Viciei nessa série nos últimos meses. In Treatment é uma série sobre psicologia; se passa no consultório de Paul, um ótimo terapeuta, que com sua vida pessoal não consegue tanto êxito. Ótimos personagens, excelentes diálogos; uma série inteligente e interessante. Parou na segunda temporada. Estou aguardando a terceira!
Passeando pelo mundo fútil bloguer (admito que adoro fazer); olhando tendências de moda, maquiagem, beleza e afins; sempre me deparo com alguns seres que me intrigam. Criaturas que estão sempre impecáveis, nunca engordam, jamais riem ou expressam algum sentimento que se distancie muito do desprezo. Um excelente exemplo da plastificação fashion é Vic Beckham:
Ficha técnica: Participou de um grupo Pop que durou 2 Cd’s. Se casou com um famoso jogador inglês e conseguiu por conta disso se manter diante dos holofotes. Que atividades desenvolve? Nenhuma. Há pouco tempo lançou uma grife de roupas com seu nome, pois por alguma razão os americanos são fascinados por ela. Talvez por Vic ser milionária e nunca sorrir? Apresentar sempre uma aparência esquálida? Nunca ser fotografada com seus filhos? Nunca dar uma declaração minimamente relevante?
Esta é Victoria Beckham um ícone fashion! E ela te despreza.
Eu gostaria de poder me transformar em sons, notas, melodias, principalmente quando estou triste. Gostaria de desvanecer, sair pelo ar, fluida como som. Invisível despertar pessoas. Tomá-las pra mim, e ligar o Start de suas fantasias.
Eu queria ser como música. Tomar todo o espaço, ocupar o vazio e fazer tudo vibrar: mais leve, mais poética, menos problemática.
Quando estou triste, sou essa música. Tenho o som das gotas de chuva:
Tenho 43 anos e estou completamente sozinha. Irremediavelmente sozinha. Você sabe o que é isso? Ontem fui a um bar com os colegas de trabalho, lugar sujo, paredes rabiscadas, banda de rock visivelmente amadora. Cheio de garotos jovens com jeans rasgado, segurando bebidas ruins e baratas. Misturei-me a eles, estava até gostando, me sentia confortável com a familiaridade das situações, já fui adolescente, e certas coisas definitivamente não mudam. Ao final do show ofereci um drink ao guitarrista. Ele disse: ok, gatinha! Eu derreti. Fui ao apartamento dele e nós transamos. Eu havia me esquecido como era a textura de um garoto jovem; como eram firmes seus músculos, a pele lisa, os brasos fortes. Ele disse que me queria, e não há nada como ver o desejo nos olhos de um homem. Há um tipo de olhar que suga, que despedaça. Transei a noite toda com os músculos, a pele, os pelos, o suor do homem jovem. Em um colchão no chão, com guitarras em volta, roupa suja. Eu era parte daquele quarto. Eu era aquele quarto. Na manhã seguinte eu levantei fui até o banheiro e me olhei no espelho. E deus sabe que uma mulher de 43 anos não acorda radiante; maquiagem derretida, pele sem viço. Necessitava urgente de um café forte pra lembrar quem sou eu. Não precisou de tanto, me virei e dei de cara com uma toalha dos Power Rangers. Assustada, disse a mim mesma: você tem idade pra ser mãe dele! Fui embora antes dele acordar. Espero que ele tenha achado que eu fui apenas uma miragem. Naquela noite eu realmente fui apenas uma miragem.
Ando por vários lugares, me relacionando com várias pessoas. Tenho metas a cumprir, datas, métodos para executar, horários, mas ando esquecendo de me freqüentar. Quando deito minha cabeça no travesseiro passo e repasso todos os fatos ocorridos e calculo tudo que poderá acontecer. Fico como uma aranha preguiçosa tecendo teias e mais teias de fatos e acontecimentos e me esqueço de dormir.
Não é fácil manter compromissos, principalmente os compromissos comigo mesma, esses são os primeiros que eu abandono. Não lembro a última vez que fui ao cinema, não leio romances desde o começo do ano, vejo pouco minhas amigas, perdi o prazer de comprar e fazer roupas, há meses mantenho minhas unhas curtas e sem esmalte. Abandonei meus rituais preferidos.
Este blog é uma das partes da minha vida que mais gosto, mas estou sendo negligente até mesmo com ele. Por isso decidi colocar minha vida no lugar aos poucos, e tentar conciliar meus prazeres com meus deveres. E até lá estarei oficialmente de férias do blog. Quanto tempo vai durar? Não sei. Vou tentar ser breve, pois ficarei com saudades. Mas estou feliz de tirar mais um assunto da minha teia à noite. Até mais blog!