3.28.2010

Eu Medéia

Essa semana estive com a história de Medeia na cabeça. E posso dizer que quase compreendo não as razões, mas as emoções dessa mulher. Temos todas um pouco de Medéia, nos sentimos capazes das piores atrocidades para resgatar um pouco da honra, e aplacar (ou mascarar) a dor.

"Medéia que veio da remota região de Colquida. Naquela região, considerada bárbara, ela conheceu Jasão e, movida por uma avassaladora paixão, traiu seu pai ao ajudar o herói a conquistar o Velocino de Ouro através da arte da magia e encantamentos. O ardil, usado por Medéia foi descoberto, obrigando-a a fugir em companhia de seu homem e amado. Seu pai, o rei Aeetes, empreende uma, perseguição ao casal pelos mares, porém, ao fugir, Medéia levou seu irmão Absyrto, que foi morto em meio à viagem. Ela o executou e esquartejou o seu corpo, jogando os pedaços no mar para atrasar a perseguição de seu pai. A fuga teve êxito, porque o rei interrompeu a perseguição para recolher os pedaços do corpo do filho.

Medéia cometeu muitos outros crimes na sua trajetória com Jasão. Ambos tornam-se errantes, estrangeiros a procura de abrigo, cujo pedido de asilo em Corinto foi aceito na condição de Medéia fazer uso de seus conhecimentos mágicos para cessar a seca, a fome e a infertilidade que assolava a região.

Em Corinto Jasão apaixona-se pela filha do rei desejando contrair novas núpcias com a jovem princesa de Corinto, e abandonando assim Medéia a própria sorte e a desgraça social. A situação nefasta de Medéia a coloca como esposa abandonada, mãe de duas crianças em situação de exílio e mulher estrangeira, como nos indica a citação: “pois, encontra-se órfã sem cidade, ultrajada pelo marido, sem mãe e nem irmão para abrigá-la do infortuno" (Eurípides, Medéia, v.255).

A protagonista de Eurípides decidiu e optou pela ação de vingança Medéia decidiu agir com violência por não querer causar riso deixando impunes os seus Inimigos. (Eurípides, Medéia v.1050).

Medéia muda de atitude visando atingir seu objetivo passa a agir de acordo com o modelo estabelecido pelos homens, ou seja, submissa obediente, deixando transparecer que aceitava o destino determinado por Jasão e Creonte. Ela prometia acatar a ordem do rei que havia determinado a sua saída de Corinto (Eurípides, Medéia v. 927). Para reafirmar o seu arrependimento e compromisso, Medéia envia, através de seus filhos, um presente de núpcias envenenado para a noiva de Jasão, e desta maneira ela mata a princesa e o rei.

Logo após ela mata seus dois filhos. As crianças haveriam sido executadas como sacrifício aos deuses pela própria sacerdotisa de Hécate. Talvez uma forma cruel e eficaz de vingança contra o abandono do marido, pois, matando os filhos ela extinguia a descendência de Jasão que reconhecia: sem filhos você me destruiu."


Não tenho dúvida que é dessa funesta geração de mulheres que descendo.

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