9.22.2010
9.21.2010
A mulher perdigueira
Como se fosse um crime desejar alguém com toda intensidade. Ela não deveria confessar o que pensa ou exigir mais romance. Tem que se controlar, fingir que não está incomodada, mentir que não ficou machucada por alguma grosseria, omitir que não viu a cantada do seu parceiro para outra.
Ela é vista como uma figura perigosa. Não pode criar saudade das banalidades, extrapolar a cota de telefonemas e perguntas. É condenada a se desculpar pelo excesso de cuidado. Pedir perdão pelo ciúme, pelo descontrole, pela insistência de sua boca.
Exige-se que seja educada. Ora, só o morto é educado.
O homem inventou de discriminá-la. Em nome do futebol. Para honrar a saída com os amigos. Para proteger suas manias. Diz que não quer uma mulher o perseguindo. Que procura uma figura submissa e controlada que não pegue no seu pé
Eu quero uma mulher segurando meus dois pés. Porque amar não é vexame, escandalo mesmo é a indiferença.
Autor: Fabricio Carpinejar
8.29.2010
Meu divã
Sinto uma estranheza inquietante como se o que sou hoje fosse um emaranhado de conseqüências que não contive. E agora olho pra mim assustada como resultado de todos os reflexos e desejos que ignorei. Há algo em mim que não é meu.
Meu reflexo no espelho me diz que parei em algum ponto entre a adolescência e a vida adulta, e meu divã me diz que nem saí da infância. Parei há muito tempo, e agora sou um amontoado de carne que sente o que quer, faz o que quer, totalmente sem controle. Algo em mim se quebrou.
Como conviver com o furo que me constitui? Se a partir desse furo saem de mim todos os males. Pandora tenta capturá-los enquanto eu tento recuperar ao menos a esperança. E de todos os males que me afligem a alma, o pior é ter sanidade para perceber que perco não só a esperança como meu amor.
8.12.2010
7.26.2010
7.10.2010
Coleção de desejos
“Procura-se mulher fálica, autoritária e dominadora, para relacionamento desgastante e doloroso.”
“Procura-se homem com poucas manias, poucos desejos, poucas esperanças, e muitas fantasias.”
“Procura-se pessoa carente, triste e desiludida para exploração emocional.”
“Procura-se homem mais velho, para amizade ou paternidade.”
“Procura-se um milhão de metros quadrados de conforto e comodidade.”
“Procura-se pessoa bissexual para aventuras irresponsáveis, para fins de mascarar o sofrimento.”
“Procura-se roupa que quando sobre a pele modifique o interior.”
“Procura-se o batom vermelho perfeito que impeça o envelhecimento e a morte.”
“Procura-se alguma coisa pra sempre, e uma pessoa que nunca erre.”
“Procura-se o livro de regras do jogo da vida.”
7.02.2010
V
6.26.2010
No divã da tia Rafa
Tenho uma pena especial dos neuróticos obsessivos, eles são sado-masoquistas por excelência. E toda possível experiência de prazer ele: foge, posterga, esquiva e gera culpa a partir disso (culpa = autoestima baixa). “O sadismo consiste em violência em exercício de poder contra outra pessoa, que é tida como objeto”, “masoquismo é um sadismo voltado contra o próprio eu, utilizando a outra pessoa como Sujeito” FREUD.
Isso faz parte do desenvolvimento do neurótico obsessivo, que recalca lembranças (fantasiosas ou não) traumáticas cheias de afeto em determinado momento (relacionada ao complexo de Édipo).O neurótico obsessivo é aquele que concluiu muito bem seu Édipo. É o homem que tem adoração pela mãe, por exemplo. Aquele que fantasia tanto a sua progenitora que nem consegue descrevê-la com coerência, e muito menos se opor a ela. O “bom filho”.
A energia recalcada em determinado momento volta-se para o sujeito, então o próprio eu do sujeito se torna um objeto a ser torturado (masoquismo). O obsessivo produz essa defesa por deslocamento (diferente da histérica), o afeto é ligado a outras representações psíquicas que não a do trauma. O sujeito se inflige dor (olha a culpa aí), lembrando que todo sintoma carregava uma dose de satisfação. Esse conflito psíquico exprime-se por sintomas chamados de compulsivos: idéias obsedantes, compulsão a realizar atos indesejáveis, luta contra esses pensamentos e estas tendências, ritos conjuratórios, que refletem diretamente no corpo do indivíduo, em atitudes voluntárias ou involuntárias. È a ruminação mental, que gera todo tipo de comportamento, que circunda o trauma, mas nunca o encara de frente.
Agora, fuja se caso o obsessivo dirigir a hostilidade que ele investia sobre si para você. Temos a fase sádica do obsessivo, que pode ser tão cruel com o outro como é cruel consigo mesmo. E como bom neurótico, irá sempre fantasiar em cima de fatos e acontecimentos, montando e manipulando a ‘realidade’ como bem entender.
O obsessivo tende a se submeter, ele sempre vai eleger um objeto e se submeter a ele, um objeto de amor, ou de admiração. E é nesse momento que sua natureza masoquista fica mais evidente.
A vida do obsessivo será sempre cíclica, e ele se virá cometendo sempre os mesmos erros, fazendo as mesmas escolhas. E estará sempre as voltas com o amor e ódio diante do objeto de amor.
Pobres neuróticos obsessivos. Aposentei-me deles.











