10.06.2008

Confissões noturnas

Observo faixas de luz passando vagarosamente pelo teto, ao lado do quadro as aranhas constroem suas teias devagar, e nelas unem pontos para formar um desenho inteiro, como na vida, em que uma cadeia de acontecimentos desenlaça em mais um traço do desenho. Sinto meu corpo afundar na cama, como se estivesse sendo sugado por uma enorme vulva... Há quem ache o silencio um momento de contato com sua intimidade mais profunda, mas não vejo nenhuma vantagem nisso.
Há quem se sinta incomodado com os barulhos ensurdecedores, ou com a falta de espaço para reflexão em meio a tanto caos auditivo.
Há quem se incomode com ruídos em determinados momentos do dia, ou deteste música, ou qualquer outro tipo de som que abale o difícil equilíbrio das coisas.
Eu fico na contramão do óbvio, e assumo sem receio do possível julgamento pseudo-psicológico que eu tenho medo do silêncio, não sei viver na falta de ruído, me desespera, angustia, estar em um ambiente em que o silêncio é duro como rocha. Estou tentando calar meus pensamentos? Seria apenas um vício relativo à solidão? Não sei dizer, mas criei para esse meu novo distúrbio um nome: tacifobia, em homenagem a deusa grega do silêncio, Tácita.
Retirar o silêncio das coisas talvez seja o que mais me dá prazer na vida.

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