12.23.2008

A Outra


Quase tive um orgasmo quando descobri (no final do filme) que ele se trata da história da mãe da Elizabeth I. Eu havia recomendado o filme Elizabeth a era de ouro nesse blog há alguns meses, e recomendo esse aos que se interessarem descobrir de onde vem o gênio de Elizabeth.

12.19.2008

Silêncio

Sentada em frente a Tv oiço coisas que fazem meu corpo todo estremecer. Sinto um arrepio gelado me percorrer, e cravo as unhas nas almofadas da sala. Na cidade do Rio de Janeiro uma média de quatro mulheres são estupradas por dia. Meu estômago revira.
Não consigo ficar complacente a certos tipos de violência. Sou mulher. Tenho vagina. Tenho sangue nas veias, e ele corre mais acelerado quando penso nesse tipo de covardia.
Que tipo de pessoa com sexualidade doentia faria uma coisa dessas? Que tipo de perversão sexual levaria um homem a agir assim e continuar respirando?
Sinceramente, sou fêmea. E não entendo.
Perplexa...
O silêncio fala por si só.

Irritando Rafaela Oliveira


Sou o tipo de pessoa que tem um fraquejo pela irritação, sei disso. Convivo com um eterno incomodo. Mas o que mais me tira do sério são as pessoas, ou melhor, as coisas que as pessoas fazem (ou deixam de fazer).
Nessa época do ano eu fico mais suceptível a irritabilidade. E o que mais me deprime é a maldita decoração de Natal. Nada contra as bolinhas e o festão, sou contra o exagero. Se não tiver dinheiro para fazer uma coisa de bom gosto tenha a dignidade de não fazer nada!
Esse mês entrei no supermercado perto da minha casa e dei de cara com um boneco de Papai Noel murcho e feio, ai pensei: Que marmota! O franzino velhinho constituia-se de um boneco grande e magro, mal vestido, com uma barba falsa todo embolada. Em volta um festão. Estava lamentável... Foi difícil segurar o riso. Eu preferí fingir que não o ví e passei reto. Ainda hoje me esforço para ignorar aquela figura "excêntrica” quando vou ao supermercado. Mas essa rede de supermercados com certeza não preza pelo bom gosto. Isso é perceptível na música que ecoa em seus corredores, sempre um pop music estilo FM. Aliás supermercado não é lugar para ter música. Se eu quero ouvir música vou para um bar ou boate. Ningém pensa: puxa, estava querendo ouvir uma música hoje... Vou ao supermercado.

Mas voltando à questão da decoração natalina, vamos falar sobre as casas enfeitadas com o conceito equivocado de que quantidade é qualidade. Há pessoas que não economizam, querem valorizar a bela sacada e a enchem de luzes coloridas, piscas musicais, cascatas, tudo misturado aos festões e bolas (que pouco aparecem), Papai Noel subindo, Papai Noel descendo, Papai Noel dançando. Um inferno visual piscante!

Meu prédio também está enfeitado (contra minha vontade, claro). No corredor principal o zelador colocou festões prata pendurados em arco no teto. Eles estão visivelmente gastos. Ele comete essa injúria todo ano, coloca vários festões e bolas de todo tipo misturados sem raciocínio (deu pra vizualizar?).

No caso da decoração infeliz do meu prédio, seria mais eficaz se eles colocassem uma faixa na frente escrita: aqui mora gente pobre. Mas pelo o que conheço dessas pessoas, elas logo iriam pendurar umas bolinhas e uns festões velhos para ficar mais bonitinho.

Dai-me paciência!

12.15.2008

A despedida

Ela não o via há muito tempo. Ele se fora da mesma forma que entrou em sua vida, sem pedir, sem conversar. Homens de poucas palavras era assim que ela gostava. Quando ele partiu ela teve que se acostumar não com a ausência de seu amor, mas com a sua própria presença. Ela lapidou por muitos anos seu talento para viver em função do outro. Sempre teve esse dom: se dedicar os homens. Coisa ensinada pela sua mãe com todo esmero, e ela sorveu cada palavra.
Sempre soube agradá-los, servi-los. Gemer quando necessário, sorrir no momento certo. E com o tempo Tereza foi aprendendo a tocá-los. Ela sabia faze-los sentir prazer, e o fazia com o mesmo talento quanto um bom concertista.
Mas ele a abandonou para ficar com outra mulher. E isso feriu seu orgulho de fêmea. Não entendeu o que deixou de fazer, ou e que se excedeu. Agiu perfeitamente como as regras. Amou-o como uma receita.
Hoje, Tereza, teve a oportunidade que estava há meses. Ele se foi, levando consigo sua razão de viver, e agora ele estava de volta por conta de uma desculpa inventada por ela. Uma reforma, a qual seus livros deixados estariam sobrando na re-decoração da sala de jantar.
Ela o esperou vestida com vestido florido, lambuzada de lavanda, com os lábios carmins. Ensaiou a desculpa que estava de saída.
Ao chegar, ele sentou-se na sala como se ainda fosse sua. Estava surpreendentemente á vontade. Exalando um cheiro inebriante de homem, que fez Tereza arrepiar. A camisa um pouco aberta, ela vislumbrava os pelos de seu peito.
Após algumas palavras sem importância, e 2 copos de licor ela se deixou tomar, como se ainda fosse dele. Entregando-se por inteira a todas as antigas emoções. Cada toque, cada suspiro trazia consigo uma recordação, e Tereza não agüentou, desabou em lágrimas. Enquanto seu amor a penetrava concentrado em seu sexo, Tereza o olhava e percebia entre lágrimas como ainda o amava, e quanto ele não era mais seu. Quando ele percebeu que ela estava a chorar a abraçou carinhosamente, dizendo que também sentia saudades, tentando aplacar seu choro. E foi nesse momento que Tereza teve certeza que jamais ficariam juntos novamente.
Há coisas que só as mulheres entendem, mesmo que os homens queiram nunca irão compreender.

12.12.2008

Hable con ella

Uma coisa no Amoldovar é totalmente clara e latente: sua admiração pelas mulheres. Me parece que ele não as comprende bem, e isso gera nele um grande facínio. As mulhres de Almodovar são deusas distantes e intocáveis, belas e fortes, estão acima do bem e do mal.

Assistí a esse filme em um fôlego só, como se estivesse segurando um suspiro. Só o soltei quando vi esse balé ao final, e junto com o suspiro veio um choro sincero, como há muito não fazia. Lavei minha alma.

12.08.2008

TABACARIA

Cuidado ao vestir o personagem, ás vezes ele não sai de cena e o ator se perde no enredo da trama.

Fiz de mim o que não soube
E o que podia fazer de mim não o fiz.
O dominó que vesti era errado.
Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me.
Quando quis tirar a máscara,
Estava pegada à cara

(Fernando Pessoa)

Anna Banana

Esse final de semana estive presente em um desses rituais 'social-civilizado'. E conheci por intermédio de uma amiga a Srta. Anna Banana, rapariga que roubou minha atenção. Ela se vestia com uma bela indumentária constituída de um elegante tubinho preto com scarpins, exalando um cheiro acre de roupa há muito guardada. Sem brincos ou braceletes cravados de pedras preciosas, como ostentavam as outras garotas. Ela trazia nos cabelos apenas um desalinho, que refletia também em sua postura.
Porém me encantou sua tentativa de fazer parte do todo, de parecer mais alinhada do que realmente estava, de parecer mais elegante do que realmente era.
Observei-a sentada ao meu lado de pernas cruzadas, mãos sobrepostas ao colo, bebericando de um líquido rosáceo, provavelmente champanhe com licor de cassis. Ostentando uma aparente feição de calma estampada no rosto. Um inabalável sorriso dissimulado, e um olhar que titubeia entre a fixação e a sonolência.
O garçom se aproxima oferece canapés a bela Dama Banana, e com um gesto languido com a mão esquerda ela dispensa o aperitivo, pronunciando calmamente um ‘não-obrigada’.
Ela se vira e olha em meus olhos com displicência como se aquele gesto fosse o mais recorrente de sua vida.
Como não se deixar encantar com tamanha engenhosidade?

Grana suja


Há uma lenda mitológica Grega que diz do começo dos tempos, onde haviam seres com duas cabeças, quatro pés e quatro braços. Esses eram seres tão poderosos que os Deuses mandaram dividi-los em dois, originando os seres humanos. Todo ser humano tem, portanto, sua outra metade.
Meu ceticismo genuíno me diz que não existem almas gêmeas. Nunca vi um casal perfeito, mesmo os duradouros e harmoniosos eu consegui compreender a dinâmica. Porque TODO relacionamento é uma barganha, pura troca de interesses.
Há algumas trocas que são muito vantajosas, então o negócio funciona, lucra e se expande. Às vezes, o lucro gerado pela troca se expande tanto que já é possível fazer alguns investimentos, gerando assim o cálculo prospectivo do casal, colocando no pacote itens adquiridos como: casamento, filhos, imóveis, viagens. Esse é o modelo de relacionamento de sucesso. Troca + investimento = lucro.
E para nós solteiros temos que estar atentos ao mercado consumidor, nas variações cambiais, para nossos investimentos não se desvalorizarem. Lembrando sempre da lei da oferta e procura! O produto raro que tem muita procura se valoriza, produto que não gera interesse se desvaloriza no mercado.
É isso, limousine e grana suja, nada de alma gêmea. É tudo business honey.

Eu Barcelona


Detesto quando me deparo com obras que sei que poderia ter feito, se me dessem a oportunidade e um pouco de tempo eu sei que as faria. Foi esse caso o filme que vi a pouco no cinema, Vicky Cristina Barcelona de Woody Allen.
Vi-me retratada nessa película na pele das duas protagonistas. Vi meus pensamentos e opiniões sendo debatidos na tela, todo o universo que me permeia sendo tratado da forma mais jocosa ao estilo woodialiano.
Vi meus dramas pessoais, e minhas angústias amorosas sofridas a pouco. Vi meu desejo de liberdade, e meu temperamento difícil. Vi que não é fácil lidar com a instabilidade, e eu não sou a única a sofrer com isso. Vi minhas descobertas artísticas, e minhas inquietações, e meu medo de onde isso tudo vai me levar.
Mas o que mais amei foi o comentário de Allen ao se deparar com o sucesso do filme:
"Terminei este filme há vários meses, e, quando termino um filme, não sinto mais o menor interesse nele. Já recebi ótimas críticas de filmes que não ganharam um dólar nas bilheterias. Recebi críticas negativas de outros, e isso nunca significou nada. O fato de lhe chamarem de grande não faz você ser grande, e o fato de dizerem que um trabalho é terrível não o torna terrível. Eu me lembro de, anos atrás, voltar para casa depois de ter um grande triunfo com 'A Última Noite de Boris Grushenko' ('Love and Death') e, mesmo assim, a garota do apartamento em frente não quis sair comigo. Eu estava em casa, sozinho, comendo comida chinesa diretamente da embalagem, sem nada a fazer exceto assistir à televisão. O sucesso nunca significa nada".

11.28.2008

A mágica do peixinho dourado


Era uma vez um peixinho dourado amaldiçoado, perdia sua memória a cada 3 segundos. E tudo que viveu, tudo que viu e ouviu se perdia, como se fosse engolido por um grande ralo.
Seu passado não importa, e o seu presente é constituído por segundos. Quando passam aqueles calculados 3 segundos nada existe mais, surge o vazio total.
Todos já cruzamos com peixinhos que não tem capacidade de aprender com a vida, que esquecem os erros cometidos e os cometem de novo com a mesma empolgação que testemunhamos antes. Peixes em que relacionamento é sinônimo de sucessão de pessoas sem significado, de momentos teatralizados e sem emoção. Após 3 segundos de distância da pessoa amada, pronto! A mágica acontece! O afeto, o carinho, o compromisso se perde no vasto esquecimento do pequeno peixe. E se a pessoa amada se vai, a única coisa que o peixinho se presta a fazer é ensaiar uns suspiros, fingir algum ressentimento, mas logo após ele vai nadar leve e brilhante pelo oceano a fora, balançando sua calda como se nada tivesse acontecido. De fato pra ele nada aconteceu.

(essa lenda de que memória de peixe dourado dura apenas 3 segundos está caindo por terra, alguns estudos mostram que eles são mais espertos do que a gente imaginava. Na verdade eles são criaturas sonsas, fingem-se de bobos.)

11.26.2008

Summertime

(Nina Simone)
Summertime and the livin's easy,
Fish are jumpin', and the cotton is high.
Oh yo' daddy's rich and yo' ma is good lookin',
So hush, little baby, don' yo' cry.

Castração

Anastácia acorda toda manhã um pouco mais cedo que o normal, só para ter o prazer de ficar na cama mais um pouco, como se estivesse transgredido alguma regra, ela acorda, desperta, e espera os 15 minutos decorrentes do seu adiantamento com grande satisfação. Depois se veste com carinho, ajeita a meia-calça com as mãos em movimentos delicados, orgulha-se de suas pernas, sempre se orgulhou. As meninas do ginásio a invejavam-na, pois o cobiçado professor Heitor de educação física uma vez elogiou a resistência de suas coxas, suas palavras ecoam em sua cabeça até hoje. E ela não controla o surgimento de um sorriso ao lembrar-se desse fato.
Ela se olha no espelho, ao contrário das pernas ela não gosta do que vê. Nunca gostou muito da carcaça com que nasceu, sente que aquela que ali está, do outro lado, não é ela. Um metro e meio de altura. Cinquenta quilos de carne, ossos, pele. Cabelo preto, comprido, liso, à força de tanto o esticar. Alguns cabelos brancos. Olhos escuros. Um nariz grande, redondo. Uma pele ruim, cheia de poros abertos, pontos negros, vermelhidões. Suas mamas parecem cada vez mais pequenas, cada vez mais caídas, como se fossem flores murchas dentro de uma jarra. O peso do tempo a preocupa. As vezes sente que desperdiçou parte da vida com o trabalho, teve poucas oportunidades de se envolver com homens. Ela lamenta.
Ao sair, pára em um sinal e um homem de meia idade sussura em seu ouvido: “Com esse cabelo preto deves ter um bom grelo. Lambia-to todo! Horrorizada Anastácia atravessa a rua, sentindo um calafrio percorrer suas costas. Derrepente se vê sobressaltada, e totalmente perdida na cidade em que nasceu e viveu toda a vida. Um ardor percorre seu sexo, e ele se humedece. Ela pensa em parar, em se virar. Vem a mente suas experiências com sexo; o ardor, a queimação, o incômodo causado pelo membro rígido que teima em entrar em um orifício que sempre permaneceu fechado. Seu estômago revira.
Ela acha absolutamente justificado o seu desprezo pelos homens. Por que Deus criou o corpo das mulheres para sofrer, ela sempre soube disso, são cólicas, dores no parto, dores no ato sexual. Será por isso que ela nunca sentiu prazer no sexo? Todos julgam-na frígida, mas ela sabe que Deus amaldiçoou as mulheres. Por isso não se importa com os prazeres carnais, eles não são para as mulheres. Mas em seu íntimo ela queria que ao menos uma vez os homens sentissem dor no sexo, para saberem um pouco do que são feitas as mulheres.

Estou me deixando levar por sorrisinhos.

Falta-me sentido para acordar a cada dia, faltam-me os sentidos durante o dia.
Mazelas de nosso tempo? Sentir-se infeliz por não ‘ter’, não ‘ser’, não ‘estar’, e no meu caso nem ‘parecer’ cabe.
Infelicidade genuína e pura, límpida e translúcida como água, pela simples amargura de estar viva. De ter o que fazer e não sentir vontade de executar. Objetivos? Metas? Pra quê? Qual é o prêmio no final? Até hoje não obtive nenhum troféu, nem mesmo tapinha nas costas.
Caminho para um final, que não sei qual é, mas que deve ser tão triste quanto eu mereço.
Sempre fui de essência melancólica, mas aprendi a conviver com isso. Da mesma forma que aprendi a conviver com meu cabelo crespo, minha magreza, meus problemas familiares, sem os aceitar apenas os suportando. Às vezes me pergunto se deixar de forçar vai adiantar? Uma hora a gente cansa, e eu já me cansei há muito tempo.
Ando por ai triste, cansada e desacreditada. Sofro de desencantamento Weberiano crônico. Colou-me no peito uma amargura que não desgruda, um amargo na boca, e no rosto uma expressão taciturna. Pobre de mim.

11.22.2008

Poker Love


Se relacionar é jogar, e não há jogo que combine mais com o flerte do que o Poker. Os jogadores de Poker irão me entender! O objetivo do Poker é ganhar as fichas da outra pessoa. Você tem suas cartas e seu ‘adversário’ tem as dele, nem um dos dois sabe o que há na mão do outro, então começam as apostas. Você pode começar apostando alto, mas isso assusta o adversário, é bem melhor começar com um lance baixo e esperar para ver o que ele vai fazer. Se ele for aumentando a aposta, ótimo! Você pensa: alguém vai lucrar aqui. Ou ele pode não apostar e te deixar com aquela mão maravilhosa doido pra jogar a ver navios... Acontece também o adversário querer pular umas rodadas e não jogar, ai é ter paciência e esperar. Mas quando você escolhe um bom parceiro o jogo pode ser inesquecível, quanto os dois estão comprometidos em apostar e a tentar entender as jogadas do outro é magnífico. Há também o blefe, é quando suas cartas não são nada promissoras, mas você finge que elas são, ai a outra pessoa pode cair na sua, e olá fichinhas!! Ou você cair em um blefe, e apostar alto e se dar mal... Adeus fichinhas. Às vezes você fica no sufoco, não quer apostar e pede mesa, e seu jogo muda completamente. Nunca se sabe qual carta virá; às vezes você está preparando uma super flush, e as cartas que chegam ajudam seu adversário a fazer um full house e você crê que vai arrasar e ele arrasa você, te deixando de quatro com uma maça na boca. No jogo sempre temos que contar com imprevistos. Há os mais afoitos que querem mostrar logo as cartas que têm na mão, e quando você sabe as cartas de seu adversário fica muito mais complicado, porque você tem que decidir pelos dois o que fazer. Ou dá um banho nele e pega todas as fichas e vai embora jogar com outra pessoa, ou tenta ser mais generoso e dividir igualmente entre os dois, a primeira opção é mais tentadora para os não principiantes. A diferença entre romance e jogo é que no amor ninguém sai ganhando ninguém sai perdendo. No final você sempre aprende alguma coisa, mesmo que você saia sem uma puta de uma ficha!

11.16.2008

Cadê a educação?

Lanço uma campanha em prol da educação nos meios de comunicação. Você já percebeu como ninguém se preocupa com regras de etiqueta na internet? Não é porque estamos na internet, onde ninguém nos conhece, que é válido não ser cordial. Pessoas que deixam a conversa e não se despedem. Você manda um recado e a pessoa te responde séculos depois. Trata-se o interlocutor como se ele não esperasse a resposta, como se ele soubesse o que o outro faz e vê, se leu ou não. Parece que a internet é povoada por autistas, que acham que o mundo gira em torno deles.
Estendo minha indignação ao telefone (principalmente o celular). Você liga uma vez e a criatura não atende, cria coragem, liga a segunda, e a pessoa nada. Você se sente ignorado, e alguns dias depois você encontra o(a) infeliz e ele(a) diz: ah, eu vi que você ligou o que você queria? Porra! Se viu por que não retornou?
Outra coisa desprezível é o tal de três segundos: ‘onde c ta?’. Várias vezes respondi em seguida, e demorei alguns segundos para perceber que a pessoa desligou, não tem como não ficar constrangido.
Então seres internautas vamos:
- Responder recados com certo esmero e rapidez.
- Colocar crédito no celular.
- Se despedir ao sair da conversa.
- Dizer oi antes de iniciar qualquer assunto.
- Não ficar ligando a cobrar pra todo mundo.
- Se perguntar, a pessoa responder, agradeça.
- Não desligar na cara das pessoas.
PS: se o leitor lembrar de mais alguma favor completar nos comentários.

Queria trocar de rosto


Não necessariamente mais belos
Escolheria os de homem
Os de bicha
Queria ter todos os rostos

E trocá-los como minhas roupas
Ser invisível
Ser admirada
Agredir
Sossegar

Vestiria as rugas de um velho
Sábia, me sentaria no jardim
Acenderia meu cachimbo
E veria o mundo passar

Seria uma bela negra
Escura e Corpulenta
Teria um arrogante olhar
E um rico namorado

Queria ser todos
Para não ser nenhum
E modificar
Para nunca me enjoar

A saga natalina materna.


Natal é época boa na vida da gente até os 10 anos, depois vira tudo uma sucessão de presentes infelizes e festinhas chatas com tios bêbados. Essa magia coca-cola já se perdeu há muito tempo na minha vida, e por um bom período abdiquei de comemorar o natal, pela total falta de sentido. Mas quando os miúdos nasceram, primeiro a Helena e depois o Pedro, tive que retomar os sonhos de infância, mas agora sobre nova ótica: tentar fazer um bom natal para meus rebentos.
A saga começa na escolha da arvore de Natal, quanto maior mais bonita, e mais cara. Os enfeites variados e coloridos também são apelativos e custosos. Mas o mais difícil são os pedidos das crianças, ter que gastas 1/3 do meu salário em um boneco feio, que eu sei que vai perder o braço em um mês, é difícil. E mais ainda é encontrar aquela Barbie Cinderela flash plus, que apareceu no comercial e que só serve ela!
E as intermináveis tardes de passeio no shopping?! Hoje os levei para passear no shopping e conversar com o papai Noel, que pra mim parecia mais meu tio Dirceu de barbas, ele sempre bebeu demais e ficava vermelho e bobo. Fiquei três horas na fila do papai Noel para as crianças ouvirem dois segundos de um ‘hol hol hol’ e a porra da rena gritar: próximo!!!!
A Helena quis sorvete, Pedro quis a piscina de bolinha, depois o hambúrguer que vem com brinquedo. No final estava exausta, sem dinheiro, e com meus filhos mal alimentados e agitados. Viva o espírito de Natal.

11.05.2008

Olhos descascados

Meu amor,

Meu corpo está estagnado,
no mesmo lugar.
Parada,
sempre,
sentada,
esperando você.

Meu corpo teu,
vive de sua alma,
eu respiro tua pele.
Amo suas víceras.
Cálida.
Te espero

Percebo um corte no rosto,
sinto sua lembrança,
seu pênis dentro de mim,
seus pelos em minha boca.
Te espero

Seus dedos me apertam,
deixam marcas em minha pele.
Meus cabelos em suas mãos.
Minhas unhas soltam pelo seu corpo.
Doi.

Seu sêmem em minhas mãos.
E o que eu faço com tudo isso?
Eu enterro espinhos,
mas eles voltam para espetar meus pés.
Bebo sua saliva.
Me banho em seu suor
E esse seu vômito como eu posso aproveitar?

(Carta de amor escrita quando descobri a obra de Beth Moysés, seu trabalho gira em torno da violência contra a mulher)

11.04.2008

Coisas das quais eu me orgulho, mas talvez não devesse

Meu dedão da mão vira muito e isso facilita a jogar sinuca.
Jogo sinuca.
Jogo baralho.
Tenho uma cama grande, apesar de ter sido quase um erro comprá-la.
Escrevo com freqüência.
Ainda uso tremas.
Faço várias coisas ao mesmo tempo (nem sempre dá tudo certo).
Tenho tatuagem
Durmo bem de conchinha.
Meu número de celular nunca mudou (e o aparelho só 3 vezes).
Bebo muita água.
Sei o que está passando em todos os canais parando menos de um segundo em cada. (isso é legal)
Faço coisas sem a menor importância parecerem interessantes.

Meu bem, você está me achando agressiva hoje? O.0 (1)

Por que todo mundo é tão decepcionante? Porque bem lá no fundo, são todos uns covardes. Uns covardes! O mundo inteiro virou um bando de covardes. Todo mundo tem medo de tudo, ninguém tem coragem de assumir porra nenhuma, onde foi parar a honra viking?! Ou a lealdade de um guerreiro espartano?! Não existe mais... Só vemos por ai medo e falta de caráter que unidos resultam em decepção.
Bando de bundas moles que não se acham bons o suficiente e ficam tentando convencer a gente que são fodas, ai quando nós finalmente estamos convencidos passamos então a convencer a eles mesmos dessa mentira. Esse é o jogo!
Eu to puta com um monte de coisas, que vão desde a eleição nos Estados Unidos, passando pela Margarida ter perdido as eleições aqui, terminando no preço absurdo dos chocolates. Como essas merdinhas calóricas ficam caras!! Um singelo batom que na minha infância custava 0,20 agora ta 0,50! Onde esse mundo vai parar? O que uma mulher de TPM deve fazer para ter um pouco de caloria a preço módico?
Enquanto isso, estamos aqui todos perdendo tempo com essa putaria de internet, que só serve pra atrapalhar a nossa vida. Só serve pra dar vazão a expressão dos covardes.
Ficam como ratinhos fuçando e entrando em salas de bate-papo e na pior das hipóteses no seu MSN dizendo um monte de asneiras ao alcance do mouse. A internet possibilita isso, aos “gatinhaRJ2008”, ou “razorhead25”, ou “gostosao715”, dizerem o que pensam. E quer saber de uma coisa? Eu estou pouco me lixando para o que vocês pensam! Se quiser dar opinião sobre alguma coisa então pelo menos tenha a decência de assinar em baixo. Porque opinião por opinião minha cachorra também tem a dela sobre rações caninas.