3.17.2012
Inventário:
Não acredito em Felicidade, acredito em silêncio.
Não acredito em Desejo, acredito no que sonho.
Não acredito em Dom, acredito na vontade.
Não acredito em mim, acredito no Outro.
Eu roubo namorado dos outros
Eu baixo musica da internet
Troco de roupa em frente à janela
Rasgo foto de amor antigo
Joguei fora meus diários
Cabelo crespo
Unha fraca
Pele seca
Dentes tortos
Urina ácida
Pensamentos críticos.
Chega de dia da mulher!
A modificação do lugar da mulher em nossa sociedade veio em função das mudanças econômicas, sociais, políticas e ideológicas do século XX, e não foram necessariamente direitos conquistados por lutas politicas ou boa vontade democrática. Não desprezo a luta de grandes nomes do feminismo, e suas manifestações e ideais que ajudaram muito nesse movimento de abertura para mulheres. Mas temos que aceitar que as mudanças reais vieram em função da necessidade da força de trabalho da mulher ser inserida na roda do capital. Tenho que admitir também que a evolução da indústria farmacêutica que possibilitou o sexo livre também teve seu peso. O lugar da mulher mudou porque a sociedade mudou, o capitalismo nos colocou para fora de casa, e nos diminuiu a possibilidade de uma vida de ‘dona de casa’ (não vou elaborar aqui se isso foi bom ou ruim).
A nova mulher que surge, vira um grande paradoxo. Ela pode ser independente, tem alguma liberdade de escolha, e todos os prazeres fálicos na sua frente, coisas que só os homens podiam desfrutar, mas ao mesmo tempo sonha em ter filhos, se casar, e viver pra sempre amada e devotada a um homem. Hoje coexistem dois parâmetros conflitantes de comportamento feminino na mente das mulheres (e dos homens também). Ainda estamos em fase de mudança, e acredito que o comportamento da mulher irá tender cada vez mais para o individualismo e busca de bens fálicos, mas isso é outra discussão.
Voltando as campanhas do dia da mulher... Vejo que ainda há um grupo grande de mulheres defendendo causas que já não fazem sentido (não fazia muito sentido nem na época que isso estava em pauta). Se agrupar pra defender a igualdade é tão absurdo como fazer guerra pela paz. Quanto mais os grupos feministas diferenciam as mulheres como uma classe, mais ficamos distantes da tão sonhada igualdade.
Outra coisa observada: exaltação excessiva do “ser mulher”. Sempre vi com muito pesar esse discurso que as mulheres são especiais, que são superiores!! É justamente esse discurso a base da exploração sexual, por exemplo. É a mulher deusa, mãe a que deve ser trancafiada numa burca para ser protegida. Ou deve ficar em casa cuidando dos filhos, pois é a única que pode fazer isso, e só fazer isso. A igualdade tem que ser total - lógico que respeitando as particularidades de cada sexo-, mas nós mulheres não somos nem melhores nem piores que os homens, apenas temos vagina.
Boa briga
Gosto de boa briga. E pra boa briga é necessário um adversário à altura. Briga fraca é igual teatro de 5ª categoria: tem texto ruim e teatralização em excesso.
Só brigo de verdade se tiver respeito pelo menos por uma das pessoas envolvidas, na maioria das vezes o oponente não merece meu esforço.
Prefiro as brigas limpas, aquelas em que o oponente não irá ultrapassar o limite do tatame. Na arena se briga, se mata e vai-se embora, quanto o limite do espaço da briga não é respeitado o prazer da briga se perde, e vira bagunça infantil.
Ódio e amor andam juntos, caminham de mãos dadas, se estapeando às vezes. Uma boa briga de ódio tem que ter amor, se não os limites são ultrapassados e ao final se tem só indiferença.
Gosto de uma boa briga, mas só se for aprender algo com ela, se não, não vale a pena.
Hoje em dia faltam bons oponentes...
[Cartas de amor} Carta a melhor amiga.
Hoje quando estava no banho pensei em você, me veio aquela música do Lulu na cabeça. Lembrei-me de quando você cantava pra mim, consigo te ver na minha frente, com seu sorriso característico, os olhos brilhando, e a sua voz desafinada de sempre.
Degustando cada sílaba, cada frase, como se fosse uma certeza eterna. Com aquele seu jeito de quem sabe sempre o que fazer. Cheia de certezas. Custei a perceber que vc também tem inseguranças.
Lembrei de você na adolescência. Tão linda, tão radiante, e meus olhos se encheram de lágrimas.
Quantas vezes você quis fugir? Quantas vezes você se apaixonou? Quantas vezes deixou todos bobos com seu jeito espontâneo? Quantos se apaixonaram por vc?
Chorei por você, com você, pra você.
Lembrei de todos os barrancos q vc desabou, de todos os amores que não concretizou, de todos que te deixaram e que vc deixou. Nem sempre é so easy se viver. Você avisou isso, mas acho que nenhuma das duas levou a sério.
E o amor?
Você lutou por ele mais que eu, o conquistou, o mereceu. Mas sei que ainda sente sua vida vazia. E esse buraco jamais será fechado. Há pessoas que nasceram pra ser amadas, outras não.
Obrigada por tudo que me ensinou.
1.04.2012
" E quando sua imagem se apagou do espelho, apareceu no vidro a palavra liberdade..."

Fando descobre que sua mãe incriminou seu pai, e esse foi morto. Revoltado com tal atitude ele parte, e tenta deixar suas raízes para trás. Mas se desvincular de suas origens nunca é fácil. É possível?
Fando carrega Lis, sua companheira, nas costas a maior parte do filme, ele a protege; se sente obrigado a cuidar dessa frágil mulher, e se vê em determinado momento preso a ela e sufocado pela responsabilidade de seu fardo. Juntos seguem para Tar a última cidade que sobrou no mundo. Tar seria a cidade perfeita, o paraíso. Fando acreditava que chegando lá poderia curar sua parceira, porém Lis é realista e não acredita na cidade de Tar, mas se deixa levar por essa busca. Ela se deixa levar por Fando a qualquer lugar. Ela se deixa. Abandono de si?
Fando é otimista, obstinado e segue seu curso com Lis nos ombros. Quando chegarem a Tar tudo será resolvido... Lis será curada, eles poderão ter filhos, a paz voltará. Mas Tar nunca chega... O lugar perfeito é cada vez mais distante. Ele existe?
Aos poucos vai se vendo o desgaste de Fando, seu cansaço, sua falta de esperança. Fando tenta abandonar Lis, mas seu coração e lealdade o fazem voltar atrás. Ele não consegue deixar aquela mulher paraplégica sozinha, dentro de um buraco, pronta para morrer. Ela precisa dele e ele sabe disso. Ele volta, e mais uma vez carrega consigo o seu fardo. Isso é amor?
Ele conhece outras mulheres no caminho; prostitutas, andarílias, e mesmo que queira largar Lis e seguir seu intinto sexual, se vê preso a mulher paraplégica e volta, sempre volta. Lealdade ou covardia?
Lis em dado momento se pergunta se alguém se lembrará dela depois que morrer. Fando diz que irá ao cemitério com uma flor e um cachorro. Ele se lembrará, assim ela sempre existirá.
Lis é o fardo e a vida de Fando. E sem Fando, Lis não existe. Dependência mútua?
Ao final do filme, depois de todas as tentativas e toda a esperança ter acabado, Fando finalmente escolhe um lugar recolhido, um buraco cheio de pedras, para matar Lis. Ele percebe que essa é a única saída desse inferno que se criou. E ele sabe que só há uma forma de matá-la; batendo nela até a morte.
Fando espanca Lis, ela grita, chora, pede "por favor", ele chega a hesitar, mas termina o que começou. Lis está morta caída no chão, e Fando se levanta e olha em volta ainda com o sangue de Lis nas mãos, e se dá conta que do buraco no qual se encotra nunca mais sairá. Enterrados juntos. Pra sempre Fando y Lis. Existe solução?
"E quando sua imagem se apagou do espelho, apareceu no vidro a palavra liberdade..."
"E quando sua imagem se apagou do espelho, apareceu no vidro a palavra liberdade..."
"E quando sua imagem se apagou do espelho, apareceu no vidro a palavra liberdade..."
"E quando sua imagem se apagou do espelho, apareceu no vidro a palavra liberdade..."
"E quando sua imagem se apagou do espelho, apareceu no vidro a palavra liberdade..."
"E quando sua imagem se apagou do espelho, apareceu no vidro a palavra liberdade..."
"E quando sua imagem se apagou do espelho, apareceu no vidro a palavra liberdade..."
"E quando sua imagem se apagou do espelho, apareceu no vidro a palavra liberdade..."
"E quando sua imagem se apagou do espelho, apareceu no vidro a palavra liberdade..."
11.23.2011
9.29.2011
[Cartas de amor} Carta Extraviada
Saudade do tempo que não aconteceu.
De poder acordar e te beijar, me exibir, te despir.
Saudade do desconhecido que não deu pra repartir.
Cada gota de suor que não bebi,
cada lágrima que não compartilhei
E você não me saboreou
Não me sentiu
Não me tomou
É pelos líquidos que se conhece outro alguém.
Sinto falta da intimidade que não abracei
e dos seus gostos que não provei
Nos sabores dos dias o amor se reconhece
E o que sou ficou por ser revelado
Escondido
Velado
Pronto pra ser desvendado por ti







