8.21.2008

Blog, pra quê?

O que pretendo nesse blog é um auto-retrato, unindo fragmentos meus, pensamentos e sensações. Faço uma Colage com tudo que há em mim, do mais profundo ao extremamente superficial. Coloco minha pele estirada nessa tela, pra me entender um pouco, e me delimitar com um debrum feito pela medida de outras pessoas. Transformo ar, sonhos, e olhares em material de pesquisa, a partir das minhas sensações descrevo meu universo, o inverto e o miro em um espelho e enfim o observo se definir. Busco meus alteregos, e sensações mais ricas para tentar me encontrar no cerne do meu ser. E com palavras e descrições vou traçando o quadro da minha personalidade.
Sinta-se à vontade para observar.

8.14.2008

Que tal nos olharmos no espelho e tentar vermos o que realmente somos?

Eu vou começar:
Sou morena, me acho demais, mais do que devia. Fui muito mimada quando era criança e me rebelei na adolescência. Passei a ser a ovelha negra da família, queria curtir a vida de forma intensa. Fiz tanta loucura e era tão impulsiva que engravidei aos dezessete anos. Abortei naturalmente no meio do ano. No final fui aprovada em um vestibular e me mudei para outra cidade. Morei sem pai e mãe por dois anos. Foi quando engravidei novamente para suprir a carência que o aborto me causou como mulher. Voltei para casa de meus pais e vivi, por quatro meses para minha filha, que é a minha vida. Voltei para faculdade, só que em outro curso. Quando minha filha fez dois anos consegui me enxergar novamente como uma pessoa separada dela. Somos companheiras e unidas, mas somos duas e não uma pessoa só. Foi quando percebi que estava deixando minhas ambições e meus sonhos de lado pela maternidade.
Tenho 23 anos e ás vezes imagino que tenho mais por cobrar de mim devido à maternidade. Se pudesse pedir uma coisa a um gênio da lâmpada pediria para lavar minha alma. Acho que me descuidei dela um pouco. Sinto-me sobrecarregada, os ombros pesados por não sei o que é. Mas pesa.
Muitas vezes concordo com a Marisa Monte: 'apagaram tudo, pintaram tudo de cinza' e me dá vontade de chorar, mas não sei o motivo. Sei, algo me incomoda, mas não consigo identificar para cortar de minha vida. Talvez sejam algemas que me prendem a algo, ou uma bagagem pesada que não seja útil a mim.
Sempre fiz minhas vontades, mas agora sempre que faço algo que quero me sinto culpada. Não entendo o porquê. Muitas vezes não consigo respirar também. Tem algo me sufocando.

(continuação)

Meu medo é que seja minha filha. Não ela como pessoa, mas minhas obrigações com ela. A responsabilidade de ser mãe. Espero realmente que não seja isto. Que sejam meus pais e a família desestruturada que tenho. Ou que seja apenas uma fase para que eu possa me engrandecer como ser humano.
Sinto muita falta de rir como ria antes. Rir com muita vontade. Meu sorriso era minha marca registrada. Todos falavam. Hoje sorrio menos e com menos intensidade.
O sexo vem me acompanhando ao longo de minha juventude. Interessei-me por ele muito nova, apesar de perder a virgindade aos 17. Mas me masturbava desde os 12, 13. Depois que terminei um namoro de 7 anos descobri que não era feliz totalmente no sexo com o pai da minha filha. Mas me reencontrei com meu primeiro namorado e enfim transamos. Entendemos-nos muito bem na cama. Ele me faz sentir-me viva e desejada. Nos braços dele sou mulher, mas tenho vergonha de assumir um relacionamento sério com ele porque ele é pobre, é feio, mas é a verdade. Não falei isto para ele, mas se ele tivesse uma situação melhor, eu ficaria com ele.
Hoje estou na metade do curso de jornalismo. Eu sempre quis fazer isto ou psicologia. Estagio em um lugar legal. Tenho um dinheirinho por mês que dá para sobreviver, mas não dá para me realizar. Estou buscando a independência feminina do século XX. A sociedade nos impôs isto. Mas me encaixo no perfil de mulher que não precisa de homem. Pelo menos me imaginava assim quando era criança. Tô na luta! Tentando ser o que eu quero ser. Mas não me lembro muito bem do quero ser. Então estou perdida!

(esse texto foi roubado, mas não poderia deixar de colocá-lo aqui, a verdadeira dona dele me entenderá)

8.11.2008

Estudos sobre fotografia.

(Estou lendo um livro sobre fotografia e senti vontade de organizar meu raciocínio. Estão aqui algumas considerações feitas por mim, uma pseudo-fotógrafa)
A caverna de Platão e a relação com a realidade faz-me tecer uma relação com a fotografia, que se compara a essa busca frustrada pela realidade. A fotografia modificou a realidade, a partir do modernismo, essa realidade (dentro da caverna) propõe novos conteúdos para serem vistos, e mais, observados. A fotografia é um fragmento do mundo. Miniatura de uma realidade. Ela é a técnica que mais se relaciona com a realidade visível.
Imagens que idealizam, como fotografias de moda, não são menos agressivas que as fotografias que valorizam a depressão. Existe sempre um conteúdo de agressividade implícito em qualquer utilização da câmera. Para Diane Arbus, o ato de fotografar era feio, ruim, e isso a interessava. O fotografo pode ser considerado um ser perverso, pois ele se distancia de seu modelo e lança sobre ele apenas um olhar desfragmentado pelo meio técnico fotográfico, não há entre ele e o modelo um relação mais abrasada como há na pintura por exemplo. O ato de fotografar pode ser considerado um ato violento. Podemos perceber, portanto um lado fetichista no ato de fotografar, e ser fotografado. Fotografar é um ato de não intervenção, voyeurismo puro.
A fotografia é um instrumento de poder, tanto do fotógrafo que detém o poder de congelar o tempo, a imagem, quanto o objeto fotografado que se torna imortal. A fotografia sempre foi considerada um bem de luxo. O evento ou pessoa fotografada se torna eterno, por isso é tão importante fotografar-se durante a vida, principalmente crianças. O fato fotografado também se valoriza, e o evento que é registrado por meio de foto sobrevive para sempre, e isso dá um peso e importância histórica que nenhum outro meio dá.
Podemos dizer que hoje estamos mergulhados em um consumismo estético acentuado, provocado pela utilização muitas vezes agressiva da imagem, somos viciados em imagem, sofremos uma poluição imagética mental. Esse fenômeno torna claro o prazer erótico contido na fotografia tanto de quem a tira quanto de quem a observa.
Hoje em dia tudo que existe, existe para começar ou terminar em uma fotografia.

8.07.2008

Gostaria de fazer um desabafo

Tenho uma namorada de 19 anos, que tem sido a fonte de minhas preocupações. Quando a conheci, há cinco anos, me pareceu a mulher certa, dotada de uma beleza encantadora, mas desprovida de inteligência, e isso me reconforta. Sempre gostei de manter meus relacionamentos sob controle e com ela não havia nenhuma dificuldade.
Apesar da forma respeitosa com que nos tratamos, que faria o maior incrédulo acreditar que nos amamos, eu sabia em meu intimo que havia deixado de amá-la há muito tempo, e o desejo por outras mulheres havia ressurgido de forma quase incontrolável. Pensei em contar pra ela sobre minhas vontades, pensei em dizer a verdade, dizer que a traí, mas fui covarde. Sei que ela desconfiava, mas nunca se manifestou.
Houve um dia que um pensamento me dominou: a passividade dela e compreensão com meus ímpetos só poderiam ser fruto de uma intensa culpa. Por que ela era tão compreensiva? Sei que não sou o melhor ser humano do mundo, e sei que ela teve que ceder a muitas imposições descabidas feitas por mim durante o relacionamento.
Quanto mais ela se dedica a nossa relação, mais desconfiava. A dúvida da traição me dominou. Ela passou a fonte de minhas preocupações. Será que ela resistiria à investida de outra pessoa? Por que ela se manteria fiel a mim todos esses anos? Tão indiferente e impecável.
Em meio a essa pressão eu a traí mais uma vez com uma amiga em comum, não me orgulho disso, mas pensei em mim naquele momento, e a vontade de sentir a boca de outra garota me tomou. Sentir a pele, o corpo o desejo de outra pessoa e não o habitual foi irresistível. Não quero que você leitor me perdoe, nem que me compreenda, mas apenas me escute, e perceba que a minha traição foi o estopim do meu ciúme.
Hoje eu sei que minha namorada é tão capaz de me trair como eu fui, dói quando ela é carinhosa, e às vezes quando fecho os olhos eu a vejo nos braços de outra pessoa. Percebi as duras penas que a traição é um doce veneno que subtrai aos poucos as defesas de quem o toma.

8.01.2008

Pessoas instigantes

Sou indiferente a maioria das pessoas, outras me desagradam mas há uma parcela mínima que me instiga.
Outro dia fiz uma lista mental das mulheres mais bonitas em minha opinião, e no meio de uma profusão de rostos me veio um que não consegui superar: como é bonita a cantora Zélia Duncan! Belo rosto, somado a uma bela voz, que casa bem com as rugas, e um jeito de mulher feliz, realizada.
Gostaria de ter as rugas maduras dela, e esse ar de mulher que sabe o que é.

Carta ao Dr. House.

Querido House,

Tenho uma confissão a fazer: tenho uma queda por você. Sim, isso é uma carta de amor, mas vou tentar não ser piegas, nós não temos paciência pra isso.
Sei que temos que ficar juntos, e como percebi essa verdade antes de você me sinto na obrigação de te alertar.
Você tem o humor mais fino que já encontrei em um homem, e quem me conhece sabe que eu não resisto a um senso de humor.
Não é minha intenção te idealizar, sei que você tem defeitos; è egoísta, característica que divide com todos meus ex namorados, acredite, eu estou acostumada a lidar com isso.
Apesar de ser um belo coroa de olhos azuis, por se dedicar muito ao trabalho não faz o tipo mulherengo, e isso traria paz e tranqüilidade a nossa relação. Com exceção das discussões calorosas que teríamos antecedendo ao sexo, é claro. Perdoe minhas fantasias, é que eu não reprimo meus desejos.
Acho que seríamos uma interessante mistura de anseio e indiferença, intenção e displicência.
Quem me conhece perceberia também que esse meu encanto não passa da minha velha carência de figura paterna. Mas ignorando minha saúde mental eu me candidato a ser sua namorada.
Ligue-me qualquer dia desses.

Com carinho

Rafaela

PS: Acho sua bengala um charme.

Comédia Dell'Arte

Colombina terminou um longo e complicado namoro há um mês. Seu ex namorado, Arlequim, era agressivo e impulsivo, e em brigas por ciúmes às vezes ela saia com hematomas, pequenos arranhões, roxos produzidos por beliscões. Ela tinha trabalho de esconder da família, mas conseguia.
Apesar da intempestuosidade do temperamento de seu namorado, Colombiana o amava e se sentia amada, segura. Seu coração derretia por ele.
Mas ela não pôde ficar indiferente quando Arlequim tentou a impedir de entrar na Faculdade – que era em outra cidade – e pela primeira vez ela quis terminar.
Na véspera de sua partida ele ficou enlouquecido e tentou matar a ambos em um acidente de carro. Ela conheceu o mostro que conviveu durante 5 anos. Mentiu, e conseguiu o acalmar. Teve que fugir no outro dia bem cedo, deixou o namorado e o amor que sentia pra trás.
Agora, reiniciando sua vida se rejubila por estar livre. Sente o prazer surpreendente de sair de um relacionamento doentio, completamente ilesa. Ela não sente culpa, não sente raiva. Agora ela está sem amarras, sem grilhões. Prova o prazer da liberdade, não imaginava como estava sedenta dela.
Uma amiga, ciente da situação, convida Colombina a uma festa no apartamento de um rapaz. Colombina bebe e tenta interagir com os convidados, a maioria bastante desinteressante. Um garoto grande e desajeitado tenta ser engraçado, mas a deixa entediada.
Em determinado momento ocorre um tumulto: uma garota se excedeu na bebida e caiu, levando consigo boa parte das garrafas de cerveja do congelador. Os convidados estouram em risadas. Colombina ensaia uma forma de ir embora, e nesse exato momento, em meio a confusão chega mais um convidado, um garoto de nariz engraçado e espessa barba escura, e Colombina sente o que temia sentir, seu coração derretendo. Ela estava novamente preza a uma pessoa. O amor.