3.20.2009

Keith Maria


Keith Maria foi abandonada pelo noivo no altar. O noivo não compareceu ao casamento, apenas mandou um recado pelo irmão dizendo que mudou de idéia. Só isso. Keith foi pra casa, não quis falar com ninguém, não quis receber condolências de ninguém, a única coisa que ela quis consigo foi o bolo de três andares recheados com pasta de ameixa e doce de leite com coco e cobertura ornamentada com o melhor chantilly extra cremoso.
Keith Maria já no taxi, ainda vestida de noiva, começou a desenvolver este precioso raciocínio:
Minha mãe me avisou! ‘Não case com esse cara que usa boné, homens que usam boné não prestam! ’ Faz sentido, boné é coisa de criança ou homem careca, se o cara não é uma coisa nem outra só pode significar infância tardia. E nada pior do que homem com síndrome de Peter Pan, aquele tipo eterno crianção.
Sabe o que é pior de ter relacionamento amoroso? É ter que mentir. Eu menti do começo ao fim; disse que ele não irá ficar calvo, que o pênis dele não era tão torto assim, ‘Não querido, seu pênis não é de gancho’. Que gostava do sexo oral dele. Que era virgem quando o conheci. Se eu for por inferno por mentir, a culpa vai ser dele! Sobre o lance da virgindade, bem... Quer dizer, teve o Marcos, mas ele não conta porque tinha o pirú pequeno. Enfim, a questão é que eu menti mais que viúva de padre!
E sabe do que eu mais me arrependo? Não ter mandado aquela porca da minha sogra ir à merda. Ela ficou lá na igreja com um sorrisinho no rosto. Cretina! Por culpa dela emagreci 5 kg nos últimos meses. Ela me entupia de mamão com aveia e todo tipo de laxante natural, dizia que mulher que não caga bem não tem saúde pra ter filhos. Quem disse que eu quero ter filhos? Velha ordinária!
Eu sabia da personalidade instável dele, sabia que ele possuía os dois defeitos clássicos masculinos: alcoolismo e infidelidade. Sabia que ele não tinha o costume de lavar suas próprias cuecas, e isso pra mim é falha de caráter. Sabia do gosto duvidoso por filmes de ação e gomas de mascar. Sabia que ele gozava rápido demais. E pra fechar tinha o péssimo hábito de suar o nariz em público, inclusive em restaurantes! Bem, não posso dizer que fui enganada, e sim que me enganei.”
Depois de passar e repassar todos os erros e arrependimentos de sua relação Keith Maria se atirou sobre o belíssimo bolo de seu casamento e o fez desaparecer em menos 20 minutos.

Conceição

Depois de uma paixão, assolapada e imbecil, uma mulher, quando finalmente deixa de gostar de um homem, passa por várias fases. Há a fase da surpresa. Há a fase do alívio. Há a fase do nojo. Há, por fim, a fase do vazio.
Com Dr. Juarez dos recursos humanos, foram 6 meses de intensa desordem emocional e uma dezena de meias-calças rasgadas nos pregos protuberantes da mesa do escritório. Depois dos 6 meses e alguns telefonemas desesperados de ameaça ao casamento sólido e tedioso do Dr. Juarez, Maria Conceição está finalmente consciente e feliz em sua própria pele, e com o fim de seu caso sem futuro. Um belo dia Conceição banhada de suor, sentada na recepção, coroada por um ventilador de pás empoeiradas que rodava ritmicamente ressoando um ranger hipnotizante, levanta o olhar e diante da porta entreaberta vê Dr. Juarez almoçando um hambúrguer com fritas e coca média em sua mesa de escritório. Ele tenta abrir o catchup com os caninos em vão, experimenta então os pré-molares, também fracassa, e quando finalmente consegue um minúsculo buraco a pressão excessiva feita pelos dedos gordinhos sobre o saquinho o faz esguichar e sujar toda a camisa. Maria da Conceição percebeu, nesse preciso instante, que, relativo ao seu chefe, apesar de tudo o que acontecera, apesar de tudo o que estava para vir, não seria capaz de passar pela fase do nojo. Pois referente àquela criatura a sua frente a única coisa que conseguiria sentir é piedade.

2.28.2009

cinéfilos anônimos

Quem freqüenta locadoras de vídeo sabe que existe uma ordem secreta de cinéfilos solitários. Pessoas que tem como hábito assistir pelo menos um filme por semana. E o mais interessante nessa seita é que seus adeptos se reconhecem. Eu, por exemplo, freqüentei bastante uma locadora de minha cidade natal nesses últimos meses e percebi claramente essas pobres almas. Com um rapaz em especial criei uma ligação, ele me acompanhava com os olhos e observava minhas escolhas, um belo dia – não me lembro bem por quê - conversamos e logo começamos a nos ajudar nas escolhas dos filmes. Toda semana nos víamos, o flerte ia muito bem nos nossos encontros casuais devidamente premeditados pelo hábito.
Um belo dia estávamos no guichê lado a lado quando a atendente gordinha com cara entediada se dirigiu a ele, e por uma fatalidade consultando sua ficha nos anais do sistema, com uma voz robotizada disse: “O Sr. Está com 3 pornôs aqui em aberto. Será necessário efetuar o pagamento pra fazer mais locações.”
Eu lancei uma olhar de soslaio a ele, que retrucou com um rubor na face, estava visivelmente envergonhado. Ele tentou se explicar pelo o que dizia à atendente, que se tratava de uma locação feita pelo primo, em algum momento, por algum motivo que não me ficou bem claro. A atendente não se deu nem ao trabalho de responder a desajeitada explicação, e o rapaz em meio ao fiasco da elucidação enfiou a mão na carteira e pagou os filmes.
Eu não tenho nada contra os adeptos da pornografia, mas não pude conter um risinho de deboche vendo a situação embaraçosa que meu paquera se meteu.
Depois disso ele nunca mais voltou aos nossos encontros casuais premeditados.
Para quando o bege ficar marcado de vermelho...

Velhas amantes

Não gosto de livros novos, com páginas esbranquiçadas e de difícil manejo. Abre-se com dificuldade, e temos que vira-lo para ler as letrinhas que teimam em se esconder no encontro virginal das páginas.
Gosto dos livros antigos porque são pra mim como velhas amantes, já marcados pelas mãos de todos que desfrutaram de seus prazeres. Gosto dos livros que se abrem facilmente com uma mulher sedenta de amor. Apaixono-me por eles, principalmente quando exalam um perfume marcante e irresistível, perfume de livro velho. Trato-os como minhas concubinas, mais amadas e deliciosas da terra.

2.15.2009

Trecho do livro Amor em tempos de cólera

Trânsito Ariza vendo seu filho condoer-se de amor a espera da resposta da carta dada a sua amada, diz sábias palavras :
"Aproveitou a pausa da convalescença para repreendê-lo pela passividade com que esperava a resposta à carta. Lembrou a ele qua os fracos não entram jamais no reino do amor, que é um reino impiedoso e mesquinho, e que as mulheres só se entregam aos homens de ânimo resoluto por que lhes infundem a segurança pela qual tanto anseiam para enfrentar a vida."
Sábias palavras!

2.11.2009

Assistam


Escrevo

escrevo errado por que penso errado
já que sou errada e nasci de um erro
escrevo errado pra ficar mais leve
pra viver mais solta

escrevo errado por que não sei
como é sentir
já que me esqueci
de como se faz

escrevo para assumir meus erros
tirar minhas mágoas
pra entender meus acertos

erro por ser humana
ser eu
serumano

1.27.2009

The boss


Fui a uma entrevista de emprego ontem. Demorei dois dias para decidir que roupa usar. Optei por um jeans de qualidade, uma camisa de botão de tecido fino, sapato de salto e brincos de argola (não sei por que, mas acho que brinco de argola passa credibilidade), e currículo debaixo do braço.
Chego ao local adiantada e tentando disfarçar meu nervosismo. Depois de esperar duas eternidades entrei na sala do futuro chefe. Detesto essas situações em que tenho que fingir o que não sou, calculo meus movimentos para parecer menos desajeitada, me esforço para ser mais educada do que realmente sou, tento mostrar que estou interessada no emprego sem ter certeza disso.
Sempre fui muito sincera. A verdade é um maldito hábito que cultivo.
O futuro chefe têm cabelos brancos e ralos, baixinho e com óculos grandes de aro redondo, parecia ingênuo e despretensioso, mesmo sentado atrás da imponente mesa de cerejeira. Simpatizei com ele.
Então começa a tortura, e eu sentada á sua frente tentando dizer a coisa certa (ressalto que nunca fui boa nisso).
Em certo momento o Sr. futuro chefe sai de trás da bancada com meu humilde currículo nas mãos e senta na quina da mesa, bem na minha frente. Nesse exato minuto o tempo parou. A sala congelou e o pingo de suor que descia na minha têmpora estacionou. Eu estava de cara com os ‘bagos’ do meu futuro chefe. Eles saltaram e se encaixaram perfeitamente ao lado esquerdo pelo canto da costura da calça, por cima da perna no momento exato em que ele sentou. Bem na altura dos meus olhos! Como não olhar? Estavam lá olhando pra mim, e eu pra eles.
E meu maldito senso de humor gritava na minha cabeça ‘Que velho bagudo!’ E eu lá firme! Impacível! Gelada, tentando parecer fina. E o chefe falando coisas que eu sei que devia ter prestado atenção. Como não rir?
É impressionante quando a gente acha que já passou por tudo na vida sempre aparece uma coisa pior.

Eu e o poeta

Um dia vou me envolver com um poeta.
Terei um relacionamento relâmpago,
intenso e carnal.

Serei maldosa e dissimulada
Só pelo prazer de me ver exposta em palavras,
Descrita
Aberta
rasgada

Irei provocá-lo
até fazer seu íntimo sentir necessidade
de me mal dizer em poesia.

Escrito em letras rápidas no papel,
respingado de suor, lágrimas,
esperma

Não deve existir nada como ser xingada em poesia!

Amor

Eu busco uma palavra para substituir o calejado ‘amor’. A meu ver ele já se esvaziou de sentido, sendo desperdiçado por ai - de outdoors a puteiros. Eu lamento.
Amor é uma palavra ingrata. Acho errado a usarmos para definir uma amplitude tão vasta de sentimentos, desde amor maternal ao sexual, tudo é chamado amor. Eu amo várias pessoas de formas e intensidades diferentes, para cada uma eu gostaria de inventar uma palavra.
Ou casais melosos que o gastam a exaustão, deixando qualquer pessoa que assista enjoada, principalmente se a garota tiver o degenerado hábito de prolongar as vogais: amoooooooooooooor vem cá! Conheço vários assim... Detesto.
Essa palavra devia ser sagrada, e só dita em ocasiões especiais. Em eventos sociais onde as pessoas se juntassem vestidas com as melhores roupas, exalando o melhor perfume, bebendo boa bebida de um buffet cheio de frescura. Só pelo prazer de ouvir um ‘eu te amo’ sincero, dito com o coração. Assim seriam os casamentos.
Mas eu entendo a dificuldade das pessoas com essa palavra. Não é fácil amar, e na maioria das vezes a gente nem tem certeza se ama ou não. Amor é verbo intransitivo, não têm sujeito, amar anula a pessoa que ama. Por isso é tão difícil amar.

1.20.2009

Mamy

Nesse momento minha mãe está se casando com um idiota na minha cidade natal. É uma união civil simples. Ela mandou-me o convite mas fiz questão de não estar presente, até mesmo porque não dou a mínima para essa união, e arrisco dizer que não irá durar ate o inverno.
Pois bem, digo a vocês uma verdade que encaro desde a infância, minha mãe tem o talento de farejar um idiota a quilômetros de distância. E eu acompanhei essa sucessão de imbecis durante meu crescimento. Chego a me recordar de alguns em particular.
Certa noite, eu devia ter por volta dos 9 anos, ela levou o namorado imbecil da vez na casa das minhas tias (onde morávamos), o sentou nas cadeiras da varanda e me chamou para conhecê-lo. Só de olhar pra cara da criatura percebi que se tratava de um idiota; cabelo partido ao meio e lambuzado de gel, camisa xadrez e butinas. Minha mãe estava visivelmente nervosa perto dele, querendo parecer divertida e agradável, e morrendo de medo que eu causasse uma má impressão no jeca. Eu me sentei e ele começou a fazer o velho questionário maçante que os idiotas fazem às crianças 'Onde você estuda?', 'Sua professora é legal?', 'Qual matéria você mais gosta?', nessa eu equivocadamente respondi matemática, e ele não titubeou em me perguntar ' você já estudou a tabuada?' Eu - sim. O idiota então me tomou a tabuada durante uma hora. ‘3x 4?’ ‘7x9?’ '5x3?'. Ele sabia como matar uma criança de tédio! Acho que minha mãe não ficou muito tempo com ele, não o vi depois disso. Ainda bem!
Houve um outro que ligava constantemente lá pra casa, minhas tias não aguentavam mais. Depois de algum tempo descobrimos, ou minha mãe contou, não lembro, que se tratava do mecânico que tinha uma oficina na rua de baixo. Ele era vulgarmente conhecido pelo singelo apelido de 'pézão’, e eu gostava de chama-lo de 'pé-grande', pois a sua semelhança com o macaco ficcional era inegável. Houve uma noite em que minha mãe se arrumou cuidadosamente para sair, eu sabia que se tratava de um encontro. Fiquei à espreita para ver com quem, e quando ela saiu eu fui correndo ao quarto da frente esgueirar-me na fresta da janela para ver com quem ela saia. Chegando lá dou de cara com a minha tia bisbilhotando na janela, me junto a ela e vejo minha mãe entrando num caminhão enorme destes de rodas gigantes, mas estava sem a caçamba. Eu e minha tia caímos de risada, e ela disse ‘Que decadência!’.
Pouco tempo depois eu soube que o pé-grande se casou com uma bela professora da rua de baixo. Tirem a conclusão que quiserem.
O pior idiota que minha mãe encontrou foi sem dúvida meu pai, e eu tenho para mim que ela ficou tão emocionada com sua façanha que decidiu ter uma filha dele. Afinal não é todo dia que se encontra um imbecil de peso! Ela quis marcar o ápise da carreira dela comigo.
E hoje, ela esta mais uma vez cometendo um erro na vida dela. E eu como sempre assisto ela se fuder de camarote.

Nota de esclarecimento

Os homens quando encontram uma mulher de verdade brocham. Não sabem olhar no olho, não sabem ouvir verdade. Estão acostumados com as bonecas dos filmes pôrnos, que gemem e se mexem automaticamente, com suas cavidades vaginais fluorescentes de tão lisas. Se oferecem facilmente, sem resistência. Ou bundas grotescamente descomunais, que sacodem ao som tribal de alguma batida.
Essas são as mulheres que habitam o imaginário desses pobres homens, que quando descobrem o que é o real esvaziam os escrotos automaticamente, como um susto. Se lambuzam todos de esperma meloso, pois não estão a-cos-tu-ma-dos às mulheres de verdade, e que dizem a verdade. E ao final da pachorra lançam um olhar pedante, como se pedissem desculpa por serem tão bostas.

Calma la mi pueblo!!! Estamos hablando de Obama, y no de Chávez!


A meu ver expectativa excessiva precede inevitavelmente uma grande decepção. Vejo a onda de aceitação de Obama, e toda a sua festa na posse da Casa Branca com certo receio. Apesar de feliz por ver um presidente negro americano, coisa que há 4 anos atrás seria impensável, agora é realidade. E acho que devemos isso à famigerada era Bush, que obrigou o americano – branco, classe média, consumista, alienado - a se posicionar de forma mais inteligente em relação a escolha de seus governantes e a política externa.
Mas a política americana sempre teve um perfil muito definido, e mesmo sendo um democrata, o negro Obama não irá negar o passado político, e não irá salvar o mundo.
É até mesmo previsível suas atitudes. Ele irá tentar controlar a crise com pacotes econômicos do governo, injetar grana no mercado e medidas preventivas do gênero. Irá manter a diplomacia nas relações externas, sem conceder grandes aberturas, ou promover grandes mudanças nas relações mercadológicas com os países subdesenvolvidos (ruim pra gente). Quanto a guerra de Israel e Palestina, acho que ele não irá intervir diretamente, os EUA tem um acordo diplomático antigo com os judeus, seria estupidez tomar partido dos palestinos e sofrer retalhacões na economia em um momento tão delicado.
Por isso, temo que daqui a alguns meses o mundo comece a se sentir traído, pois esperamos demais de um homem só, que não é um herói, é apenas um bom presidente que surge no momento em que os EUA mais precisa.

E.C.A.

Me enoja a vida acadêmica, não sou o tipo de pessoa que se adapta bem a ambientes regados por relações de interesses. Na academia os intelectuais se esforçam para atingir a erudição e consequentemente uma colocação social, dar aulas, e nunca pelo conhecimento, ou pelo prazer e desenvolver um pensamento próprio. E o que mais observo é a relação de rivalidade e inveja que cercam esse ambiente, tanto os alunos que aprendem a agir por interesse quanto os professores nas suas relações entre si e com os alunos, todos buscando criar relações para atingir determinado objetivo, que ao meu ver sempre são de moral duvidosa.
Na teoria a academia deveria desenvolver pesquisa para contribuir com a comunidade, com o país. Mas me diga quantas pesquisas realmente são de cunho prático? Professores sanguessugas é o que não falta, só pensam em dinheiro - se acham no direito ou de esnobar determinados alunos por questões pessoais, ou não trabalhar a carga horária completa, e quando você os procura pra uma orientação em pesquisa se depara com uma grande má vontade, como se não fossem pagos pra isso, se posicionando como se estivessem fazendo um favor ao aluno.
A cada dia que passa sinto mais repúdio pela academia do nosso país, pois aos poucos vou conhecendo o que há por trás de tanta ostentação e ineficiência.

Little love

Quando fico muito tempo sem preencher meu coração desenvolvo subsídios para me distrair, produzo paixonites imaginárias. E de tempos em tempos troco de amor. São eles na maioria intelectuais e artistas, que nunca ví pessoalmente e provavelmente nunca vou ver. Minha última vítima do amor platônico foi o jornalista Luís Nachibin, esse me rendeu boas viagens, mas já me envolvi com o Zeca Baleiro nos bastidores de um show; com o Obama na casa Branca; com o Axl Rose quando eu tinha 15 anos; com o Eduardo Bueno no lançamento de seu livro; o Dr. House quando tive uma obstrução intestinal; com o Bukowski em um bar de beira de estrada, dentre outros.
Então para saciar meu tempo ocioso me perco em pensamentos e construo situações que exercitam minha criatividade e aquecem meu coração, e me fazem sentir como uma garotinha idiota de 13 anos.

Bananas is my business


Há uma lenda mitológica Grega que data do começo dos tempos onde haviam seres que tinham duas cabeças, quatro braços, e quatro pés. Esses seres eram tão poderosos que os Deuses decidiram dividi-los em dois, originando assim os seres humanos. Todos ser humano tem, portanto, sua outra metade.
Meu ceticismo genuíno diz que não existem almas gêmeas. Nunca vi um casal perfeito, mesmo os duradouros e harmônicos eu consegui entender a dinâmica. Porque TODO relacionamento é uma barganha, pura troca de interesses. Há algumas trocas que são muito vantajosas, então o negócio funciona, lucra e se expande. Às vezes o lucro gerado pela troca é tanto, que já é possível fazer alguns investimentos. Temos assim o cálculo prospectivo do casal, colocando no pacote ítens adquiridos como: casamento, filhos, imóveis, viagens. Esse é o modelo de relacionamento de sucesso. Troca + investimento = lucro mútuo.
E todos nós solteiros temos que estar atentos ao mercado consumidor, nas variações cambiais, para que nossos investimentos não se desvalorizem. Lembrando sempre da lei de oferta e procura, o produto que tem muita procura, se valoriza. Produto que não gera interesse se desvaloriza no mercado.
É isso, limousine e grana suja, nada de alma gêmeas, é tudo business honey.

Você aconselharia alguém a ser escritor?


Coisa triste é descobrir que os ídolos morrem. Ando lendo muito Bukowski e descobri que o safado já morreu. Como eu gostaria de tomar uma cerveja com ele! Sei até como seria, pois tenho o dom de prever como se darão meus relacionamentos, e principalmente como vão terminar. Normalmente acerto, coisa triste isso.
Eu entraria no apartamento de fundos dele com uma garrafa de whisky nas mãos. Pararia na porta para me acostumar com a enxurrada de informação visual e o fedor, pois havia algum tempo que a empregada não aparecia. Com certeza havia ficado com raiva de alguma coisa sacana que Buk disse.
Ele ficaria puto pela visita matinal ás 13:30h, mas se sentiria satisfeito quando visse a garrafa. Nos sentaríamos, beberíamos, conversaríamos sobre literatura e política. A certa altura ele tentaria me bolinar, mas eu ficaria impassível, serena, e debochada. Ele por sua vez, insinuaria que queria que eu fosse embora, eu, como não tenho muitos escrúpulos voltaria no outro dia com outra garrafa.
Bukowski não gosta de mulheres, e eu não gosto dos homens. Nós formaríamos, portanto, uma boa dupla.

1.12.2009

.

A relação ‘dono de bolg’ x ‘blog’ é complexa, quase tão complexa quanto qualquer processo de criação. As desavenças e conflitos emergidos da distância entre o que se pretende e o que se obtém são muitos. Por isso estou com um bloqueio com meu blog, não consigo escrever. Parece-me meio ridículo, quase patético, mas nesses últimos tempos estou me controlando para não acabar com ele.