beleza encantadora, mas desprovida de inteligência, e isso me reconforta. Sempre gostei de manter meus relacionamentos sob controle e com ela não havia nenhuma dificuldade.
Apesar da forma respeitosa com que nos tratamos, que faria o maior incrédulo acreditar que nos amamos, eu sabia em meu intimo que havia deixado de amá-la há muito tempo, e o desejo por outras mulheres havia ressurgido de forma quase incontrolável. Pensei em contar pra ela sobre minhas vontades, pensei em dizer a verdade, dizer que a traí, mas fui covarde. Sei que ela desconfiava, mas nunca se manifestou.
Houve um dia que um pensamento me dominou: a passividade dela e compreensão com meus ímpetos só poderiam ser fruto de uma intensa culpa. Por que ela era tão compreensiva? Sei que não sou o melhor ser humano do mundo, e sei que ela teve que ceder a muitas imposições descabidas feitas por mim durante o relacionamento.
Quanto mais ela se dedica a nossa relação, mais desconfiava. A dúvida da traição me dominou. Ela passou a fonte de minhas preocupações. Será que ela resistiria à investida de outra pessoa? Por que ela se manteria fiel a mim todos esses anos? Tão indiferente e impecável.
Em meio a essa pressão eu a traí mais uma vez com uma amiga em comum, não me orgulho disso, mas pensei em mim naquele momento, e a vontade de sentir a boca de outra garota me tomou. Sentir a pele, o corpo o desejo de outra pessoa e não o habitual foi irresistível. Não quero que você leitor me perdoe, nem que me compreenda, mas apenas me escute, e perceba que a minha traição foi o estopim do meu ciúme.
Hoje eu sei que minha namorada é tão capaz de me trair como eu fui, dói quando ela é carinhosa, e às vezes quando fecho os olhos eu a vejo nos braços de outra pessoa. Percebi as duras penas que a traição é um doce veneno que subtrai aos poucos as defesas de quem o toma.