3.31.2011

Ai... o amor!


Outro dia vi um filme singelo na TV, sobre o relacionamento de um casal na terceira idade, chama-se Elsa e Fred. Achei a coisa mais honesta que vi nos últimos tempos, acredito que depois da maturidade as pessoas aprendem a aproveitar mais o que realmente importa nos relacionamentos. Sem rodeios, sem frescuras, sem convenções babacas. E me parece que o melhor é a paixão, e o bem que um pode fazer ao outro, nada mais.

Em um momento Fred é surpreendido no banho por sua filha que estava preocupada com esse novo amor de seu pai. Ela olha então dentro do vaso sanitário e vê que seu pai jogou todos os remédios fora, e quando questiona ele porquê fez isso, e que temia pela sua saúde ele diz: Porque quero viver.

Será que terei o privilégio de amar na terceira idade?

O que eu acho da educação: (parte I)


São tantos problemas que nem sei por onde começar. Costumo dizer que para tentar um conserto no sistema educacional nesse país deveríamos parar tudo durante um ano, reestruturar todas as escolas, (re)selecionar e treinar todos os funcionários, reformular absolutamente tudo, e ai recomeçar. Porque do jeito que está não tem mais conserto (jeitinho).

Nossa estrutura educacional é baseada num modelo inventado do século XIX! O pacote: sala de aula + vários alunos+ conteúdo (sub)dividido em disciplinas+ avaliação bimestral por provas+ castigos e suspensões + alunos sentados em fileiras + uniforme + notas + recuperação... Desculpem os idealistas, mas nada disso funciona.

A primeira coisa em comum nas escolas (ensino público ou privado) que me incomoda é a fragmentação do horário. O aluno começa o dia assistindo uma aula de 50 minutos de matemática sobre equações, depois vai pra biologia com células, depois português com gramática, e assim vai a manhã toda ficando todo esse conteúdo desconectado na cabeça. Lógico que os alunos mais corajosos perguntam: Por que preciso saber isso? E o que responder?

Uma matéria não conversa com a outra, um conteúdo não se entrelaça ao outro, e nada disso tem aver com o cotidiano deles. E em 50 minutos não dá tempo! Sinto na maioria das vezes que quando consigo um ritmo bom com a turma bate o sinal e meu trabalho é perdido. A culpa é de quem?

Primeiro da falta de interesse da equipe pedagógica da escola em dar preferência em montar a grade com aulas geminadas. Assim o aluno teria 2 ou no máximo 3 matérias por dia. Isso ajudaria muito a diminuir o peso do material que eles têm que carregar (armários pra eles seria um sonho), e ajudaria ainda mais na absorção dos conteúdos. E por que os professores não se esforçam pra interligar os conteúdos? A famosa interdisciplinaridade que está na moda!

Primeiro porque somos reféns dos vestibulares e CBN’s (Currículo Básico Nacional), que nos impões uma monstruosidade de conteúdos e detalhes que devem ser passados aos alunos nos obrigando a correr com a matéria e perder em criatividade e qualidade. Segundo a falta de tempo e interesse dos professores, a maioria dá cerca de 35 a 40 aulas por semana!! (isso é um absurdo) para poderem ganhar o necessário para viver, já que o salário não é dos melhores como todo mundo sabe. Imaginem o cansaço que é entrar e sair de 10 aulas seguidas durante 4 dias?! (Só dá pra saber como é fazendo). Como buscar, idealizar, planejar conteúdos mais dinâmicos e construtivos para os alunos tendo que trabalhar tanto?! O cansaço faz qualquer um querer ir embora pra casa rápido, principalmente final de ano.

Marisa não quer mais.

Marisa costuma pensar em como ficaria a vida das pessoas se ela morresse. Já pensou várias vezes em acabar com a própria vida, é assim que se refere ao ato, a palavra suicídio lhe parece demasiado vulgar, já foi tão utilizada que quase perdeu o sentido.

Acabaria com sua vida por meio de remédios ou substâncias relaxantes, morrer não deve ser algo fácil então que a química de seu corpo ajude no desenrolar do ato. A vantagem seria o corpo intacto e o semblante sereno, para que todos em volta do caixão se perguntem: Ela parece tão serena, por que cometeu tal ato?

Ela sabe que o suicídio é a forma de morte que mais mexe com as pessoas. Todo mundo sente ou sentiu vontade de acabar com a própria vida em algum momento, mas a moral proíbe a todos de ter vontade de morrer, como se querer viver fosse uma escolha óbvia. Continuar vivendo é uma escolha cotidiana e difícil.

O que detém Marisa é pensar nas pessoas que a amam, como seria difícil pra sua avó lidar com uma perda dessas, sendo que sua sanidade já está por demais abalada. E sua melhor amiga? Que ela sabe que conta com ela para atravessar os momentos difíceis da vida. Como abandonar essas pessoas?

Marisa conclui que o suicídio não é um basta, é mais uma escolha que irá interferir na vida de todos que ela se importa. Todos teriam que lidar com sua ausência, que seria para alguns mais forte que sua presença. Morrer é escolher uma saída egoísta. E o que ela queria agora é apenas se desligar, sumir, e nunca ter existido. Mas pra isso não há escolha.

Sou ateia e tenho amor no coração


Eu não acredito na existência de Deus. Deixei de acreditar já faz alguns anos, infelizmente não nasci ateia, mas depois de muito estudar, pensar, e discutir religião, fui abandonando aos poucos minha antiga religião até que assumi pra mim de vez que Deus não existe. O que é a coisa mais óbvia que se pode pensar a esse respeito. Custei mais consegui.

Por ter passado muitos anos da minha vida como teísta entendo o porquê das pessoas acreditarem em Deus; ele consola. E num país onde a maioria das pessoas não tem seus direitos resguardados, não podem realizar seus sonhos, esbarram a vida toda com impossibilidades, é de se esperar que todos abracem com fé as religiões.

O que não pode acontecer é a falta de respeito com o que o outro acredita, a chamada intolerância religiosa. E falo com segurança que as pessoas que mais sofrem com isso nesse país são os ateus. São poucos os que respeitam a nossa posição, e normalmente ficam ofendidos quando descobrem nossa opinião, e se sentem no direito de ofender. Quando isso acontece tenho certeza que aquela pessoa não tem tanta certeza em sua fé, para se sentir tão abalada com a diferença. E minha postura é parar de discutir antes mesmo de começar, pois não quero ‘doutrinar’ ‘converter’ ninguém! Só quero ser respeitada no meu direito de acreditar no que eu quiser!

No meu trabalho enfrento o problema do meu superior ser muito religioso, e desde que descobriu meu ateísmo mudou comigo; hoje fica desconfortável na minha presença, evita falar comigo, e sempre que pode puxa algum assunto sobre “Deus” quando eu estou por perto. O que dizer sobre isso?

Esse tipo de coisa me irrita? Sim. A ponto d’eu ficar com raiva e querer mudar de emprego? Não, porque meu ateísmo é algo que incomoda a ele e não a mim, e quem tem que se aver com isso é ele, não eu.

Ele não é o único nem vai ser o último a agir assim comigo. Só deixo aqui o registro do meu desejo de que um dia seja possível nesse mundo as pessoas respeitarem as diferenças, sem querer mudar, incomodar, ou matar ninguém que pense diferente de você.

Amém.

2.22.2011

Pariu, cuspiu, expeliu...

(Tereza - Mãe - Nasceu – Saiu – Disse não - Partiu – Fudeu - Amou - Traiu – Cresceu - Vingou – Viveu ... e depois nada aconteceu)

Aos poucos

Sinto que o tempo passou,
e me veio esse desejo de reclamar
mas o ciclo das coisas me avisou,
que tudo iria acabar,

Cansei de tentar entender
E motivos já deixaram de me importar
Agora que o espelho se quebrou
tenho só que reinventar

na imagem que um dia vi
do que realmente sou
Sem parâmetro para cotejar
O fim que quero criar

e constato abismada,
Eu que achava que queria tudo da vida,
agora percebo que só queria meu nada.