12.08.2008

Anna Banana

Esse final de semana estive presente em um desses rituais 'social-civilizado'. E conheci por intermédio de uma amiga a Srta. Anna Banana, rapariga que roubou minha atenção. Ela se vestia com uma bela indumentária constituída de um elegante tubinho preto com scarpins, exalando um cheiro acre de roupa há muito guardada. Sem brincos ou braceletes cravados de pedras preciosas, como ostentavam as outras garotas. Ela trazia nos cabelos apenas um desalinho, que refletia também em sua postura.
Porém me encantou sua tentativa de fazer parte do todo, de parecer mais alinhada do que realmente estava, de parecer mais elegante do que realmente era.
Observei-a sentada ao meu lado de pernas cruzadas, mãos sobrepostas ao colo, bebericando de um líquido rosáceo, provavelmente champanhe com licor de cassis. Ostentando uma aparente feição de calma estampada no rosto. Um inabalável sorriso dissimulado, e um olhar que titubeia entre a fixação e a sonolência.
O garçom se aproxima oferece canapés a bela Dama Banana, e com um gesto languido com a mão esquerda ela dispensa o aperitivo, pronunciando calmamente um ‘não-obrigada’.
Ela se vira e olha em meus olhos com displicência como se aquele gesto fosse o mais recorrente de sua vida.
Como não se deixar encantar com tamanha engenhosidade?

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