11.28.2008

A mágica do peixinho dourado


Era uma vez um peixinho dourado amaldiçoado, perdia sua memória a cada 3 segundos. E tudo que viveu, tudo que viu e ouviu se perdia, como se fosse engolido por um grande ralo.
Seu passado não importa, e o seu presente é constituído por segundos. Quando passam aqueles calculados 3 segundos nada existe mais, surge o vazio total.
Todos já cruzamos com peixinhos que não tem capacidade de aprender com a vida, que esquecem os erros cometidos e os cometem de novo com a mesma empolgação que testemunhamos antes. Peixes em que relacionamento é sinônimo de sucessão de pessoas sem significado, de momentos teatralizados e sem emoção. Após 3 segundos de distância da pessoa amada, pronto! A mágica acontece! O afeto, o carinho, o compromisso se perde no vasto esquecimento do pequeno peixe. E se a pessoa amada se vai, a única coisa que o peixinho se presta a fazer é ensaiar uns suspiros, fingir algum ressentimento, mas logo após ele vai nadar leve e brilhante pelo oceano a fora, balançando sua calda como se nada tivesse acontecido. De fato pra ele nada aconteceu.

(essa lenda de que memória de peixe dourado dura apenas 3 segundos está caindo por terra, alguns estudos mostram que eles são mais espertos do que a gente imaginava. Na verdade eles são criaturas sonsas, fingem-se de bobos.)

11.26.2008

Summertime

(Nina Simone)
Summertime and the livin's easy,
Fish are jumpin', and the cotton is high.
Oh yo' daddy's rich and yo' ma is good lookin',
So hush, little baby, don' yo' cry.

Castração

Anastácia acorda toda manhã um pouco mais cedo que o normal, só para ter o prazer de ficar na cama mais um pouco, como se estivesse transgredido alguma regra, ela acorda, desperta, e espera os 15 minutos decorrentes do seu adiantamento com grande satisfação. Depois se veste com carinho, ajeita a meia-calça com as mãos em movimentos delicados, orgulha-se de suas pernas, sempre se orgulhou. As meninas do ginásio a invejavam-na, pois o cobiçado professor Heitor de educação física uma vez elogiou a resistência de suas coxas, suas palavras ecoam em sua cabeça até hoje. E ela não controla o surgimento de um sorriso ao lembrar-se desse fato.
Ela se olha no espelho, ao contrário das pernas ela não gosta do que vê. Nunca gostou muito da carcaça com que nasceu, sente que aquela que ali está, do outro lado, não é ela. Um metro e meio de altura. Cinquenta quilos de carne, ossos, pele. Cabelo preto, comprido, liso, à força de tanto o esticar. Alguns cabelos brancos. Olhos escuros. Um nariz grande, redondo. Uma pele ruim, cheia de poros abertos, pontos negros, vermelhidões. Suas mamas parecem cada vez mais pequenas, cada vez mais caídas, como se fossem flores murchas dentro de uma jarra. O peso do tempo a preocupa. As vezes sente que desperdiçou parte da vida com o trabalho, teve poucas oportunidades de se envolver com homens. Ela lamenta.
Ao sair, pára em um sinal e um homem de meia idade sussura em seu ouvido: “Com esse cabelo preto deves ter um bom grelo. Lambia-to todo! Horrorizada Anastácia atravessa a rua, sentindo um calafrio percorrer suas costas. Derrepente se vê sobressaltada, e totalmente perdida na cidade em que nasceu e viveu toda a vida. Um ardor percorre seu sexo, e ele se humedece. Ela pensa em parar, em se virar. Vem a mente suas experiências com sexo; o ardor, a queimação, o incômodo causado pelo membro rígido que teima em entrar em um orifício que sempre permaneceu fechado. Seu estômago revira.
Ela acha absolutamente justificado o seu desprezo pelos homens. Por que Deus criou o corpo das mulheres para sofrer, ela sempre soube disso, são cólicas, dores no parto, dores no ato sexual. Será por isso que ela nunca sentiu prazer no sexo? Todos julgam-na frígida, mas ela sabe que Deus amaldiçoou as mulheres. Por isso não se importa com os prazeres carnais, eles não são para as mulheres. Mas em seu íntimo ela queria que ao menos uma vez os homens sentissem dor no sexo, para saberem um pouco do que são feitas as mulheres.

Estou me deixando levar por sorrisinhos.

Falta-me sentido para acordar a cada dia, faltam-me os sentidos durante o dia.
Mazelas de nosso tempo? Sentir-se infeliz por não ‘ter’, não ‘ser’, não ‘estar’, e no meu caso nem ‘parecer’ cabe.
Infelicidade genuína e pura, límpida e translúcida como água, pela simples amargura de estar viva. De ter o que fazer e não sentir vontade de executar. Objetivos? Metas? Pra quê? Qual é o prêmio no final? Até hoje não obtive nenhum troféu, nem mesmo tapinha nas costas.
Caminho para um final, que não sei qual é, mas que deve ser tão triste quanto eu mereço.
Sempre fui de essência melancólica, mas aprendi a conviver com isso. Da mesma forma que aprendi a conviver com meu cabelo crespo, minha magreza, meus problemas familiares, sem os aceitar apenas os suportando. Às vezes me pergunto se deixar de forçar vai adiantar? Uma hora a gente cansa, e eu já me cansei há muito tempo.
Ando por ai triste, cansada e desacreditada. Sofro de desencantamento Weberiano crônico. Colou-me no peito uma amargura que não desgruda, um amargo na boca, e no rosto uma expressão taciturna. Pobre de mim.

11.22.2008

Poker Love


Se relacionar é jogar, e não há jogo que combine mais com o flerte do que o Poker. Os jogadores de Poker irão me entender! O objetivo do Poker é ganhar as fichas da outra pessoa. Você tem suas cartas e seu ‘adversário’ tem as dele, nem um dos dois sabe o que há na mão do outro, então começam as apostas. Você pode começar apostando alto, mas isso assusta o adversário, é bem melhor começar com um lance baixo e esperar para ver o que ele vai fazer. Se ele for aumentando a aposta, ótimo! Você pensa: alguém vai lucrar aqui. Ou ele pode não apostar e te deixar com aquela mão maravilhosa doido pra jogar a ver navios... Acontece também o adversário querer pular umas rodadas e não jogar, ai é ter paciência e esperar. Mas quando você escolhe um bom parceiro o jogo pode ser inesquecível, quanto os dois estão comprometidos em apostar e a tentar entender as jogadas do outro é magnífico. Há também o blefe, é quando suas cartas não são nada promissoras, mas você finge que elas são, ai a outra pessoa pode cair na sua, e olá fichinhas!! Ou você cair em um blefe, e apostar alto e se dar mal... Adeus fichinhas. Às vezes você fica no sufoco, não quer apostar e pede mesa, e seu jogo muda completamente. Nunca se sabe qual carta virá; às vezes você está preparando uma super flush, e as cartas que chegam ajudam seu adversário a fazer um full house e você crê que vai arrasar e ele arrasa você, te deixando de quatro com uma maça na boca. No jogo sempre temos que contar com imprevistos. Há os mais afoitos que querem mostrar logo as cartas que têm na mão, e quando você sabe as cartas de seu adversário fica muito mais complicado, porque você tem que decidir pelos dois o que fazer. Ou dá um banho nele e pega todas as fichas e vai embora jogar com outra pessoa, ou tenta ser mais generoso e dividir igualmente entre os dois, a primeira opção é mais tentadora para os não principiantes. A diferença entre romance e jogo é que no amor ninguém sai ganhando ninguém sai perdendo. No final você sempre aprende alguma coisa, mesmo que você saia sem uma puta de uma ficha!

11.16.2008

Cadê a educação?

Lanço uma campanha em prol da educação nos meios de comunicação. Você já percebeu como ninguém se preocupa com regras de etiqueta na internet? Não é porque estamos na internet, onde ninguém nos conhece, que é válido não ser cordial. Pessoas que deixam a conversa e não se despedem. Você manda um recado e a pessoa te responde séculos depois. Trata-se o interlocutor como se ele não esperasse a resposta, como se ele soubesse o que o outro faz e vê, se leu ou não. Parece que a internet é povoada por autistas, que acham que o mundo gira em torno deles.
Estendo minha indignação ao telefone (principalmente o celular). Você liga uma vez e a criatura não atende, cria coragem, liga a segunda, e a pessoa nada. Você se sente ignorado, e alguns dias depois você encontra o(a) infeliz e ele(a) diz: ah, eu vi que você ligou o que você queria? Porra! Se viu por que não retornou?
Outra coisa desprezível é o tal de três segundos: ‘onde c ta?’. Várias vezes respondi em seguida, e demorei alguns segundos para perceber que a pessoa desligou, não tem como não ficar constrangido.
Então seres internautas vamos:
- Responder recados com certo esmero e rapidez.
- Colocar crédito no celular.
- Se despedir ao sair da conversa.
- Dizer oi antes de iniciar qualquer assunto.
- Não ficar ligando a cobrar pra todo mundo.
- Se perguntar, a pessoa responder, agradeça.
- Não desligar na cara das pessoas.
PS: se o leitor lembrar de mais alguma favor completar nos comentários.

Queria trocar de rosto


Não necessariamente mais belos
Escolheria os de homem
Os de bicha
Queria ter todos os rostos

E trocá-los como minhas roupas
Ser invisível
Ser admirada
Agredir
Sossegar

Vestiria as rugas de um velho
Sábia, me sentaria no jardim
Acenderia meu cachimbo
E veria o mundo passar

Seria uma bela negra
Escura e Corpulenta
Teria um arrogante olhar
E um rico namorado

Queria ser todos
Para não ser nenhum
E modificar
Para nunca me enjoar

A saga natalina materna.


Natal é época boa na vida da gente até os 10 anos, depois vira tudo uma sucessão de presentes infelizes e festinhas chatas com tios bêbados. Essa magia coca-cola já se perdeu há muito tempo na minha vida, e por um bom período abdiquei de comemorar o natal, pela total falta de sentido. Mas quando os miúdos nasceram, primeiro a Helena e depois o Pedro, tive que retomar os sonhos de infância, mas agora sobre nova ótica: tentar fazer um bom natal para meus rebentos.
A saga começa na escolha da arvore de Natal, quanto maior mais bonita, e mais cara. Os enfeites variados e coloridos também são apelativos e custosos. Mas o mais difícil são os pedidos das crianças, ter que gastas 1/3 do meu salário em um boneco feio, que eu sei que vai perder o braço em um mês, é difícil. E mais ainda é encontrar aquela Barbie Cinderela flash plus, que apareceu no comercial e que só serve ela!
E as intermináveis tardes de passeio no shopping?! Hoje os levei para passear no shopping e conversar com o papai Noel, que pra mim parecia mais meu tio Dirceu de barbas, ele sempre bebeu demais e ficava vermelho e bobo. Fiquei três horas na fila do papai Noel para as crianças ouvirem dois segundos de um ‘hol hol hol’ e a porra da rena gritar: próximo!!!!
A Helena quis sorvete, Pedro quis a piscina de bolinha, depois o hambúrguer que vem com brinquedo. No final estava exausta, sem dinheiro, e com meus filhos mal alimentados e agitados. Viva o espírito de Natal.

11.05.2008

Olhos descascados

Meu amor,

Meu corpo está estagnado,
no mesmo lugar.
Parada,
sempre,
sentada,
esperando você.

Meu corpo teu,
vive de sua alma,
eu respiro tua pele.
Amo suas víceras.
Cálida.
Te espero

Percebo um corte no rosto,
sinto sua lembrança,
seu pênis dentro de mim,
seus pelos em minha boca.
Te espero

Seus dedos me apertam,
deixam marcas em minha pele.
Meus cabelos em suas mãos.
Minhas unhas soltam pelo seu corpo.
Doi.

Seu sêmem em minhas mãos.
E o que eu faço com tudo isso?
Eu enterro espinhos,
mas eles voltam para espetar meus pés.
Bebo sua saliva.
Me banho em seu suor
E esse seu vômito como eu posso aproveitar?

(Carta de amor escrita quando descobri a obra de Beth Moysés, seu trabalho gira em torno da violência contra a mulher)

11.04.2008

Coisas das quais eu me orgulho, mas talvez não devesse

Meu dedão da mão vira muito e isso facilita a jogar sinuca.
Jogo sinuca.
Jogo baralho.
Tenho uma cama grande, apesar de ter sido quase um erro comprá-la.
Escrevo com freqüência.
Ainda uso tremas.
Faço várias coisas ao mesmo tempo (nem sempre dá tudo certo).
Tenho tatuagem
Durmo bem de conchinha.
Meu número de celular nunca mudou (e o aparelho só 3 vezes).
Bebo muita água.
Sei o que está passando em todos os canais parando menos de um segundo em cada. (isso é legal)
Faço coisas sem a menor importância parecerem interessantes.

Meu bem, você está me achando agressiva hoje? O.0 (1)

Por que todo mundo é tão decepcionante? Porque bem lá no fundo, são todos uns covardes. Uns covardes! O mundo inteiro virou um bando de covardes. Todo mundo tem medo de tudo, ninguém tem coragem de assumir porra nenhuma, onde foi parar a honra viking?! Ou a lealdade de um guerreiro espartano?! Não existe mais... Só vemos por ai medo e falta de caráter que unidos resultam em decepção.
Bando de bundas moles que não se acham bons o suficiente e ficam tentando convencer a gente que são fodas, ai quando nós finalmente estamos convencidos passamos então a convencer a eles mesmos dessa mentira. Esse é o jogo!
Eu to puta com um monte de coisas, que vão desde a eleição nos Estados Unidos, passando pela Margarida ter perdido as eleições aqui, terminando no preço absurdo dos chocolates. Como essas merdinhas calóricas ficam caras!! Um singelo batom que na minha infância custava 0,20 agora ta 0,50! Onde esse mundo vai parar? O que uma mulher de TPM deve fazer para ter um pouco de caloria a preço módico?
Enquanto isso, estamos aqui todos perdendo tempo com essa putaria de internet, que só serve pra atrapalhar a nossa vida. Só serve pra dar vazão a expressão dos covardes.
Ficam como ratinhos fuçando e entrando em salas de bate-papo e na pior das hipóteses no seu MSN dizendo um monte de asneiras ao alcance do mouse. A internet possibilita isso, aos “gatinhaRJ2008”, ou “razorhead25”, ou “gostosao715”, dizerem o que pensam. E quer saber de uma coisa? Eu estou pouco me lixando para o que vocês pensam! Se quiser dar opinião sobre alguma coisa então pelo menos tenha a decência de assinar em baixo. Porque opinião por opinião minha cachorra também tem a dela sobre rações caninas.

cabras capadas (2)


E você sabe que essas pessoas com fotinhas orkutianas cheias de blush, cabelos brilhando, sorrindo como se estivessem vivendo o dia mais feliz de suas vidas, são as mesmas que sentam ao seu lado no ônibus, que se metem em cubículos fedorentos, e salinhas de jantar, quietinhas passam o dia. Sem dizer um A. E na internet criam vida, e se sentem no direito de serem ouvidas!
São cabras que soltam seus balidos em alto e bom som, longos e tenebrosos béééééés, que ecoam pela internet! São cabras capadas, porque Deus em sua inteligência e benevolência percebeu que esses seres desorientados jamais seriam capazes de franquear a chegada de uma criança a este mundo. Por isso capou-as, servindo assim suas lanosas vaginas para serem penetradas por apelativos caralhos, de glandes refulgentes e escrotos cheios, só isso. Nunca para a criação. É tudo um grande vazio.

10.29.2008

Bansky


Reflexão balzac + gardenal


Caros leitores, essa semana tive um insight mirabolante ao relembrar meus últimos relacionamentos percebi incrédula como os homens não conseguem falar de si. Quando você pergunta algo mais profundo que necessite um mínimo de sensibilidade você sempre escuta uma resposta engraçadinha, ou um ‘não sei’ desinteressado. E quanto ocorre uma DR, coisa que em alguns casos é precedido de uma cansativa e desnecessária briga, você finalmente diz o que pensa e o cara dá lá a resposta mais vaga que a total falta de interesse dele permitiu no momento, antecipado de um ‘não tinha parado pra pensar nisso antes’. Por que os homens não pensam? Seria falta de maturidade para compreender que um relacionamento envolve conversas e raciocínio? Se relacionar não é fácil, não é simplesmente se prostrar diante da TV pra ver o jogo em que o único exercício mental seria abrir a latinha de cerveja sem deixar espirrar no rosto. Pra isso eles são muito bons...
Acho que por isso sempre me relacionei com homens mais velhos, acho que eu a maioria das garotas também preferem, por se sentirem mais seguras e pelo nível intelectual, pois os homens só conseguem atingir a maturidade um pouco tarde. Mas um dos meus maiores achados nesses últimos tempos foram os homens de 30!
Ah! Como são interessantes os caras de trinta! Eles trabalham, mas já passaram da fase da empolgação com a carreira e não ficam obcecados, achando que ainda irão ficar milionários ou famosos. Já tiveram vários namoros e não se perdem em joguinhos. Tem estabilidade emocional e em alguns casos financeira, e o mais importante já estão na fase de não ter medo de relacionamentos. Mas o lance do futebol com cervejinha continua, e até se agrava. Mas mesmo assim concluo que os balzaquianos são uma raça respeitável. Um brinde aos balzaquianos!

10.21.2008

Ri-dí-cu-lo

Merdosa a cobertura da imprensa nos casos de violência da moda (infelizmente tenho que usar essa expressão), a mídia faz um verdadeiro carnaval, bumba-meu-boi, samba de crioulo doido, nesses casos lastimáveis.
E há algum tempo ocorre uma sucessão de casos de violência. Quando um caso perde o interesse, ou os sanguessugas dos jornalistas não tem mais como chupar, largam a carniça de lado e partem para o próximo prato feito!!! E o caso antigo? Alguém se interessa em dizer o que aconteceu? Estou aqui querendo saber da garotinha e do garotinho que morreram e que comoveram (?) meio Brasil!
E a família da vítima? E a intimidade da família que é devastada por esses canibais de microfone? Toda a história familiar e pessoal da pessoa é contada no horário nobre, e os telespectadores jantam ouvindo sangue e assassinato com a boca aberta babada de miojo.
Estamos em tempo de mídia e vale tudo para aparecer na televisão! Até expor um caso de assassinato na sua família ta valendo... Como já dizia Chacal:

‘a propaganda é a alma do negócio.
a mídia, seu corpinho tatuado.
todo mundo quer publicidadee
dá-se o lombo para se ver impresso
em qualquer telinha
vida de galinha’

Agora além do habitual deleite da imprensa e da população, a família da vítima nesse novo caso ao que parece faz o estilo look at me, baby! E a coisa tomou proporções colossais, de pais e mães tendo colapsos (pai de caráter duvidoso, estava sendo procurado em outro estado), doação de órgãos da vítima (pra deixar a coisa mais bonita, e conscientizar as pessoas, sei...), as pessoas passando mal e batendo palmas no enterro (?).
A imprensa deve fazer seu trabalho estar perto e atenta, mas isso já é demais! Não agüento mais ver esses casos da bola da vez, cadê o jornalismo sério e objetivo? Isso me lembra a música do Tom Zé do álbum Todos os olhos (1973):

“E por que é que um Zé qualquer de vez em quando tem que dar sete sopapos na mulher?
Diga, Zezé.
- Ah! Isso é pra no outro dia de manhã cedinho vender muito jornal,
viu, Dodó?”

Ou seja, essa balela já vem de muito tempo. A conclusão que eu chego depois dessa balbúrdia é que a nossa imprensa é tão despreparada e incopetente quanto nossa polícia que nunca consegue resolver a porra do caso.

FIM

10.16.2008

Papo de homem

O grande e inabitado universo masculino me surpreende a cada dia, outro dia achei um site que se ocupa totalmente dele, um site sincero e direto, li coisas inesquecíveis.
Mas não há como não se admirar com os genuínos exemplares dessa raça que conseguem ser tão acéfalos. Agem como deuses, dominam e tomam decisões, mas não se sentem potentes o bastante quando se deparam com uma Mulher. Sentem medo, se encolhem, se atrapalham, e se emplumam como pequenos poodles peludos machões. Pobres exemplares mal sucedidos de homens.

Charles Bukowski


O homem safado mais interessante que já conheci (olha que já conheci vários!).

Carta às mocinhas virgens.

Minhas queridas que se guardam infortunadamente aos que um dia vislumbrarão o hímem intacto e inoculo!
A vocês garotas que se chafurdam com essa verborréia derramada sobre suas pobres cabecinhas de vento, e por conformismo (ou falta de personalidade) buscam em vão se auto-afirmar através de afirmações mentirosas, dizendo que não querem sexo. E prisioneiras de seu íntimo e mal amado coração se super valorizam sem perceber que perdem assim o valor.
Á vocês amigas que se guardam ao príncipe encantado! Ser amado e belo que surgirá com todas as melhores qualidades e intenções, que irão respeitar e amar vocês pra sempre, da forma mais inesperada e mágica possível. Há vocês que acreditaram quando mamãe disse que iriam se casar com um belo homem e ter belos filhos, eu digo: esse homem não existe!
Sim, era tudo mentira... Nunca vai haver o homem perfeito, sempre vai haver um defeito (quando não for vários). Sempre vai haver aquela ‘coisa’ que estraga; aquele hábito lamentável, aquele passado que condena, aquele cabelo no peito do pé que dá nojo. Então caras amigas, não adianta de nada ficar se guardando pra sempre, esperando o cara certo que nunca vai aparecer. Não adianta transformar o sexo em moeda de troca, como se fosse o prêmio para o garanhão vencedor! Vocês só estão contribuindo para que esse machismo chauvinista babaca continue existindo. Não se esqueça que em uma transa os dois devem sentir prazer, os dois saem ganhando. Não digo que vocês devam sair transando com todo cara que der tesão, isso também não é bacana, mas construir a relação para a possível ocorrência do sexo é normal e saudável.
Não se iluda, seja consciente e dona de si, não aja impulsivamente, use e não apenas seja usada, sinta prazer, sinta os cheiros e sabores, esqueça o mundo lá fora, não esqueça a camisinha.
Mas se caso você queira um cara bonitinho que se cuida, gosta de ir às festas, mas não fica com um monte de mulher, não tem ex que enche o saco, não quer transar o tempo todo, gosta de conversar e te entende, então querida namore uma viado!
Beijos
Ass: tia Rafaela

10.10.2008

Blindness - Ensaio sobre a cegueira


Meu querido Blindness estreou, e como já é evidente formulei cada cena dessa história em minha profusa mente, havendo assim uma possibilidade muito grande de me deparar com a decepção da minha vida. Confesso que entrei no cinema temerosa, tentando disfarçar o medo do desastre. Mas assim que começou eu percebi o tratamento sofisticado que Meirelles deu a história, e a fidelidade aos fatos narrados no livro. Acalmei-me no decorrer da trama, e me vi envolvida entre o riso e o choro em vários momentos.
Destaco a atuação de Julianne Moore. Ela está perfeita! O que me causou uma grande inveja, pois esse era um dos personagens que eu gostaria de interpretar, agora menos um na minha lista.
A cena do estupro foi tratada na medida. Foi bastante explorado o momento que precede ao estupro, o que deu um tom dramático e belo a esse sacrifício. E eu feminista que sou não tenho como não admirar e me derreter com essa citação de Saramago (acho que posso chamar de citação), afinal o que nós mulheres mais fizemos na história foi justamente isso...
A cena que se segue, é uma das mais bonitas que eu já vi no cinema. No livro ela tem um peso magnífico, mas no cinema ela ficou perfeita! As mulheres lavando a garota que morreu, você percebe a cumplicidade, a relação de compaixão, e carinho levada ao extremo da sensibilidade feminina. É emblemático e tocante ver as mulheres sem dizer uma palavra, cometendo um gesto que só nós sabemos o quanto é importante.
Senti falta da cena que eu mais gostei no livro, em que a personagem principal leva comida aos seus debaixo de chuva e sua roupa se rasga deixando a mostra os seios, uma alusão explícita ao quadro A Liberdade conduzindo o povo, de Eugène Delacroix referente à Revolução Francesa. Mas eu entendo que essa cena no cinema e dentro do roteiro não seria tão interessante. Outro ponto negativo foi o cachorro, concordo com Saramago, teria que ser o vira-lata mais feio e carismático do mundo, e não um poodle grande.
Eu teria mais coisas a comentar, mas fico por aqui, de uma forma geral o filme guardou a dramaticidade da história sem excessos, e sem ‘pieguismos’. Não é um filme para as massas, mas para quem tem sensibilidade o bastante para perceber o quanto que essa história guarda grandes paradigmas culturais e sociais de nossa humanidade. Eu como eterna investigadora de Arte aconselho a quem for perceber o filme use a sensibilidade, e não apenas com o olhar e a audição.

10.06.2008

Confissões noturnas

Doem-me os mamilos, apetece-me fumar e já não aguento ouvir a mesma música, sempre a mesma canção; a insônia a tamborilar em meus ouvidos, um barulho ensurdecedor. Meus olhos pesam, mas se recusam a fechar-se. Sinto meu corpo afundar na cama, como se estivesse sendo sugado por uma enorme vulva... E meu pensamento se perde.
Olho para meus pés e analiso o contorno dos calcanhares, os ossos que teimam em emergir, a sutil tortuosidade dos dedos e percebo o quão inútil em minha vida tem sido meus dedos dos pés.
Sinto vergonha de meus pés, sempre senti , recordo-me de minha tia Gracinha dizendo que pé de moça deve ser delicado, levemente arredondado e bem pequeno. Constrangia-me retirar os sapatos perto das matronas e mais tarde perto dos rapazes. Hoje olho para eles e sinto pena, pobres pés que foram negligenciados a vida toda, e agora de frente a eles me sinto confrontada por todos esses anos de pouca atenção. Benditas noites sem sono que nos mostra a verdade sobre os pés.