4.08.2009

Artemisia Gentileschi

(Judith Beheading Holofernes 1611-12)

Meu blog não se presta a ser uma enciclopédia, longe disso, no máximo uma fonte de referências de meu (mal?) gosto pessoal, nada mais que isso. Não estou aqui pra ensinar nada a ninguém, pelo contrário. Mas vou abrir uma exceção a uma mulher que me encantou desde a primeira vez que ouvi seu nome: Artemisia Gentileschi.
Ela viveu em uma época em que a pintura como todas as outras áreas do conhecimento eram dominadas pelos homens. Não que as mulheres não fossem capazes, mas infelizmente a elas era vetada a entrada como aprendiz nos ateliês dos mestres.
Artemísia nasceu em 1593, filha de um pintor talentoso de Roma e com ele aprendeu as técnicas de claro/escuro do Barroco da época. Quando era muito jovem, por volta dos 15 anos, foi entregue aos cuidados de um amigo do pai, um homem mais abastado para que pudesse prosseguir nos estudos de Arte. Artemísia fora então violentada e explorada por esse homem. Um processo judicial demorado sobre o fato foi aberto deixando a vítima mais constrangida. Se hoje um processo de investigação de um estupro é penoso imagina no século XXVII!
No final o estuprador chamado Agostinho Tassi saiu praticamente imune por ser um homem bem colocado socialmente, soube manejar a situação a seu favor. E Artemisia seguiu sua vida, casou-se, mas teve que trabalhar muito para sustentar sua família, pois seu marido viciado em jogo apenas contribuía para que as dívidas se acumulassem...
Meu reconhecimento a genialidade de Artemísia parte do pressuposto não só dela ser uma excelente artista, por saber se comunicar muito bem com a linguagem visual - como vemos no quadro acima-, mas também por ser uma das primeiras feministas que se tem notícia. Além de seu talento não reconhecido, sua força! Podemos dizer que Artemisia é uma mulher que sabia da necessidade de se cortar a cabeça de alguns homens, e isso merece nosso respeito.

2 comments:

Diletantes said...

De como estar errado me surpreende...

Artemisia G. possui uma incrível coleção de expressões. Sejam nauseadas ou furibundas, elas parecem compor um anseio de libertação. Cortar ou pregar cabeças masculinas, mancomunar atrás das cortinas...ou simplesmente parecer impassível diante da entrega...tão subjetivo....fala tanto de si....

Thiago Lira said...

Bela dica, adoro a expressão que o barroco derrama. Torna tudo bem mais dramático.