8.25.2009

Tolices, pessoas e Catarina.

O comportamento das pessoas sempre me causou curiosidade e em alguns casos risos. Ainda não compreendi o limite que pode chegar a tolice de alguns seres, e temo que seja infinito.
Noutro dia estava vendo um jornal local que mostrava a mudança de comportamento das meninas entre 9 e 13 anos que se mostram cada vez mais ‘adultizadas’, elas não brincam com bonecas, só se interessam pelo universo adolescente e seus estereótipos imbecis. Eram três amigas de 10 anos, vestidas como adolescentes fúteis do tipo mais medíocre, rostinhos pequenos ornamentados com aparelhos fixos em dentes permanentes grandes e feios, salto nos pezinhos delicados, e cabelos devidamente escovados e penteados. Mas o que mais me surpreendeu foi o comportamento robotizado do trio, a forma calculada de olhar pra câmera, o sorriso treinado, a pose adestrada com as perninhas cruzadas e mãozinhas sobrepostas sob os joelhos. Era um espetáculo ridículo.
Mas no meio desse lamentável trio de amigas havia uma gordinha que me comoveu. Ela estava visivelmente desconfortável diante da destreza com que as amigas lidavam com a situação, mas ela em meio a tanto volume corporal não conseguia cruzar as perninhas como as amigas, ou caminhar como modelo e fazer pose. Ela se esforçava em parecer graciosa, mas a massa de seu corpo a impedia de se mover com leveza. Ela observava as amigas de rabo de olho tentando imitar os trejeitos, responder na hora certa, mas era em vão. Ela estava sempre atrasada e parecendo perdida.
Em dado momento elas se juntaram para cantar uma música em inglês e a gordinha ficou movendo os lábios como uma marionete sem vida, ela não tinha idéia do que estava cantando, e arrisco dizer que também não tinha idéia do que estava fazendo ali. A tola estava se esforçando para parecer com as outras.
O nome dela é Catarina, nunca guardo o nome de ninguém, mas sei que nunca mais vou me esquecer desse nome. Pergunto: quão estúpida se pode ser? Muito.

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