8.11.2008

Estudos sobre fotografia.

(Estou lendo um livro sobre fotografia e senti vontade de organizar meu raciocínio. Estão aqui algumas considerações feitas por mim, uma pseudo-fotógrafa)
A caverna de Platão e a relação com a realidade faz-me tecer uma relação com a fotografia, que se compara a essa busca frustrada pela realidade. A fotografia modificou a realidade, a partir do modernismo, essa realidade (dentro da caverna) propõe novos conteúdos para serem vistos, e mais, observados. A fotografia é um fragmento do mundo. Miniatura de uma realidade. Ela é a técnica que mais se relaciona com a realidade visível.
Imagens que idealizam, como fotografias de moda, não são menos agressivas que as fotografias que valorizam a depressão. Existe sempre um conteúdo de agressividade implícito em qualquer utilização da câmera. Para Diane Arbus, o ato de fotografar era feio, ruim, e isso a interessava. O fotografo pode ser considerado um ser perverso, pois ele se distancia de seu modelo e lança sobre ele apenas um olhar desfragmentado pelo meio técnico fotográfico, não há entre ele e o modelo um relação mais abrasada como há na pintura por exemplo. O ato de fotografar pode ser considerado um ato violento. Podemos perceber, portanto um lado fetichista no ato de fotografar, e ser fotografado. Fotografar é um ato de não intervenção, voyeurismo puro.
A fotografia é um instrumento de poder, tanto do fotógrafo que detém o poder de congelar o tempo, a imagem, quanto o objeto fotografado que se torna imortal. A fotografia sempre foi considerada um bem de luxo. O evento ou pessoa fotografada se torna eterno, por isso é tão importante fotografar-se durante a vida, principalmente crianças. O fato fotografado também se valoriza, e o evento que é registrado por meio de foto sobrevive para sempre, e isso dá um peso e importância histórica que nenhum outro meio dá.
Podemos dizer que hoje estamos mergulhados em um consumismo estético acentuado, provocado pela utilização muitas vezes agressiva da imagem, somos viciados em imagem, sofremos uma poluição imagética mental. Esse fenômeno torna claro o prazer erótico contido na fotografia tanto de quem a tira quanto de quem a observa.
Hoje em dia tudo que existe, existe para começar ou terminar em uma fotografia.

1 comment:

Cláudia I, Vetter said...

Gostei de tua (des)ordem.

;)