7.06.2009

A Loira do ônibus I

Há alguns dias atrás estava no ponto de ônibus da Faculdade, quando vejo apontar na esquina o 525 cantando pneus, que parou no meio fio com uma manobra certeira. Eu e o rapaz que estava ao meu lado nos entreolhamos com uma mistura de susto e admiração. Em uma fração de segundo desce o motorista indignado com o celular na mão, gritando aos quatro ventos todo tipo de impropérios que devidamente censurados se resumiriam em: “não vou mais dirigir esse carro, ele está estragado e não vou ficar mais concertando!”.
No banco da frente estava uma senhora que me chamou atenção, ela ia pelos seus 50 anos de idade. Cabelos loiros na altura do ombro, ralos, e quebradiços. Estava vestida de calça jeans apertada, blusa estampada justa, muita bijuteria barata, e sandália amarela de salto médio. Percebia-se nitidamente que havia se arrumado além da conta.
Ela observava o motorista com olhar de pesar, e ficava pedindo ao trocador para ir conversar com ele, mas o trocador mal dava atenção para suas lamentações. Em dado momento ela chamou pelo nome do motorista e não sendo atendida fez um beicinho e ensaiou um choro infantil que também não surtiu efeito algum.
O tumulto se estendeu. O motorista ficou andando para todo lado gritando ao telefone; o trocador parado, olhando, tentando não se envolver; e a mulher loira tentando chamar atenção hora do motorista, hora do trocador, sempre sem sucesso.

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