Marisa costuma pensar em como ficaria a vida das pessoas se ela morresse. Já pensou várias vezes em acabar com a própria vida, é assim que se refere ao ato, a palavra suicídio lhe parece demasiado vulgar, já foi tão utilizada que quase perdeu o sentido.
Acabaria com sua vida por meio de remédios ou substâncias relaxantes, morrer não deve ser algo fácil então que a química de seu corpo ajude no desenrolar do ato. A vantagem seria o corpo intacto e o semblante sereno, para que todos em volta do caixão se perguntem: Ela parece tão serena, por que cometeu tal ato?
Ela sabe que o suicídio é a forma de morte que mais mexe com as pessoas. Todo mundo sente ou sentiu vontade de acabar com a própria vida em algum momento, mas a moral proíbe a todos de ter vontade de morrer, como se querer viver fosse uma escolha óbvia. Continuar vivendo é uma escolha cotidiana e difícil.
O que detém Marisa é pensar nas pessoas que a amam, como seria difícil pra sua avó lidar com uma perda dessas, sendo que sua sanidade já está por demais abalada. E sua melhor amiga? Que ela sabe que conta com ela para atravessar os momentos difíceis da vida. Como abandonar essas pessoas?
Marisa conclui que o suicídio não é um basta, é mais uma escolha que irá interferir na vida de todos que ela se importa. Todos teriam que lidar com sua ausência, que seria para alguns mais forte que sua presença. Morrer é escolher uma saída egoísta. E o que ela queria agora é apenas se desligar, sumir, e nunca ter existido. Mas pra isso não há escolha.



