2.22.2011

Meus livros de cabeceira:

Freud e a mulher – Paul-Laurent Assoun
A mulher - Kalimeros
O que quer uma mulher – Sergie Andre
Questão de gênero – Judith Butler

Dou um doce a quem adivinhar o que pesquiso.

O tornar-se mulher não é fácil e algumas nem chegam perto de conseguir.
Já que não me ensinaram como ser Ela, vou tentando descobrir.

Não lembro por quê escrevi.

Aos poucos, vamos nos tornando tempo, o amor é tempo, as relações é tempo, o vazio é tempo. Tempo em excesso se torna nada. Sinto um grande vazio nos distanciando, um buraco negro que engole a cada minuto minha juventude, e já percebo os arranhões do tempo na minha pele. A amargura se instalando em substituição das fantasias que o tempo se alimenta.
Sinto uma profunda nostalgia do que não vivi, uma saudade besta de alguma coisa que se perdeu.
Ficar sozinha trás uma paz angustiante que quero evitar a qualquer custo, sou capaz de me engolir, necessito do seu olhar. Não me vejo sem você, me falta o corpo, só tenho alma.

12.29.2010

Muito Pouco

Composição: moska

Pronto
Agora que voltou tudo ao normal
Talvez você consiga ser menos rei
E um pouco mais real
Esqueça
As horas nunca andam para trás
Todo dia é dia de aprender um pouco
Do muito que a vida traz.

Mas muito pra mim é tão pouco
E pouco é um pouco demais
Viver tá me deixando louca
Não sei mais do que sou capaz
Gritando pra não ficar rouca
Em guerra lutando por paz
Muito pra mim é tão pouco
E pouco eu não quero mais

Chega!
Não me condene pelo seu penar
Pesos e medidas não servem
Pra ninguém poder nos comparar
Porque
Eu não pertenço ao mesmo lugar
Em que você se afunda tão raso
Não dá nem pra tentar te salvar

Porque muito pra mim é tão pouco
E pouco é um pouco demais
Viver tá me deixando louca
Não sei mais do que sou capaz
Gritando pra não ficar rouca
Em guerra lutando por paz
Muito pra mim é tão pouco
E pouco eu não quero ...

...veja
A qualidade está inferior
E não é a quantidade que faz
A estrutura de um grande amor
Simplesmente seja
O que você julgar ser o melhor
Mas lembre-se que tudo que começa com muito
Pode acabar muito pior

E muito pra mim é tão pouco
E pouco é um pouco demais
Viver tá me deixando louca
Não sei mais do que sou capaz
Gritando pra não ficar rouca
Em guerra lutando por paz
Muito pra mim é tão pouco
E pouco eu não quero mais
Pouco eu não quero mais.
Pouco eu não quero mais.

11.14.2010

O príncipe enfeitiçado


O príncipe estava enfeitiçado, e de sua boca saía todo tipo de animal peçonhento, a cada espirro várias moscas soltavam-se pelo ar diretamente de seu nariz. Toda vez que o belo príncipe tentava falar, no lugar das vogais e consoantes saíam sapos e cobras de sua boca. Esses animais saíam pelo reino e mordiam, picavam a população, alguns óbitos já haviam ocorrido. E o príncipe do alto de sua realeza obrigava a todos os súditos a o acudirem tentando parar o surto de todas as formas, uns rezavam, uns gritavam, outros catavam os animais, mas as cobras e lagartos não paravam de sair de suas entranhas. Até mesmo a feiticeira da corte foi chamada para acudir a situação, que a essa altura já estava fora de controle, os animeis espalhados por todo o castelo se juntando em casais e procriando em cantinhos do trono.

A feiticeira chegou meia noite se sentou num canto e observou o belo príncipe regurgitar uma série de sapos, cobras, escorpiões, baratas e lagartos, contorcendo-se de dor. A feiticeira sem dizer uma palavra observou, e com o badalar dos sinos, sinalizando a terceira hora da madrugada ela pegou seu punhal se aproximou do príncipe que estava deitado no chão já fraco, pegou sua cabeça cuidadosamente agarrou seus belos cabelos loiros, puxou sua língua e a cortou. Acabaram os animais.

Quem és tú? I

A delicada e misteriosa Alice me chamou para um conversa regada a chá. Sentei-me a sua frente e fitei seu grades olhos ingênuos e sorridentes, nunca me deixei enganar pela ingenuidade de olhares, dos mais doces é que saem as maiores surpresas. De dedos fininhos e muito brancos ela me passou delicadamente a xicara, o pires, e serviu o chá com um movimento de pulso e muita agilidade como quem quisesse seduzir, lembrou-me as antigas gueixas que dominavam a arte da sedução em pequenos gestos.

O chá servido Alice se reclinou e sorveu o conteúdo quente da xicara fechando os olhos com imenso prazer, fiz o mesmo e me surpreendi com o sabor nunca antes experimentado por mim. E perguntei: Do que é o chá?

Ela disse: camaleão. Calei-me.

Ao longe escuto vozes de um grupo que passa, mas envolto a uma neblina, não vejo ao certo quem sã. Pergunto a Alice, quem são eles? E ela diz: É tudo gente morta. Nesse momento me dou conta que provavelmente estou morta também e que aquela pequena garota de cachos loiros talvez seja minha companhia para a eternidade. Não me lembro o que houve antes daquele momento, e o que haverá de vir não me importa. Estava por demasiado interessada naquela pequena menina que tomava chá e comia biscoitos de forma tão despreocupada. Perguntei, por que estamos aqui? E ela retrucou: depende, quem és tu? E essa pergunta me tomou por completo, como se um vento frio entrasse pelos meus dedos e percorressem meu corpo fugindo pelo topo da cabeça. Não sei quem sou eu, e se não sei quem eu sou provavelmente não saberei o que faço, e por quê. E o vazio e infinito de possibilidades quando não se sabe quem é me deixou tonta, larguei a xícara.

Quem és tú? II


Fechei os olhos demoradamente e quando abri me dei conta que ao longe no outro lado da longa mesa havia alguém que dormia com a cabeça quase toda dentro do chapéu. Perguntei a Alice quem era esse que sentava-se conosco, ela disse que era o Chapeleiro. Ao ouvir seu nome a figura do outro lado da mesa acorda num sobressalto e começa a manipular as loiças e bules automaticamente com a cabeça ainda dentro do chapéu. As mãos nervosas passeiam cegamente pela mesa procurando os apetrechos para servir o chá. Boa parte da porcelana cai e se quebra gerando um barulho ensurdecedor, mas nem Alice nem Chapeleiro parecem se preocupar. Por fim ele encontra um bule quase cheio e enche um pires de chá e o toma pelo canto cuidadosamente. Observo a cena embriagada com aquela figura que suga o conteúdo do pires de forma barulhenta e ao final diz: Vejo-te. Pulei na cadeira de susto.
Pergunto então: Como pode me ver se está com os olhos tampados? Ele para, reclina a cabeça, e repete com mais convicção: Vejo-te. Não duvido que me veja, mas sei que o que via estava distorcido pelas bordas do chapéu, e pela impressão do que estava vendo. Quando se olha por dentro do chapéu, pode-se ver qualquer coisa. Vê o que quiser.

10.16.2010

Paixão

Vi uma série de historias nos últimos tempos, entre séries e filmes, e me dei conta que o tema principal de todos eles é a paixão. Sentir-se apaixonado é o melhor dos sofrimentos. Estar na presença de quem se ama e sentir a retribuição da ternura, o carinho, o cuidado, o afeto. O amor é egoísta e busca sua satisfação, estar apaixonado de forma madura é incognoscível. Quem ama quer ser amado na mesma medida ou mais, como uma sede. E nada mais devastador que a indiferença do objeto de amor. Ansiar por um olhar e ele nunca vir, é a espera mais eterna que pode existir.

Carta ao homem da minha vida

A sensação mais estranha que uma pessoa pode sentir é saudade de algo que não aconteceu. Uma nostalgia de um passado que deveria ter acontecido. Sinto saudade de tudo que não fizemos, de todos os abraços, e passeios, e conversas noite adentro que não ocorreram.
Aos poucos vamos nos tornando tempo, o amor é tempo, as relações é tempo, o vazio é tempo. Tempo em excesso se torna nada. Sinto um grande vazio nos distanciando, um buraco negro que engole a cada minuto minha juventude, e já percebo os arranhões do tempo na minha pele, a amargura se instalando em substituição das fantasias que o tempo se alimenta.
Sinto uma profunda nostalgia do que não vivi, uma saudade besta de alguma coisa que se perdeu.
Ficar sozinha trás uma paz angustiante que quero evitar a qualquer custo, sou capaz de me engolir, necessito do seu olhar. Não me vejo sem você, me falta o corpo, só tenho alma.
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