8.01.2008

Comédia Dell'Arte

Colombina terminou um longo e complicado namoro há um mês. Seu ex namorado, Arlequim, era agressivo e impulsivo, e em brigas por ciúmes às vezes ela saia com hematomas, pequenos arranhões, roxos produzidos por beliscões. Ela tinha trabalho de esconder da família, mas conseguia.
Apesar da intempestuosidade do temperamento de seu namorado, Colombiana o amava e se sentia amada, segura. Seu coração derretia por ele.
Mas ela não pôde ficar indiferente quando Arlequim tentou a impedir de entrar na Faculdade – que era em outra cidade – e pela primeira vez ela quis terminar.
Na véspera de sua partida ele ficou enlouquecido e tentou matar a ambos em um acidente de carro. Ela conheceu o mostro que conviveu durante 5 anos. Mentiu, e conseguiu o acalmar. Teve que fugir no outro dia bem cedo, deixou o namorado e o amor que sentia pra trás.
Agora, reiniciando sua vida se rejubila por estar livre. Sente o prazer surpreendente de sair de um relacionamento doentio, completamente ilesa. Ela não sente culpa, não sente raiva. Agora ela está sem amarras, sem grilhões. Prova o prazer da liberdade, não imaginava como estava sedenta dela.
Uma amiga, ciente da situação, convida Colombina a uma festa no apartamento de um rapaz. Colombina bebe e tenta interagir com os convidados, a maioria bastante desinteressante. Um garoto grande e desajeitado tenta ser engraçado, mas a deixa entediada.
Em determinado momento ocorre um tumulto: uma garota se excedeu na bebida e caiu, levando consigo boa parte das garrafas de cerveja do congelador. Os convidados estouram em risadas. Colombina ensaia uma forma de ir embora, e nesse exato momento, em meio a confusão chega mais um convidado, um garoto de nariz engraçado e espessa barba escura, e Colombina sente o que temia sentir, seu coração derretendo. Ela estava novamente preza a uma pessoa. O amor.

No comments: