3.31.2011

Marisa não quer mais.

Marisa costuma pensar em como ficaria a vida das pessoas se ela morresse. Já pensou várias vezes em acabar com a própria vida, é assim que se refere ao ato, a palavra suicídio lhe parece demasiado vulgar, já foi tão utilizada que quase perdeu o sentido.

Acabaria com sua vida por meio de remédios ou substâncias relaxantes, morrer não deve ser algo fácil então que a química de seu corpo ajude no desenrolar do ato. A vantagem seria o corpo intacto e o semblante sereno, para que todos em volta do caixão se perguntem: Ela parece tão serena, por que cometeu tal ato?

Ela sabe que o suicídio é a forma de morte que mais mexe com as pessoas. Todo mundo sente ou sentiu vontade de acabar com a própria vida em algum momento, mas a moral proíbe a todos de ter vontade de morrer, como se querer viver fosse uma escolha óbvia. Continuar vivendo é uma escolha cotidiana e difícil.

O que detém Marisa é pensar nas pessoas que a amam, como seria difícil pra sua avó lidar com uma perda dessas, sendo que sua sanidade já está por demais abalada. E sua melhor amiga? Que ela sabe que conta com ela para atravessar os momentos difíceis da vida. Como abandonar essas pessoas?

Marisa conclui que o suicídio não é um basta, é mais uma escolha que irá interferir na vida de todos que ela se importa. Todos teriam que lidar com sua ausência, que seria para alguns mais forte que sua presença. Morrer é escolher uma saída egoísta. E o que ela queria agora é apenas se desligar, sumir, e nunca ter existido. Mas pra isso não há escolha.

Sou ateia e tenho amor no coração


Eu não acredito na existência de Deus. Deixei de acreditar já faz alguns anos, infelizmente não nasci ateia, mas depois de muito estudar, pensar, e discutir religião, fui abandonando aos poucos minha antiga religião até que assumi pra mim de vez que Deus não existe. O que é a coisa mais óbvia que se pode pensar a esse respeito. Custei mais consegui.

Por ter passado muitos anos da minha vida como teísta entendo o porquê das pessoas acreditarem em Deus; ele consola. E num país onde a maioria das pessoas não tem seus direitos resguardados, não podem realizar seus sonhos, esbarram a vida toda com impossibilidades, é de se esperar que todos abracem com fé as religiões.

O que não pode acontecer é a falta de respeito com o que o outro acredita, a chamada intolerância religiosa. E falo com segurança que as pessoas que mais sofrem com isso nesse país são os ateus. São poucos os que respeitam a nossa posição, e normalmente ficam ofendidos quando descobrem nossa opinião, e se sentem no direito de ofender. Quando isso acontece tenho certeza que aquela pessoa não tem tanta certeza em sua fé, para se sentir tão abalada com a diferença. E minha postura é parar de discutir antes mesmo de começar, pois não quero ‘doutrinar’ ‘converter’ ninguém! Só quero ser respeitada no meu direito de acreditar no que eu quiser!

No meu trabalho enfrento o problema do meu superior ser muito religioso, e desde que descobriu meu ateísmo mudou comigo; hoje fica desconfortável na minha presença, evita falar comigo, e sempre que pode puxa algum assunto sobre “Deus” quando eu estou por perto. O que dizer sobre isso?

Esse tipo de coisa me irrita? Sim. A ponto d’eu ficar com raiva e querer mudar de emprego? Não, porque meu ateísmo é algo que incomoda a ele e não a mim, e quem tem que se aver com isso é ele, não eu.

Ele não é o único nem vai ser o último a agir assim comigo. Só deixo aqui o registro do meu desejo de que um dia seja possível nesse mundo as pessoas respeitarem as diferenças, sem querer mudar, incomodar, ou matar ninguém que pense diferente de você.

Amém.

2.22.2011

Pariu, cuspiu, expeliu...

(Tereza - Mãe - Nasceu – Saiu – Disse não - Partiu – Fudeu - Amou - Traiu – Cresceu - Vingou – Viveu ... e depois nada aconteceu)

Aos poucos

Sinto que o tempo passou,
e me veio esse desejo de reclamar
mas o ciclo das coisas me avisou,
que tudo iria acabar,

Cansei de tentar entender
E motivos já deixaram de me importar
Agora que o espelho se quebrou
tenho só que reinventar

na imagem que um dia vi
do que realmente sou
Sem parâmetro para cotejar
O fim que quero criar

e constato abismada,
Eu que achava que queria tudo da vida,
agora percebo que só queria meu nada.

Sou obrigada

Falta-me vaselina social, aquele sorrisinho providencial na hora que me der vontade de mandar ir a merda, a calma necessária para esperar o tempo da estupidez alheia se dissipar, aquela respirada crucial. A fluidez necessária pra passar pelas nesgas anais do dia a dia.


Meus livros de cabeceira:

Freud e a mulher – Paul-Laurent Assoun
A mulher - Kalimeros
O que quer uma mulher – Sergie Andre
Questão de gênero – Judith Butler

Dou um doce a quem adivinhar o que pesquiso.

O tornar-se mulher não é fácil e algumas nem chegam perto de conseguir.
Já que não me ensinaram como ser Ela, vou tentando descobrir.

Não lembro por quê escrevi.

Aos poucos, vamos nos tornando tempo, o amor é tempo, as relações é tempo, o vazio é tempo. Tempo em excesso se torna nada. Sinto um grande vazio nos distanciando, um buraco negro que engole a cada minuto minha juventude, e já percebo os arranhões do tempo na minha pele. A amargura se instalando em substituição das fantasias que o tempo se alimenta.
Sinto uma profunda nostalgia do que não vivi, uma saudade besta de alguma coisa que se perdeu.
Ficar sozinha trás uma paz angustiante que quero evitar a qualquer custo, sou capaz de me engolir, necessito do seu olhar. Não me vejo sem você, me falta o corpo, só tenho alma.