
7.19.2009
A morte coreografada

Penso em você Erêndira
Tomado de supresa, Ulisses não soube o que responder.
_Talvez – disse – Você se atreve?
_Eu não posso – disse Erêndira - , é minha avó.
Então Ulisses examinou outra vez o enorme corpo adormecido, como que medindo sua quantidade de vida, e decidiu:
_Por você sou capaz de tudo.
(G. Garcia Marques)
Também me apaixonei por Erêndira.
7.06.2009
Domingo de macho
A idade bateu a porta, e o tempo dentro de sua insipidez e escárnio fez nosso herói perceber a crueza da vida solitária. Luis Augusto realizou, por tanto, uma busca a esposa perfeita e depois de experimentar todos os tipos de mulheres que se achava no direito se casou com a que aparentava menos ameaça a sua virilidade fugaz.
Hoje o destemido Luís Augusto passa as tardes de domingo realizando a trindade masculina - sexo, futebol e cerveja - da forma mais pungente e indigna que sua falta de amor próprio propicia.
Atestado de Pobreza
O Atestado ou Declaração de pobreza é um documento usado para comprovar que uma pessoa não tem condições de pagar os custos exigidos para ter acesso a alguns serviços como: assessoria jurídica e segunda via do RG, entre outros. Não é necessário apresentar nenhum documento junto com a Declaração de Pobreza.Garantir que as informações presentes na Declaração são verdadeiras é responsabilidade do declarante.
Ou seja, a única coisa nesse país que você não precisa passar pela burocracia pra provar é que é pobre. Deve ser porque isso é óbvio já que somos brasileiros!
DECLARAÇÃO DE POBREZA
Eu, ___________________ (nome), RG ______________(nº do RG) DECLARO, nos termos da Lei nº 7.115, de 29 de agosto de 1983 e, para os devidos fins, de que sou pobre na acepção jurídica do termo, não dispondo de condições econômicas para custear ___________(nome do serviço solicitado), sem sacrifício do sustento meu e de minha família.
Por ser a expressão da verdade, assumindo inteira responsabilidade pelas declarações acima sob as penas da lei, assino a presente declaração para que produza seus efeitos legais.
São Paulo, ____, de _____________ de 200__.
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A Loira do ônibus I
No banco da frente estava uma senhora que me chamou atenção, ela ia pelos seus 50 anos de idade. Cabelos loiros na altura do ombro, ralos, e quebradiços. Estava vestida de calça jeans apertada, blusa estampada justa, muita bijuteria barata, e sandália amarela de salto médio. Percebia-se nitidamente que havia se arrumado além da conta.
Ela observava o motorista com olhar de pesar, e ficava pedindo ao trocador para ir conversar com ele, mas o trocador mal dava atenção para suas lamentações. Em dado momento ela chamou pelo nome do motorista e não sendo atendida fez um beicinho e ensaiou um choro infantil que também não surtiu efeito algum.
O tumulto se estendeu. O motorista ficou andando para todo lado gritando ao telefone; o trocador parado, olhando, tentando não se envolver; e a mulher loira tentando chamar atenção hora do motorista, hora do trocador, sempre sem sucesso.
A Loira do ônibus II
Finalmente todos entraram no ônibus e o trocador fez sinal que já iriam partir. Indo contra todos meus instintos de sobrevivência, entrei no ônibus. Ela se sentou ao lado do motorista e eu sentei-me do outro. Lógico! Fui ouvindo enquanto ela destilava seu monólogo com as perninhas cruzadas e as mãos entrelaçadas no colo, muito elegante.
A Loira dizia que havia feito uma operação de implante dentário e que teve de vender suas jóias; ela dizia “jóias a gente não precisa, mas dente na boca é importante”. Ela prosseguiu dizendo que ficou um mês em casa e que estava precisando sair, por isso pegou aquele ônibus com ele (o motorista). Em certos momentos ela completava “não posso falar muito, minha boca ainda está doendo”, mas mal terminava a frase e já ementava outro assunto, e o motorista nem se dava ao trabalho de responder, e nem mandar ela se calar. E ela ia contando sobre a operação e o quanto tava doendo, e nunca se calava. Nunca se calava.
Não fui capaz de recriminar a Loira, pelo contrário senti uma intensa simpatia por ela. Desci do ônibus e ela já havia desistido de chamar atenção do motorista. Tive que me controlar pra não me despedir dela com um abraço.
Horóscopo
Meu horóscopo hoje me deu uma boa lição de como me relacionar com as pessoas:7.03.2009
Pina Bausch est morte.
Há certas mortes que vêem para acolher, encerrar, mas outras, como é o caso da Pina Bausch, soam como uma grande perda. Na minha humilde opinião foi um prejuízo para os apreciadores da fina Arte.

