
Meu peixe, o Zuiudo, se suicidou quando eu tinha 10 anos. Ele se jogou de onde morava (um pote de vidro) direto na minha gaveta de roupas. Foi chocante pra mim, quando em um gesto corriqueiro abri a gaveta para pegar uma muda de roupa e me deparei com o cadáver do peixe.
Imaginei-o pegando impulso, pulando pela boca do pote e caindo inevitavelmente na minha gaveta, que para tristeza da minha mãe, sempre estava aberta. Fiquei imaginando por quanto tempo ele ficou se debatendo em cima das minhas roupas, tentando desesperadamente sobreviver.
Durante muito tempo tive a certeza de que a sua morte foi culpa minha. Analisei a situação e percebi a sua monótona vida: morava em um pote de vidro, demasiado pequeno para ele, sem outros peixes para conviver, sem outros objetos para interagir. Não é de se estranhar que ele cometesse suicídio. Eu matei meu peixe de tédio!
Achava que por não ter proporcionado a ele uma vida mais confortável e feliz ele resolveu se matar, o pobre peixe vivia abandonado em cima da cômoda, com a mesma paisagem distorcida para olhar, o pouco espaço sufocante. E eu o alimentava inocentemente sem perceber o quanto ele sofria. Como somos mesquinhos com o sofrimento dos outros.
Hoje depois de crescida percebo que a morte do Zuiudo não foi minha culpa, por não estar em um aquário devidamente estruturado o coitado ficou sem ar, e não teve outra solução a não ser se aventurar fora do pote, e explorar esse mundo misterioso do ‘lado de fora’, infelizmente não teve sorte. Pobre Zuiudo, que Deus o tenha em bom lugar, pelo menos melhor do que o que eu o deixei.
Amém
Imaginei-o pegando impulso, pulando pela boca do pote e caindo inevitavelmente na minha gaveta, que para tristeza da minha mãe, sempre estava aberta. Fiquei imaginando por quanto tempo ele ficou se debatendo em cima das minhas roupas, tentando desesperadamente sobreviver.
Durante muito tempo tive a certeza de que a sua morte foi culpa minha. Analisei a situação e percebi a sua monótona vida: morava em um pote de vidro, demasiado pequeno para ele, sem outros peixes para conviver, sem outros objetos para interagir. Não é de se estranhar que ele cometesse suicídio. Eu matei meu peixe de tédio!
Achava que por não ter proporcionado a ele uma vida mais confortável e feliz ele resolveu se matar, o pobre peixe vivia abandonado em cima da cômoda, com a mesma paisagem distorcida para olhar, o pouco espaço sufocante. E eu o alimentava inocentemente sem perceber o quanto ele sofria. Como somos mesquinhos com o sofrimento dos outros.
Hoje depois de crescida percebo que a morte do Zuiudo não foi minha culpa, por não estar em um aquário devidamente estruturado o coitado ficou sem ar, e não teve outra solução a não ser se aventurar fora do pote, e explorar esse mundo misterioso do ‘lado de fora’, infelizmente não teve sorte. Pobre Zuiudo, que Deus o tenha em bom lugar, pelo menos melhor do que o que eu o deixei.
Amém

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