Ser Tereza é ser linda, elegante, inteligente, bem humorada e estar constantemente solteira. Ser Tereza é ser irremediavelmente livre. É gostar de andar pela rua em noites quentes, sem rumo, ouvindo Radiohead.
Ser Tereza é encontrar uma amiga na padaria pra um café, e chorar as duas porque concluíram que estão fatalmente apaixonadas por admiráveis canalhas.
Ser Tereza é não se pintar, usar roupas leves, coloridas e se sentir bem. E no dia certo sair de batom vermelho, olhos pintados e salto alto, pra provocar a todos sem a menor intenção de levar alguém pra casa. Atravessar de ponta a ponta o salão da festa com uma indiferença mortal pelas mulheres presentes e ausentes. Ser Tereza é estar sempre insatisfeita com o cabelo, é estar sempre insatisfeita com a pele, com o corpo. É se lambuzar de uma infinidade de cremes até se tornar escorregadia a ponto de não parar nas sandálias, mas nunca resistir dar uma olhadinha em seu reflexo seja lá onde estiver.
Ser Tereza é ser emotiva. Chorar no banheiro, se olhando no espelho para ver qual o melhor ângulo. É escrever cartas enormes e sinceras que nunca serão lidas pelos seus destinatários. É amar as plantinhas, bater muitos papos com elas, e se sentir quase tão mágica como o Pequeno Príncipe, mas nunca se lembrar de aguá-las. É passar tardes inteiras sem fazer nada tendo um milhão de coisas a fazer, e se sentir cansada no fim do dia.
Ser Tereza é ter uma vez bebido dois gins, quatro uísques, cinco taças de champanha e uma de cinzano sem sentir nada. E em outro momento ter bebido duas cervejas e ter acordado no outro dia, olhado pro lado e pensado: Quem é ele?
É detestar a área em que atua, mas saber que é uma das melhores no que faz. É saber que é uma das poucas pessoas no mundo que sabe misturar estampas, e se orgulhar disso. É permanecer apaixonada a eternidade de um mês por um cantor estrangeiro belga que usa bigode. É acordar ao meio-dia com uma cara horrível, comer lentamente o café da manhã, depois se obrigar a fazer as obrigações, e no final do dia sentar pra escrever um texto sobre a presunção incomensurável dos homens, e acabar escrevendo sobre como são as Terezas. Ai, é tão estranha essa vida sobre a Terra.

3 comments:
Essa Tereza não me é estranha.
É isso ai! =)
Toda mulher tem uma Tereza desesperada dentro do sí. Eu cuido da minha com muito carinho.
Ela merece!
Obrigada, realmente sou Tereza...
E tenho orgulho de sê-la, mas também sou Rafaela!
Ainda choraremos juntas por muitos outros canalhas...
Tereza, Rafaela, Thaise.
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