Aproveitando a revolta vintage...
Já pretendia há algum tempo escrever sobre as séries que assisto. Sou viciada em séries, nem mesmo acaba uma e já estou escolhendo a próxima. Assisto principalmente as americanas que são mais fácies de encontrar, e melhor produzidas. Mas sou bastante eclética.
Por conta disso tenho assistido cada vez menos filmes, só vejo quando vou ao cinema mesmo. Sem querer ser advogada do diabo, mas acho mais divertido ver séries, pois a história é contada mais devagar e com mais detalhes, dá pra curtir mais os personagens, e não toma muito tempo, de 30 a 40 minutos você vê um episódio. Lógico que não substitui um bom filme, mas é uma ótima diversão.
A primeira que quero falar é meu último amor: Mad Men.
A série se passa na década de 60, e tem como foco uma das agências publicitárias da Madison Avenue (mad men quer dizer: homens da Madison). A série tem como fundo a criação do “american way of life”, ela mostra como aos poucos esses homens foram padronizando e influenciando o comportamento de consumo do pós guerra.
A série é um drama, mas não tem grandes reviravoltas e emoções, a base da história são os relacionamos (inter-)pessoais dos personagens. Aos poucos a história vai traçando os contornos sociais muito estritos da época; a forma com que as mulheres eram tratadas, e o que se esperava dela; os gays; os negros; e a relação de trabalho e amizade. É impressionante ver como o racismo e machismo eram descarados na época.
O personagem principal é Don casado com Betty (o nome não poderia ser melhor).
A vida de Don se resume a agência, um pouco a família e os vários casos extra conjugais. Don se aventura com várias mulheres, se relaciona, mas o que mais me surpreende é ele não conseguir traspor a barreira do SER daquelas mulheres. Ele está lá, faz sexo, as beija e é interessante e interessado, mas tudo isso imerso numa frieza e distância assustadoras. Ele não as TÊM de verdade, não consegue ou não quer se aproximar de verdade. E tudo fica assim meio suspenso em sua vida, nada é forte ou sólido o bastante, tudo flutua.
Betty é um show a parte! Linda, bem nascida, educada, teve a sorte de casar com um homem bem colocado socialmente e teve dois filhos. Em resumo Betty tem a vida ideal pra uma mulher na época, mas ele percebe o que 90% das mulheres já sabem, isso não é o bastante. O vazio de sua vida é quase palpável, e aos poucos ela vai se distanciando de Don e se tornando uma mulher sozinha e amarga. Da princesa linda e fina ela vai se tornando insuportável e amarga.
Há outros personagens interessantes como Peggy, mas essa eu deixo para ser surpresa.
É bom ficar atento com o estudo de comportamento humano que é possível fazer a partir dessa história, mas além disso a parte técnica é incrível, a produção é impecável, nem os copos escapam a ser “a cara” da década de 60. O jeito de falar, se comportar, tudo é muito bem dirigido. Os atores dão conta do recado, e pra quem ainda tiver dúvidas faça uma busca e descubra a quantidade de prêmios que a série já ganhou.
PS: Se você não gosta de ver pessoas fumando, desista. Não há uma cena que não tenha um cigarro aceso.
Recomendo!