5.28.2011

Brega?

São tão bonitos, os franceses. Também os há feios. Mas falam francês.

Nota de esclarecimento: o homem da minha vida é francês. Mas terá de ser um francês que se contente com uma brasileira, pois tenho pra mim que as francesas são as mais lindas do mundo. Pelo menos são as únicas que usam franja sem parecerem paquitas.

Tempo

O que mais sinto falta na infância era quando falávamos com toda certeza: “vamos ser amigas para sempre”, “se você se mudar irei sempre à sua casa”, “sempre vou gostar de você”, e isso era real, verdadeiro. Cada palavra proferida tinha peso de profecia. Só na infância as coisas duram para sempre.

Tive um amor infantil pelo vizinho do final da rua, nunca soube seu nome, mas me recordo bem que foi o primeiro homem que vi sem camisa na vida. Ele era alto, robusto, musculoso, tinha os cabelos claros, cacheados e um pouco compridos. Ficava conversando com mais meia dúzia de homens em frente de sua casa todo final de tarde, sempre sem camisa exibindo seus músculos. E eu menina passava e não conseguia desgrudar os olhos dele. Eu procurava desculpas para ter que passar pela esquina, em frente sua casa, quando ele estava aos papos com seus amigos, só pelo prazer de ver ele de perto. Era realmente um homem bonito, e nem notava minha presença. Sei que me apaixonei por ele, e foi do melhor tipo de paixão, a que fica só na fantasia. Saudade de quando isso bastava.

Metamorfose Retrógrada

(metamorfose - Escher)

O incomodo me tomou já faz algum tempo. Uma sensação estranha de que tudo está fora do lugar. Um olhar de catarata sobre o mundo, tudo fora de foco. As incertezas permeiam essa época, como se cada passo pudesse ser um último e um grande abismo me aguardasse em baixo dos meus pés. Espero o pior.

Procuro alento nos travesseiros e cobertas que me acolhem, e o sonho passa a ser mais real que a minha vida. É nos sonhos que o ideal se torna realidade, e por alguns segundos pode-se tocar o que não se tem coragem de desejar.

Durmo horas a fio, acordo e desejo ainda estar dormindo. Já não me importa o resto, a sobra, o entorno, pois sei que esse mundo não é meu. Esses olhos não são meus, essa boca não é minha, os cabelos que me caem desajeitados pelos ombros... É tudo tão estranho. E quando me olho no espelho parece que a qualquer momento vou romper minha própria pele e me libertar.

O entorno me engole. Os olhares me engolem.

A vida.

Séries que recomendo: Mildred Pierce

Ainda no estilo vintage:
É uma história antiga, é originalmente um livro, já foi gravada algumas vezes. Recomendo a mini-série da HBO de 5 capítulos, estrelando Kate Winslet. È uma série extremamente bem produzida, bem escrita e interpretada.

Mildred Pierce é uma mulher que separada do marido na década de 30 (fato incomum para época), e se vê numa situação financeira difícil. Para sustentar as 2 filhas e sobreviver arranja emprego de garçonete, e enfrenta a humilhação dupla: por ter que trabalhar (na época isso era incomum para mulheres), e ainda ser garçonete.

A parte mais dramática é a relação de devoção irracional que Mildred tem com a filha, que desde pequena já demostra seu caráter mais que duvidoso ao não perder a oportunidade em julgar e humilhar a mãe. Durante a história pensei algumas vezes "essa menina é uma cobra!", e em uma cena muito forte do final vi que havia uma dentência da direção para uma interpretação da atriz para algo languido, sedutor, maldoso, e percebi que essa "cobra" foi intencional.

Mildred é pega pela paixão também, e acaba se envolvendo com Monty Beragon que se torna um gigolô. Que mulher nunca fraquejou por um homem?

Mildred é corajosa e complexa. O resto é surpresa.

Lembro-me bem quando terminei de ver a série, meio chocada e comovida, num estado catártico pensei: pior do que ser traída, é ser traída por quem a gente ama.

5.04.2011

Séries que recomendo: Mad Men.

Aproveitando a revolta vintage...

Já pretendia há algum tempo escrever sobre as séries que assisto. Sou viciada em séries, nem mesmo acaba uma e já estou escolhendo a próxima. Assisto principalmente as americanas que são mais fácies de encontrar, e melhor produzidas. Mas sou bastante eclética.

Por conta disso tenho assistido cada vez menos filmes, só vejo quando vou ao cinema mesmo. Sem querer ser advogada do diabo, mas acho mais divertido ver séries, pois a história é contada mais devagar e com mais detalhes, dá pra curtir mais os personagens, e não toma muito tempo, de 30 a 40 minutos você vê um episódio. Lógico que não substitui um bom filme, mas é uma ótima diversão.

A primeira que quero falar é meu último amor: Mad Men.

A série se passa na década de 60, e tem como foco uma das agências publicitárias da Madison Avenue (mad men quer dizer: homens da Madison). A série tem como fundo a criação do “american way of life”, ela mostra como aos poucos esses homens foram padronizando e influenciando o comportamento de consumo do pós guerra.

A série é um drama, mas não tem grandes reviravoltas e emoções, a base da história são os relacionamos (inter-)pessoais dos personagens. Aos poucos a história vai traçando os contornos sociais muito estritos da época; a forma com que as mulheres eram tratadas, e o que se esperava dela; os gays; os negros; e a relação de trabalho e amizade. É impressionante ver como o racismo e machismo eram descarados na época.

O personagem principal é Don casado com Betty (o nome não poderia ser melhor).

A vida de Don se resume a agência, um pouco a família e os vários casos extra conjugais. Don se aventura com várias mulheres, se relaciona, mas o que mais me surpreende é ele não conseguir traspor a barreira do SER daquelas mulheres. Ele está lá, faz sexo, as beija e é interessante e interessado, mas tudo isso imerso numa frieza e distância assustadoras. Ele não as TÊM de verdade, não consegue ou não quer se aproximar de verdade. E tudo fica assim meio suspenso em sua vida, nada é forte ou sólido o bastante, tudo flutua.

Betty é um show a parte! Linda, bem nascida, educada, teve a sorte de casar com um homem bem colocado socialmente e teve dois filhos. Em resumo Betty tem a vida ideal pra uma mulher na época, mas ele percebe o que 90% das mulheres já sabem, isso não é o bastante. O vazio de sua vida é quase palpável, e aos poucos ela vai se distanciando de Don e se tornando uma mulher sozinha e amarga. Da princesa linda e fina ela vai se tornando insuportável e amarga.

Há outros personagens interessantes como Peggy, mas essa eu deixo para ser surpresa.

É bom ficar atento com o estudo de comportamento humano que é possível fazer a partir dessa história, mas além disso a parte técnica é incrível, a produção é impecável, nem os copos escapam a ser “a cara” da década de 60. O jeito de falar, se comportar, tudo é muito bem dirigido. Os atores dão conta do recado, e pra quem ainda tiver dúvidas faça uma busca e descubra a quantidade de prêmios que a série já ganhou.

PS: Se você não gosta de ver pessoas fumando, desista. Não há uma cena que não tenha um cigarro aceso.

Recomendo!

As vezes sinto vergonha de ser brasileira.

Lendo sobre o suntuoso casamento inglês que ocorreu essa semana vi o lindo vestido que Kate estava usando, e percebi a semelhança com o de Gracy Kelly (que é um dos mais lindos que já vi).

Adoro estilo vintage, fui para Google ver imagens de Gracy para babar com sua beleza e delicadeza! Gosto de ficar observando cabelo, maquiagem, roupas, postura dessas divas, para ver se aprendo alguma coisa. E eis que surge na busca?! De cinco fotos lindas de Gracy Kelly original; 876767 fotos de Gracy Kelly funkeira. Nem sabia que essa criatura existia. Vulgar, feia, musculosa, tinha até nu frontal da infeliz, um horror! Por que ela não escolheu uma fruta pra a representar? Precisava eleger uma diva do cinema? Só se ela realmente se chama Gracy Kelly, ai prefiro nem comentar...

Nosso Google apresenta 873637264734 fotos da bunda da funkeira e quase nada da original!

Olha, posso falar? Morri de vergonha de ser brasileira e ter esses monstros como ideal de beleza da minha cultura. Descobri até que a tal funkeira tem um vídeo amador transando sabe-se lá com quem (já posso fugir daqui?).

Nada contra existir gente que queria ganhar dinheiro mostrando o corpo, me incomoda é a grande abertura que essas mulheres têm. Pra que tanta visibilidade? E e a real beleza da mulher vai ficando cada vez mais esquecida e menos valorizada.

PS: favor homens, vamos voltar a ter bom gosto pra mulheres.







O que eu acho da educação: (parte II)

Entre os muros e grades da escola.

A falta de liberdade na escola é algo que me preocupa. Os alunos não podem: bater-papo, ficar de pé, sair da sala, usar determinados acessórios, usar roupas comuns, ir ao banheiro na hora que der vontade, esticar as pernas (as salas são muito apertadas), andar pela escola tranquilamente, trocar de lugar, a baixar a cabeça e dormir...

Concordo que para alunos menores a rigidez deve ser maior pois não há ainda um senso de responsabilidade pra saber usufruir da liberdade. Mas me pergunto se a idiotização dos alunos hoje em dia vem dessa falta de liberdade, e que tem como consequência a falta de responsabilidade sobre suas escolhas. É sempre o professor que deve decidir o que fazer e quando fazer (acreditem, desde coisas mais banais). Quanto mais é retirado desses alunos a capacidade de decisão por sí, mais irresponsáveis e inconsequentes serão.

Sou a favor de punições sim, afinal escola é uma instituição e as regras devem ser claras e sua função mais clara ainda! Se não respeita a regra, como em nossa sociedade, deve-se sofrer alguma punição, ou consequência. Liberdade em excesso não funciona também.

Mas por que há tantas regras e limites pros alunos hoje em dia? Pra que tanta rigidez? Por que a forma em que a escola é estruturada: 40 alunos por turma, 1 professor por sala, várias turmas por turno. Se não houver uma rigidez muito grande não há trabalho! O aluno tem que ser obrigado a ficar em total silêncio e se expressar o mínimo possível para que seja viável uma criatura chamada professor conseguir falar 50 minutos diante da turma (normalmente sobre um assunto não muito atraente), e ser escutado por todos e minimamente compreendido. Claro que esse silêncio absoluto e longo nunca é conquistado, o que faz surgir outro problema: a indisciplina (assunto pra outro post).

Tantos alunos em tão pouco espaço não dá pra dar nem meia liberdade se não eles percebem que são maioria e fazem um motim. O que resta é manter a rigidez, pois se você tenta quebra-la surgem duas consequências: a direção e funcionários (mais antigos normalmente) se incomodam e logo dão um jeito de vetar a novidade, e os alunos desacostumados com a liberdade abusam e acabam confundindo liberdade com libertinagem.