4.30.2008

e finalmente a conclusão! (8)

Normalmente quando vou para a faculdade acordo atrasada, levanto e me visto com a roupa mais confortável que eu achar limpa, pois terei um dia cansativo pela frente, prendo meu cabelo do melhor jeito e mais prático possível, engulo alguma coisa em casa ou compro no caminho, saio correndo desesperada pro ponto de ônibus e chego suada nele, quando (depois de muito esperar) consigo entrar em um ônibus, ainda envolvida no sonho que tive, olho para o lado e o que vejo? Uma garota com uma roupa incrível, um sapato maravilhoso (com certeza ela escolheu com cuidado), o cabelo impecável, unhas feitas, cheirosa e maquiada. Aí eu penso ‘Meu Deus! Como ela consegue!’ Eu nuca consegui na minha vida maquiar meu olho inchado de sono, não dá! Simplesmente não dá o lápis não pega! Confesso que tenho uma pontinha de inveja dessas meninas, porque nunca conseguir ser impecável como elas. Nunca fui a que ia pra aula com os acessórios mais legais, mas sei que sempre soube respeitar meu sono, nunca acordei mais cedo pra me maquiar ou arrumar o cabelo, aproveito cada minuto de descanso, sempre estive confortável na minha pele, mesmo com a roupa que não é tão legal e com a blusa tampando minha axila com a depilação vencida nunca deixei de ser notada e principalmente amada.

O namorado ¬¬ (7)

Então Sra. e Sr. depois de três dias de produção, por que não há possibilidade de fazer tudo isso com perfeição em menos tempo, nós estamos finalmente prontas pra sair e arrasar ao lado do nosso tão querido namorado que vem nos buscar, e quando ele chega você constata que ele está vestido com a primeira camiseta de malha que achou um jeans e um sapato super confortável. Agora vocês me dizem, é justo?
Não acho que as mulheres devam ser escravas da beleza, e principalmente desses meios desumanos de conseguir ela, mas também não acho que os homens devam ser desleixados, acho que tudo fica bom no meio termo. As mulheres deviam se desligar um pouco da vaidade e da competição e os homens entrarem um pouco nela.
Uma das coisas que mais me intrigam na vida são essas meninas que conseguem estar o tempo todo impecáveis, depois da descrição detalhada que dei abaixo dá pra perceber que não é fácil estar sempre impecável.

E a roupa? (6)

E você acha que acabou? Nããããããooo, ainda falta escolher a roupa que tem que casar perfeitamente com a ocasião para não parecer nem um pavão e nem uma ameba perto das outras mulheres. È lenda essa história que as mulheres se vestem para outras mulheres, nós nos vestimos para os homens, só que temos concorrência (e que concorrência) então se não nos preocuparmos em superar ou pelo menos igualar a produção das mulheres que irão estar presentes, adeus sucesso, a sensação é que ninguém percebe a nossa presença, e não há mulher nesse mundo que não goste de ser notada...

E os cabelos?(5)

Tudo começa na meticulosa escolha do creme e do shampoo, horas no supermercado analisando preços, quantidades e qualidades, sempre que vou ao supermercado há uma pobre mulher debruçada sobre a prateleira analisando qual a melhor opção, hoje há opções para cada tipo de cabelo com preços diferentes e apelos publicitários cada vez mais convincentes, só nós sabemos o que a escolha de um creme sem enxágüe errado pode acarretar. Chegando em casa é hora de passar os 5 cremes e shampos na ordem correta e após o banho relaxante de 1h, mais 1h de escova, piastra e tudo mais o que temos direito, estica aqui, puxa ali, coloca aquele pra trás, e lá estamos nós parecendo a capa da Mary Claire. Lindas!

E as unhas? (4)

Malditos pedaços de cálcio que nascem nos nossos dedos, os quais nós pobres mulheres temos que ficar cultivando como um alter-ego. Depois de um bom tempo retirando a carne envolta, cortando (só o necessário, claro), lixando, e escolhendo a cor do esmalte que mais combina com o tom de cabelo, estamos lindas, mas só por uns quatro dias que é o tempo em que o esmalte começa a descascar e a cutícula a nascer, aí é hora de fazer tudo de novo...

E a depilação? (3)

Quem já se depilou sabe do que eu estou falando, nada mais torturante do que depilar a virilha, esses malditos pelos que insistem em nascer ao redor da tão cobiçada vagina. Nada mais humilhante do que ter os pelos do cú retirados por uma estranha, se você nunca passou por isso, parabéns. Sem contar os pelos do resto do corpo, principalmente os da axila, eu gostaria profundamente que os pelos da minha axila demorassem mais para crescer, quem nunca trocou a camiseta de alcinha em um calor esfuziaste por uma blusa de manga por não estar com a depilação em dia? Em quanto isso, os homens ostentam um leque-peludo-nojento quando levantam o braço como se fosse o equivalente da masculinidade deles.

Sonho de uma noite de verão (2)

Como vocês podem perceber estamos em uma época de festas, e principalmente formaturas, perto do Cine Teatro Central observei várias pessoas muito bem vestidas, e dentre elas uma menina com um lindo vestido vermelho e um sapato gigantesco com strass, trazendo a tiracolo um garoto magrinho trajando uma blusa de malha e um jeans. Ela não estava com uma cara boa, aí pensei ‘Ela esta brava porque ele não está tão bem vestido quando ela’ e por um momento percebi como é injusto as regras sociais de estilo e beleza entre homens e mulheres.

Sonho de uma noite de verão (1)

Estava sozinha no meu quarto gigantesco quando de repente após uma crise de tédio me senti terrivelmente sozinha, e como toda pessoa sensata saí para comprar um cigarro (no varejo é claro, não compro maços pra não me sentir viciada). Saí pela rua na noite vazia de JF em férias, passando por uma série de lugares, arrastando minhas havaianas, fumando meus cigarros e ouvindo U2 me veio à mente uma série de questões relevantes...

4.29.2008

Diane Arbus, 1966


a young man with curlers at home on west 20th street, NY 1966

Mau gosto


Estava assistindo CSI Miami, que é uma cópia, e porque não dizer paródia, do CSI Las Vegas, quando me deparei com o personagem – chefe de investigação – mais sem credibilidade que eu já vi na vida. Além da falta de carisma e talento, falta-lhe bom senso ao pintar o cabelo.
Por que certos homens quando ficam velhos pintam o cabelo de louro acaju? Existe cor mais infame do que louro acaju? Onde está o bom senso dessa pessoa? Ou melhor, onde está a esposa dessa pessoa? Uma mulher jamais deixaria essa blasfêmia acontecer. Com exceção das tias que pintam o cabelo de vermelho intenso.
Já sei!!! As tias de cabelo vermelho intenso são esposas dos tios de cabelo louro acaju. Só uma pessoa de muito mau gosto conviveria com outra de mau gosto na mesma medida.
Eu fico imaginando os filhos...

PS.: ele pinta a sombrancelha também.

Madeira

Às vezes sinto nostalgia do tempo em que não vivi. Sinto falta do tempo que custava a passar, sinto falta da época em que se tinha tempo para pensar, planejar, e só depois executar.
Sinto falta das conversas bobas de portão, das famílias que em tempo de calor sentavam-se a porta para conversar com os vizinhos enquanto os pequenos brincavam.
Sinto falta do tempo em que não se matava de trabalhar pra comprar tecnologias fúteis. Sinto falta da época em que a tecnologia não atrapalhava nossas vidas, onde escrever cartas era um prazer normal. Onde rever um grande amigo demorava muito, e a emoção do reencontro era imensurável.
Sinto falta da época em que para não se estar só devíamos estar com a família, onde as famílias eram fundamentais na vida das pessoas.
Acredito e amo essa inocência que foi perdida com o aumento da capacidade de comunicação, e a diminuição da sua qualidade.
Amo esse mundo que cheirava a madeira.

A garota que ví hoje.

Há pessoas que me despertam um interesse visual quase incontrolável. Não estou falando de interesse sexual, e sim interesse visual.
Na maioria nem se trata de pessoas bonitas, daquelas que não se consegue tirar o olho. Não! São na maioria das vezes pessoas comuns, e até banais, mas dotadas de uma expressão, de uma plasticidade emocionante.
Hoje me deparei com um exemplar desse tipo de pessoa no supermercado. Era uma garota mais baixa que eu, de cabelos cor de malva, lisos, brilhantes e compridos, pele morena e sadia, nariz arredondado um pouco arrebitado na ponta e belos olhos grandes contornados por olheiras que lhe caiam incrivelmente bem.
Não desgrudei os olhos dela na fila do pão e a segui até o guichê, ela me parecia tão alva e melancólica, fiquei imaginando se ela sofria. Fiquei imaginando no que ela estaria pensando e defini que era na avó materna com quem ela vive desde que começou a faculdade. A família muito religiosa e conservadora não permitiu que ela morasse com suas amigas, ela sofreu em silêncio nos primeiros meses, mas depois acostumou-se com as manias da avó, e se calou.
Os cinco pães que escolheu displicentemente eram para ela e a avó, para o café da tarde e o desjejum da manhã. Ela pensava na vida que levava, na faculdade que estava cursando, as matérias que teria que estudar quando voltasse pra casa.... Ela se impressionava com a facilidade das teorias, nuca teve maiores problemas com o conteúdo da faculdade, pelo contrário, às vezes achava chato e enfadonho, pouco desafiador. Ela se lembrou do namorado que mora na cidade de sua família que viria no final de semana, pensava no quanto ele é importante pra ela, no quanto ele a ajudou, e que ela jamais teria coragem de se separar mesmo não o amando mais, mesmo achando que ele não a toca mais como antes, mesmo sentindo que ele transa como quem cumpre uma necessidade física. Mesmo assim ela não se via sem ele.
Segui a garota até a porta do supermercado e depois ela se foi. Deixando-me um aperto no coração.

4.26.2008

Elizabeth - A era de ouro



Filme impecável em Produção de Arte. As cores são de morrer! Vibrantes! Quentes! Vivas! O diretor é indiano o que me faz desconfiar que ele usou sua bagagem cultural.
Voltando ao filme... Eu destacaria o trabalho de iluminação. A luz narra quase tão incisivamente quanto o texto.

Há momentos em que a luz desce transversal ao plano, criando uma aura luminosa nos personagens, propondo uma outra interpretação a cena. Há momentos em que a luz é refletida no chão subindo difusamente, criando um ambiente límpido, sublime e etéreo.
Destaco uma cena em especial: a última, onde a luz representa à narrativa. A cena se passa em uma sala iluminada por uma grande janela, Elizabeth pega o filho de seu amante do colo e a luz bate nela de perfil por trás, uma menção nítida a virgem Maria, há um giro de câmera e a luz fica de frente para a atriz, a luz resplandece na tez clara de Kate Blanchett e ela se ilumina, comparando-se a uma divindade, sua personagem de mãe do povo se torna uma Deusa! Com certeza Elizabeth III vai ser a grande rainha em seu momento mais sublime. Estou aguardando...

A Pele


Filme que vai além das redundantes biografias que vemos por aí.
A Pele é uma fábula que conta uma parte da vida de Diane Arbus a qual não temos muitas informações, tentando traçar a transição de uma mãe de família para uma fotógrafa atenta ao seu tempo, sem hipocrisia e extremamente sensível.
Sua atração pelo freak amadurece no decorrer da trama, e ela descobre um meio de se expressar e botar o dedo na ferida de um EUA American Way of Life.
Nicole Kidman usa todo seu talento (o qual nem sempre vemos em seus filmes) para dar vida as expressões e principalmente aos olhos de Diane – e que olhos!
A protagonista abre a porta e um universo de experiências e aberrações, e entra com tudo nessa viagem, (que me lembra muito Aventuras de Alice no Pais das Maravilhas).
Aconselho a quem for ver o filme que se informe previamente a respeito do trabalho dessa incrível artista, e sua morte por suicídio anos mais tarde, assim a trama cria mais sentido. Perceba suas inquietações, e o universo obscuro e incrivelmente belo em que ela se aventura.
O filme apresenta uma bela Diane Arbus atormentada e nascendo.

4.02.2008

(...)

Infeliz da rafaela
Pobre garota de sonhos reprimidos
Sonhos condensados em desejos maltrapilhos
Pobre menina
Que sofre pelos amores perdidos
Sofre na mão do bandido
Pobre rafaela com tranças
Deitada
Enrolada
Miúda
Na cama
Pobre rafaela que chora
Sofre as dores do amor romântico
Sem nem mesmo acredita-lo
Sofre como quem sofre de um tédio doloroso
Sente dor no peito
Dor nas ancas
Pobre rafaela que se devora

3.31.2008

Ode a tristeza

Sou de essência melancólica. Respeito meus momentos de tristeza, dou a eles o tempo e a gravidade que necessitam, nada além. Saber respeitar os momentos de infelicidade é básico da existência, pois a vida é cíclica, angústia e mal-estar são condições humanas.
Mas a felicidade sempre volta...
Para algumas pessoas saber que serão um dia felizes é novo combustível para a vida, para outras saber que a tristeza vai voltar é saber viver.
Em um mundo altamente competitivo, estar triste pode ser interpretado como um sinal de fraqueza. Não ter o direito de estar triste, não ter o direito de expressar-se. Mundo cruel com as pessoas tristes.
Temos que vencer! Vencer a qualquer custo. Vencer o quê/ vencer quem? A realização na vida é um objetivo. Mas se lembrar que existe carne, existe vida, existe EU. Lembrar que existe matéria viva pulsando dentro de mim, dentro de todos. Matéria que é ignorada. Dar valor as circunstâncias, ao menor e invisível, ou ao menos importante. Sempre se lembrar que nada é perfeito, nada é eterno e essencial. Saber que quando se conquista algo grande vem junto uma carga de responsabilidades e deveres, e isso transforma esse bem em algo não tão bom assim. Existem pessoas que simplesmente não suportam isso. Lembrar que tudo é mutável, não se pode prever, e que nada é eterno, intocável, nem nós nem nossa felicidade. A tristeza é parte do todo, ela é natural e importante. É bela.

Billie Holiday



Billie Holiday tem um maravilhoso cheiro de mofo.

Mais uma das minhas lamentáveis poesias

Eu me perdi na minha mente, nos meus devaneios.

Falar sobre mim
Preciso me silenciar,
preciso me recolher,
me buscar,
me calar.
Saber respeitar o silencio,
o seu momento.
Saber se reintegrar se reconstruir,
se decodificar.
Me buscar em mim,
Quero me achar em mim.
Terrivel essa sensação de se perder

3.06.2008

Odeio Shopping

Estava a passear em um shopping da cidade, entretida entre vitrines e pessoas.
Sentei-me em um banco duro que combinava com a decoração austera e fiquei a observar: deixei meu olhar vaguear pelos transeuntes, vitrines e vendedoras. Percebi de relance que seria capaz de ficar ali por horas. Em um lampejo de consciência notei a engenhosidade dos Shoppings Centers.
Vamos analisar:
1. Não tem janelas, o mundo com seus problemas e barulhos fica do lado de fora, é um novo espaço que te acolhe e te desliga. Em certos ambientes isso fica tão evidente que é impossível não levar um susto, exemplo: lugares com ar condicionado (a experiência de estar em um lugar com ar condicionado e sair ou vice-versa é único).
2. O shopping é formado por lojas colocadas lado a lado, entre uma vitrine e outra não há espaço, não há pausa, somente apelo visual, que nos impede de pensar.
3. Lugar infestado de pessoas consumistas. Aquelas que fingem que você não existe, ou em um dia de bom humor te olham de cima a baixo te fazendo se sentir tão desajeitado quanto um boneco de Olinda
4. A musiquinha inebriante que irrita, mas a certo ponto passa a fazer parte do ambiente.
5. Você vai ao shopping com sua melhor roupa e lá chegando constata que está brega e mal vestido, pois sempre vai haver uma roupa na vitrine melhor que a sua.

Aí começa o mal estar...

Como se sentir bem em um shopping?

Ana de Amsterdam


Nunca quis trocar meu nome, sempre me orgulhei do Rafaela, feminino de Rafael, feminina.
Às vezes diminuído a Rafa, Rá, Fá, Faela... Sempre achei sonoro, um pouco romântico, às vezes doce às vezes amargo. Gritado não fica muito bom, o ‘A’ se estende muito, mas bem sussurrado ao ouvido soa como música.
Várias consoantes, repetição de vogais. E um ‘E’ no meio.
Conheço poucas Rafaelas, poucas famosas, as vezes acho que sou a única, a verdadeira Rafaela.
Belo nome Rafaela.
Mas essas certezas foram abaladas por uma música: Ana de Amsterdam do Chico Buarque. Agora o nome Rafaela não me cabe mais, descobri que sou Ana.