6.26.2010

No divã da tia Rafa

(No momento estou incapacitada de escrever qualquer coisa que não seja referente a psicanálise.)

Tenho uma pena especial dos neuróticos obsessivos, eles são sado-masoquistas por excelência. E toda possível experiência de prazer ele: foge, posterga, esquiva e gera culpa a partir disso (culpa = autoestima baixa). “O sadismo consiste em violência em exercício de poder contra outra pessoa, que é tida como objeto”, “masoquismo é um sadismo voltado contra o próprio eu, utilizando a outra pessoa como Sujeito” FREUD.

Isso faz parte do desenvolvimento do neurótico obsessivo, que recalca lembranças (fantasiosas ou não) traumáticas cheias de afeto em determinado momento (relacionada ao complexo de Édipo).O neurótico obsessivo é aquele que concluiu muito bem seu Édipo. É o homem que tem adoração pela mãe, por exemplo. Aquele que fantasia tanto a sua progenitora que nem consegue descrevê-la com coerência, e muito menos se opor a ela. O “bom filho”.

A energia recalcada em determinado momento volta-se para o sujeito, então o próprio eu do sujeito se torna um objeto a ser torturado (masoquismo). O obsessivo produz essa defesa por deslocamento (diferente da histérica), o afeto é ligado a outras representações psíquicas que não a do trauma. O sujeito se inflige dor (olha a culpa aí), lembrando que todo sintoma carregava uma dose de satisfação. Esse conflito psíquico exprime-se por sintomas chamados de compulsivos: idéias obsedantes, compulsão a realizar atos indesejáveis, luta contra esses pensamentos e estas tendências, ritos conjuratórios, que refletem diretamente no corpo do indivíduo, em atitudes voluntárias ou involuntárias. È a ruminação mental, que gera todo tipo de comportamento, que circunda o trauma, mas nunca o encara de frente.

Agora, fuja se caso o obsessivo dirigir a hostilidade que ele investia sobre si para você. Temos a fase sádica do obsessivo, que pode ser tão cruel com o outro como é cruel consigo mesmo. E como bom neurótico, irá sempre fantasiar em cima de fatos e acontecimentos, montando e manipulando a ‘realidade’ como bem entender.

O obsessivo é o homem que é certinho, que gosta de limpar a casa, que tem mania de limpeza, mas uma mania muito específica, aquele detalhe deve estar limpo, aquele cantinho, o resto não importa. Para Winnicott (1990), a neurose obsessiva aponta para um estado de caos interior, de desintegração. A ordem estabelecida pelo obsessivo é a representação externa da negação do caos interior.

O obsessivo tende a se submeter, ele sempre vai eleger um objeto e se submeter a ele, um objeto de amor, ou de admiração. E é nesse momento que sua natureza masoquista fica mais evidente.

A vida do obsessivo será sempre cíclica, e ele se virá cometendo sempre os mesmos erros, fazendo as mesmas escolhas. E estará sempre as voltas com o amor e ódio diante do objeto de amor.

Pobres neuróticos obsessivos. Aposentei-me deles.