
10.29.2008
Reflexão balzac + gardenal

Caros leitores, essa semana tive um insight mirabolante ao relembrar meus últimos relacionamentos percebi incrédula como os homens não conseguem falar de si. Quando você pergunta algo mais profundo que necessite um mínimo de sensibilidade você sempre escuta uma resposta engraçadinha, ou um ‘não sei’ desinteressado. E quanto ocorre uma DR, coisa que em alguns casos é precedido de uma cansativa e desnecessária briga, você finalmente diz o que pensa e o cara dá lá a resposta mais vaga que a total falta de interesse dele permitiu no momento, antecipado de um ‘não tinha parado pra pensar nisso antes’. Por que os homens não pensam? Seria falta de maturidade para compreender que um relacionamento envolve conversas e raciocínio? Se relacionar não é fácil, não é simplesmente se prostrar diante da TV pra ver o jogo em que o único exercício mental seria abrir a latinha de cerveja sem deixar espirrar no rosto. Pra isso eles são muito bons...
Acho que por isso sempre me relacionei com homens mais velhos, acho que eu a maioria das garotas também preferem, por se sentirem mais seguras e pelo nível intelectual, pois os homens só conseguem atingir a maturidade um pouco tarde. Mas um dos meus maiores achados nesses últimos tempos foram os homens de 30!
Ah! Como são interessantes os caras de trinta! Eles trabalham, mas já passaram da fase da empolgação com a carreira e não ficam obcecados, achando que ainda irão ficar milionários ou famosos. Já tiveram vários namoros e não se perdem em joguinhos. Tem estabilidade emocional e em alguns casos financeira, e o mais importante já estão na fase de não ter medo de relacionamentos. Mas o lance do futebol com cervejinha continua, e até se agrava. Mas mesmo assim concluo que os balzaquianos são uma raça respeitável. Um brinde aos balzaquianos!
Acho que por isso sempre me relacionei com homens mais velhos, acho que eu a maioria das garotas também preferem, por se sentirem mais seguras e pelo nível intelectual, pois os homens só conseguem atingir a maturidade um pouco tarde. Mas um dos meus maiores achados nesses últimos tempos foram os homens de 30!
Ah! Como são interessantes os caras de trinta! Eles trabalham, mas já passaram da fase da empolgação com a carreira e não ficam obcecados, achando que ainda irão ficar milionários ou famosos. Já tiveram vários namoros e não se perdem em joguinhos. Tem estabilidade emocional e em alguns casos financeira, e o mais importante já estão na fase de não ter medo de relacionamentos. Mas o lance do futebol com cervejinha continua, e até se agrava. Mas mesmo assim concluo que os balzaquianos são uma raça respeitável. Um brinde aos balzaquianos!
10.21.2008
Ri-dí-cu-lo
Merdosa a cobertura da imprensa nos casos de violência da moda (infelizmente tenho que usar essa expressão), a mídia faz um verdadeiro carnaval, bumba-meu-boi, samba de crioulo doido, nesses casos lastimáveis.
E há algum tempo ocorre uma sucessão de casos de violência. Quando um caso perde o interesse, ou os sanguessugas dos jornalistas não tem mais como chupar, largam a carniça de lado e partem para o próximo prato feito!!! E o caso antigo? Alguém se interessa em dizer o que aconteceu? Estou aqui querendo saber da garotinha e do garotinho que morreram e que comoveram (?) meio Brasil!
E a família da vítima? E a intimidade da família que é devastada por esses canibais de microfone? Toda a história familiar e pessoal da pessoa é contada no horário nobre, e os telespectadores jantam ouvindo sangue e assassinato com a boca aberta babada de miojo.
Estamos em tempo de mídia e vale tudo para aparecer na televisão! Até expor um caso de assassinato na sua família ta valendo... Como já dizia Chacal:
E há algum tempo ocorre uma sucessão de casos de violência. Quando um caso perde o interesse, ou os sanguessugas dos jornalistas não tem mais como chupar, largam a carniça de lado e partem para o próximo prato feito!!! E o caso antigo? Alguém se interessa em dizer o que aconteceu? Estou aqui querendo saber da garotinha e do garotinho que morreram e que comoveram (?) meio Brasil!
E a família da vítima? E a intimidade da família que é devastada por esses canibais de microfone? Toda a história familiar e pessoal da pessoa é contada no horário nobre, e os telespectadores jantam ouvindo sangue e assassinato com a boca aberta babada de miojo.
Estamos em tempo de mídia e vale tudo para aparecer na televisão! Até expor um caso de assassinato na sua família ta valendo... Como já dizia Chacal:
‘a propaganda é a alma do negócio.
a mídia, seu corpinho tatuado.
todo mundo quer publicidadee
dá-se o lombo para se ver impresso
em qualquer telinha
vida de galinha’
Agora além do habitual deleite da imprensa e da população, a família da vítima nesse novo caso ao que parece faz o estilo look at me, baby! E a coisa tomou proporções colossais, de pais e mães tendo colapsos (pai de caráter duvidoso, estava sendo procurado em outro estado), doação de órgãos da vítima (pra deixar a coisa mais bonita, e conscientizar as pessoas, sei...), as pessoas passando mal e batendo palmas no enterro (?).
A imprensa deve fazer seu trabalho estar perto e atenta, mas isso já é demais! Não agüento mais ver esses casos da bola da vez, cadê o jornalismo sério e objetivo? Isso me lembra a música do Tom Zé do álbum Todos os olhos (1973):
“E por que é que um Zé qualquer de vez em quando tem que dar sete sopapos na mulher?
Diga, Zezé.
- Ah! Isso é pra no outro dia de manhã cedinho vender muito jornal,
viu, Dodó?”
Ou seja, essa balela já vem de muito tempo. A conclusão que eu chego depois dessa balbúrdia é que a nossa imprensa é tão despreparada e incopetente quanto nossa polícia que nunca consegue resolver a porra do caso.
FIM
10.16.2008
Papo de homem
O grande e inabitado universo masculino me surpreende a cada dia, outro dia achei um site que se ocupa totalmente dele, um site sincero e direto, li coisas inesquecíveis.
Mas não há como não se admirar com os genuínos exemplares dessa raça que conseguem ser tão acéfalos. Agem como deuses, dominam e tomam decisões, mas não se sentem potentes o bastante quando se deparam com uma Mulher. Sentem medo, se encolhem, se atrapalham, e se emplumam como pequenos poodles peludos machões. Pobres exemplares mal sucedidos de homens.
Mas não há como não se admirar com os genuínos exemplares dessa raça que conseguem ser tão acéfalos. Agem como deuses, dominam e tomam decisões, mas não se sentem potentes o bastante quando se deparam com uma Mulher. Sentem medo, se encolhem, se atrapalham, e se emplumam como pequenos poodles peludos machões. Pobres exemplares mal sucedidos de homens.
Carta às mocinhas virgens.
Minhas queridas que se guardam infortunadamente aos que um dia vislumbrarão o hímem intacto e inoculo!A vocês garotas que se chafurdam com essa verborréia derramada sobre suas pobres cabecinhas de vento, e por conformismo (ou falta de personalidade) buscam em vão se auto-afirmar através de afirmações mentirosas, dizendo que não querem sexo. E prisioneiras de seu íntimo e mal amado coração se super valorizam sem perceber que perdem assim o valor.
Á vocês amigas que se guardam ao príncipe encantado! Ser amado e belo que surgirá com todas as melhores qualidades e intenções, que irão respeitar e amar vocês pra sempre, da forma mais inesperada e mágica possível. Há vocês que acreditaram quando mamãe disse que iriam se casar com um belo homem e ter belos filhos, eu digo: esse homem não existe!
Sim, era tudo mentira... Nunca vai haver o homem perfeito, sempre vai haver um defeito (quando não for vários). Sempre vai haver aquela ‘coisa’ que estraga; aquele hábito lamentável, aquele passado que condena, aquele cabelo no peito do pé que dá nojo. Então caras amigas, não adianta de nada ficar se guardando pra sempre, esperando o cara certo que nunca vai aparecer. Não adianta transformar o sexo em moeda de troca, como se fosse o prêmio para o garanhão vencedor! Vocês só estão contribuindo para que esse machismo chauvinista babaca continue existindo. Não se esqueça que em uma transa os dois devem sentir prazer, os dois saem ganhando. Não digo que vocês devam sair transando com todo cara que der tesão, isso também não é bacana, mas construir a relação para a possível ocorrência do sexo é normal e saudável.
Não se iluda, seja consciente e dona de si, não aja impulsivamente, use e não apenas seja usada, sinta prazer, sinta os cheiros e sabores, esqueça o mundo lá fora, não esqueça a camisinha.
Mas se caso você queira um cara bonitinho que se cuida, gosta de ir às festas, mas não fica com um monte de mulher, não tem ex que enche o saco, não quer transar o tempo todo, gosta de conversar e te entende, então querida namore uma viado!
Beijos
Ass: tia Rafaela
10.10.2008
Blindness - Ensaio sobre a cegueira

Meu querido Blindness estreou, e como já é evidente formulei cada cena dessa história em minha profusa mente, havendo assim uma possibilidade muito grande de me deparar com a decepção da minha vida. Confesso que entrei no cinema temerosa, tentando disfarçar o medo do desastre. Mas assim que começou eu percebi o tratamento sofisticado que Meirelles deu a história, e a fidelidade aos fatos narrados no livro. Acalmei-me no decorrer da trama, e me vi envolvida entre o riso e o choro em vários momentos.
Destaco a atuação de Julianne Moore. Ela está perfeita! O que me causou uma grande inveja, pois esse era um dos personagens que eu gostaria de interpretar, agora menos um na minha lista.
A cena do estupro foi tratada na medida. Foi bastante explorado o momento que precede ao estupro, o que deu um tom dramático e belo a esse sacrifício. E eu feminista que sou não tenho como não admirar e me derreter com essa citação de Saramago (acho que posso chamar de citação), afinal o que nós mulheres mais fizemos na história foi justamente isso...
A cena que se segue, é uma das mais bonitas que eu já vi no cinema. No livro ela tem um peso magnífico, mas no cinema ela ficou perfeita! As mulheres lavando a garota que morreu, você percebe a cumplicidade, a relação de compaixão, e carinho levada ao extremo da sensibilidade feminina. É emblemático e tocante ver as mulheres sem dizer uma palavra, cometendo um gesto que só nós sabemos o quanto é importante.
Senti falta da cena que eu mais gostei no livro, em que a personagem principal leva comida aos seus debaixo de chuva e sua roupa se rasga deixando a mostra os seios, uma alusão explícita ao quadro A Liberdade conduzindo o povo, de Eugène Delacroix referente à Revolução Francesa. Mas eu entendo que essa cena no cinema e dentro do roteiro não seria tão interessante. Outro ponto negativo foi o cachorro, concordo com Saramago, teria que ser o vira-lata mais feio e carismático do mundo, e não um poodle grande.
Eu teria mais coisas a comentar, mas fico por aqui, de uma forma geral o filme guardou a dramaticidade da história sem excessos, e sem ‘pieguismos’. Não é um filme para as massas, mas para quem tem sensibilidade o bastante para perceber o quanto que essa história guarda grandes paradigmas culturais e sociais de nossa humanidade. Eu como eterna investigadora de Arte aconselho a quem for perceber o filme use a sensibilidade, e não apenas com o olhar e a audição.
Destaco a atuação de Julianne Moore. Ela está perfeita! O que me causou uma grande inveja, pois esse era um dos personagens que eu gostaria de interpretar, agora menos um na minha lista.
A cena do estupro foi tratada na medida. Foi bastante explorado o momento que precede ao estupro, o que deu um tom dramático e belo a esse sacrifício. E eu feminista que sou não tenho como não admirar e me derreter com essa citação de Saramago (acho que posso chamar de citação), afinal o que nós mulheres mais fizemos na história foi justamente isso...
A cena que se segue, é uma das mais bonitas que eu já vi no cinema. No livro ela tem um peso magnífico, mas no cinema ela ficou perfeita! As mulheres lavando a garota que morreu, você percebe a cumplicidade, a relação de compaixão, e carinho levada ao extremo da sensibilidade feminina. É emblemático e tocante ver as mulheres sem dizer uma palavra, cometendo um gesto que só nós sabemos o quanto é importante.
Senti falta da cena que eu mais gostei no livro, em que a personagem principal leva comida aos seus debaixo de chuva e sua roupa se rasga deixando a mostra os seios, uma alusão explícita ao quadro A Liberdade conduzindo o povo, de Eugène Delacroix referente à Revolução Francesa. Mas eu entendo que essa cena no cinema e dentro do roteiro não seria tão interessante. Outro ponto negativo foi o cachorro, concordo com Saramago, teria que ser o vira-lata mais feio e carismático do mundo, e não um poodle grande.
Eu teria mais coisas a comentar, mas fico por aqui, de uma forma geral o filme guardou a dramaticidade da história sem excessos, e sem ‘pieguismos’. Não é um filme para as massas, mas para quem tem sensibilidade o bastante para perceber o quanto que essa história guarda grandes paradigmas culturais e sociais de nossa humanidade. Eu como eterna investigadora de Arte aconselho a quem for perceber o filme use a sensibilidade, e não apenas com o olhar e a audição.
10.06.2008
Confissões noturnas
Doem-me os mamilos, apetece-me fumar e já não aguento ouvir a mesma música, sempre a mesma canção; a insônia a tamborilar em meus ouvidos, um barulho ensurdecedor. Meus olhos pesam, mas se recusam a fechar-se. Sinto meu corpo afundar na cama, como se estivesse sendo sugado por uma enorme vulva... E meu pensamento se perde.
Olho para meus pés e analiso o contorno dos calcanhares, os ossos que teimam em emergir, a sutil tortuosidade dos dedos e percebo o quão inútil em minha vida tem sido meus dedos dos pés.
Sinto vergonha de meus pés, sempre senti , recordo-me de minha tia Gracinha dizendo que pé de moça deve ser delicado, levemente arredondado e bem pequeno. Constrangia-me retirar os sapatos perto das matronas e mais tarde perto dos rapazes. Hoje olho para eles e sinto pena, pobres pés que foram negligenciados a vida toda, e agora de frente a eles me sinto confrontada por todos esses anos de pouca atenção. Benditas noites sem sono que nos mostra a verdade sobre os pés.
Olho para meus pés e analiso o contorno dos calcanhares, os ossos que teimam em emergir, a sutil tortuosidade dos dedos e percebo o quão inútil em minha vida tem sido meus dedos dos pés.
Sinto vergonha de meus pés, sempre senti , recordo-me de minha tia Gracinha dizendo que pé de moça deve ser delicado, levemente arredondado e bem pequeno. Constrangia-me retirar os sapatos perto das matronas e mais tarde perto dos rapazes. Hoje olho para eles e sinto pena, pobres pés que foram negligenciados a vida toda, e agora de frente a eles me sinto confrontada por todos esses anos de pouca atenção. Benditas noites sem sono que nos mostra a verdade sobre os pés.
Confissões noturnas
Observo faixas de luz passando vagarosamente pelo teto, ao lado do quadro as aranhas constroem suas teias devagar, e nelas unem pontos para formar um desenho inteiro, como na vida, em que uma cadeia de acontecimentos desenlaça em mais um traço do desenho. Sinto meu corpo afundar na cama, como se estivesse sendo sugado por uma enorme vulva... Há quem ache o silencio um momento de contato com sua intimidade mais profunda, mas não vejo nenhuma vantagem nisso.
Há quem se sinta incomodado com os barulhos ensurdecedores, ou com a falta de espaço para reflexão em meio a tanto caos auditivo.
Há quem se incomode com ruídos em determinados momentos do dia, ou deteste música, ou qualquer outro tipo de som que abale o difícil equilíbrio das coisas.
Eu fico na contramão do óbvio, e assumo sem receio do possível julgamento pseudo-psicológico que eu tenho medo do silêncio, não sei viver na falta de ruído, me desespera, angustia, estar em um ambiente em que o silêncio é duro como rocha. Estou tentando calar meus pensamentos? Seria apenas um vício relativo à solidão? Não sei dizer, mas criei para esse meu novo distúrbio um nome: tacifobia, em homenagem a deusa grega do silêncio, Tácita.
Retirar o silêncio das coisas talvez seja o que mais me dá prazer na vida.
Há quem se sinta incomodado com os barulhos ensurdecedores, ou com a falta de espaço para reflexão em meio a tanto caos auditivo.
Há quem se incomode com ruídos em determinados momentos do dia, ou deteste música, ou qualquer outro tipo de som que abale o difícil equilíbrio das coisas.
Eu fico na contramão do óbvio, e assumo sem receio do possível julgamento pseudo-psicológico que eu tenho medo do silêncio, não sei viver na falta de ruído, me desespera, angustia, estar em um ambiente em que o silêncio é duro como rocha. Estou tentando calar meus pensamentos? Seria apenas um vício relativo à solidão? Não sei dizer, mas criei para esse meu novo distúrbio um nome: tacifobia, em homenagem a deusa grega do silêncio, Tácita.
Retirar o silêncio das coisas talvez seja o que mais me dá prazer na vida.
9.26.2008
Meu cabelo entre os dedos, a tesoura em outra mão.
Acordo, cansada, o corpo teima em permanecer deitado, reluto. Levanto meu tronco, e procuro os chinelos, caminhando lentamente me acostumando com o ar frio tocando a pele, entrando pelo nariz, invadindo meu corpo. Meu estômago revira e reclama a falta de comida. Os braços pesam... Caminho em direção ao banheiro. A porta. Jogo-me no acento do sanitário, como quem entrega o corpo a uma boca aberta, aguardo. Entrego-me...
Oiço o ronco da cama, é ele a se revirar entre os lençóis. E penso na noite anterior; o telefonema, o bar, a música, o convite, o sexo. Meu corpo adormecido por baixo do seu, as pernas moles, e a dormência, a semiconsciência. Percebo enfim como é ser mulher, ao sentir meu corpo como fim em si mesmo, como um material a ser carregado e cuidado para propiciar prazer ao corpo do outro. E minha mente enclausurada que habita esse ‘corpo-pele’ busca lucidez. É nessa hora que me lembro dos dizeres de minha avó: “Raríssimas mulheres sentem prazer, filha. O homem, sim. Então a mulher precisa fingir um pouco, o que não tem essa importância que parece. Temos que cumprir nossas tarefas, o resto é supérfluo. Se houver prazer, melhor, mas e se não houver? Ora, ninguém vai morrer por isso.”
Levanto e olho no espelho. Procuro meu rosto no reflexo, e percebo como deixei de parecer comigo. Decido que preciso de um corte novo nos cabelos, abro a primeira gaveta e pego a tesoura. Meu cabelo entre os dedos, a tesoura em outra mão. Corto minha franja e ela sai um pouco torta. Olho-me. Toda a vida menosprezei os conselhos de minha avó, com misto de pena e desdém, mas agora percebo como é melhor ser uma deusa morta do que uma mulher viva.
Oiço o ronco da cama, é ele a se revirar entre os lençóis. E penso na noite anterior; o telefonema, o bar, a música, o convite, o sexo. Meu corpo adormecido por baixo do seu, as pernas moles, e a dormência, a semiconsciência. Percebo enfim como é ser mulher, ao sentir meu corpo como fim em si mesmo, como um material a ser carregado e cuidado para propiciar prazer ao corpo do outro. E minha mente enclausurada que habita esse ‘corpo-pele’ busca lucidez. É nessa hora que me lembro dos dizeres de minha avó: “Raríssimas mulheres sentem prazer, filha. O homem, sim. Então a mulher precisa fingir um pouco, o que não tem essa importância que parece. Temos que cumprir nossas tarefas, o resto é supérfluo. Se houver prazer, melhor, mas e se não houver? Ora, ninguém vai morrer por isso.”
Levanto e olho no espelho. Procuro meu rosto no reflexo, e percebo como deixei de parecer comigo. Decido que preciso de um corte novo nos cabelos, abro a primeira gaveta e pego a tesoura. Meu cabelo entre os dedos, a tesoura em outra mão. Corto minha franja e ela sai um pouco torta. Olho-me. Toda a vida menosprezei os conselhos de minha avó, com misto de pena e desdém, mas agora percebo como é melhor ser uma deusa morta do que uma mulher viva.
9.19.2008
eu Nunca quis. mas parece ser Mais forte que eu
Busquei por toda parte em mim uma forma de fugir do óbvio, mas às vezes o inevitável é tão potente que nos enlaça puxando-nos para o fatal. Segurei o choro, segurei a fala, segurei meu corpo na esperança de não reagir, fechei os olhos com força e prendi a respiração, esperando passar, mas foi mais forte que eu. Eu não consegui, e admitir um fracasso é mais doloroso que continuar suportando.
O que é justiça? Onde se encontra esse safado de destino que tem o humor mais negro que eu já vi? Eu tentei resistir até o último momento, mas as vozes na minha cabeça não se calaram. Meu corpo padece quando minha mente entra em conflito. Minha mente padece quando meu impulso subverte meu desejo. E eu expio meus pecados constante e dolorosamente. Cá estou eu desesperada agonizante, dentro de mim mesma, lutando para destruir a casca inabalável que criei. Olha pra mim. Onde foi que eu cheguei?
O que é justiça? Onde se encontra esse safado de destino que tem o humor mais negro que eu já vi? Eu tentei resistir até o último momento, mas as vozes na minha cabeça não se calaram. Meu corpo padece quando minha mente entra em conflito. Minha mente padece quando meu impulso subverte meu desejo. E eu expio meus pecados constante e dolorosamente. Cá estou eu desesperada agonizante, dentro de mim mesma, lutando para destruir a casca inabalável que criei. Olha pra mim. Onde foi que eu cheguei?
9.03.2008
Muitas saudades de escrever no blog, mas não encontro tempo.
Os dias vêm e vão e eu sinto que não me freqüento mais, estou precisando passear por mim, me perder em meus caminhos e reencontrar meus personagens para conversar, aposto que eles também sentem saudade de mim. Mas enquanto persigo meu coelho que me leva a lugares inóspitos e sombrios - ao contrário do coelho de Alice -, vou seguindo o sábio conselho de minha amiga "Aconteça o que acontecer... Continue respirando" ...
9.01.2008
Living in a ghost world...
Acabei de assistir a esse filme e não hesitei em guardá-lo no blog. Malditos escritores (principalmente os de quadrinhos) que compreendem tão bem o universo dos excluídos, não consegui me manter imune.8.21.2008
Blog, pra quê?
O que pretendo nesse blog é um auto-retrato, unindo fragmentos meus, pensamentos e sensações. Faço uma Colage com tudo que há em mim, do mais profundo ao extremamente superficial. Coloco minha pele estirada nessa tela, pra me entender um pouco, e me delimitar com um debrum feito pela medida de outras pessoas. Transformo ar, sonhos, e olhares em material de pesquisa, a partir das minhas sensações descrevo meu universo, o inverto e o miro em um espelho e enfim o observo se definir. Busco meus alteregos, e sensações mais ricas para tentar me encontrar no cerne do meu ser. E com palavras e descrições vou traçando o quadro da minha personalidade.
Sinta-se à vontade para observar.
Sinta-se à vontade para observar.
8.14.2008
Que tal nos olharmos no espelho e tentar vermos o que realmente somos?
Eu vou começar:
Sou morena, me acho demais, mais do que devia. Fui muito mimada quando era criança e me rebelei na adolescência. Passei a ser a ovelha negra da família, queria curtir a vida de forma intensa. Fiz tanta loucura e era tão impulsiva que engravidei aos dezessete anos. Abortei naturalmente no meio do ano. No final fui aprovada em um vestibular e me mudei para outra cidade. Morei sem pai e mãe por dois anos. Foi quando engravidei novamente para suprir a carência que o aborto me causou como mulher. Voltei para casa de meus pais e vivi, por quatro meses para minha filha, que é a minha vida. Voltei para faculdade, só que em outro curso. Quando minha filha fez dois anos consegui me enxergar novamente como uma pessoa separada dela. Somos companheiras e unidas, mas somos duas e não uma pessoa só. Foi quando percebi que estava deixando minhas ambições e meus sonhos de lado pela maternidade.
Tenho 23 anos e ás vezes imagino que tenho mais por cobrar de mim devido à maternidade. Se pudesse pedir uma coisa a um gênio da lâmpada pediria para lavar minha alma. Acho que me descuidei dela um pouco. Sinto-me sobrecarregada, os ombros pesados por não sei o que é. Mas pesa.
Muitas vezes concordo com a Marisa Monte: 'apagaram tudo, pintaram tudo de cinza' e me dá vontade de chorar, mas não sei o motivo. Sei, algo me incomoda, mas não consigo identificar para cortar de minha vida. Talvez sejam algemas que me prendem a algo, ou uma bagagem pesada que não seja útil a mim.
Sempre fiz minhas vontades, mas agora sempre que faço algo que quero me sinto culpada. Não entendo o porquê. Muitas vezes não consigo respirar também. Tem algo me sufocando.
Sou morena, me acho demais, mais do que devia. Fui muito mimada quando era criança e me rebelei na adolescência. Passei a ser a ovelha negra da família, queria curtir a vida de forma intensa. Fiz tanta loucura e era tão impulsiva que engravidei aos dezessete anos. Abortei naturalmente no meio do ano. No final fui aprovada em um vestibular e me mudei para outra cidade. Morei sem pai e mãe por dois anos. Foi quando engravidei novamente para suprir a carência que o aborto me causou como mulher. Voltei para casa de meus pais e vivi, por quatro meses para minha filha, que é a minha vida. Voltei para faculdade, só que em outro curso. Quando minha filha fez dois anos consegui me enxergar novamente como uma pessoa separada dela. Somos companheiras e unidas, mas somos duas e não uma pessoa só. Foi quando percebi que estava deixando minhas ambições e meus sonhos de lado pela maternidade.
Tenho 23 anos e ás vezes imagino que tenho mais por cobrar de mim devido à maternidade. Se pudesse pedir uma coisa a um gênio da lâmpada pediria para lavar minha alma. Acho que me descuidei dela um pouco. Sinto-me sobrecarregada, os ombros pesados por não sei o que é. Mas pesa.
Muitas vezes concordo com a Marisa Monte: 'apagaram tudo, pintaram tudo de cinza' e me dá vontade de chorar, mas não sei o motivo. Sei, algo me incomoda, mas não consigo identificar para cortar de minha vida. Talvez sejam algemas que me prendem a algo, ou uma bagagem pesada que não seja útil a mim.
Sempre fiz minhas vontades, mas agora sempre que faço algo que quero me sinto culpada. Não entendo o porquê. Muitas vezes não consigo respirar também. Tem algo me sufocando.
(continuação)
Meu medo é que seja minha filha. Não ela como pessoa, mas minhas obrigações com ela. A responsabilidade de ser mãe. Espero realmente que não seja isto. Que sejam meus pais e a família desestruturada que tenho. Ou que seja apenas uma fase para que eu possa me engrandecer como ser humano.
Sinto muita falta de rir como ria antes. Rir com muita vontade. Meu sorriso era minha marca registrada. Todos falavam. Hoje sorrio menos e com menos intensidade.
O sexo vem me acompanhando ao longo de minha juventude. Interessei-me por ele muito nova, apesar de perder a virgindade aos 17. Mas me masturbava desde os 12, 13. Depois que terminei um namoro de 7 anos descobri que não era feliz totalmente no sexo com o pai da minha filha. Mas me reencontrei com meu primeiro namorado e enfim transamos. Entendemos-nos muito bem na cama. Ele me faz sentir-me viva e desejada. Nos braços dele sou mulher, mas tenho vergonha de assumir um relacionamento sério com ele porque ele é pobre, é feio, mas é a verdade. Não falei isto para ele, mas se ele tivesse uma situação melhor, eu ficaria com ele.
Hoje estou na metade do curso de jornalismo. Eu sempre quis fazer isto ou psicologia. Estagio em um lugar legal. Tenho um dinheirinho por mês que dá para sobreviver, mas não dá para me realizar. Estou buscando a independência feminina do século XX. A sociedade nos impôs isto. Mas me encaixo no perfil de mulher que não precisa de homem. Pelo menos me imaginava assim quando era criança. Tô na luta! Tentando ser o que eu quero ser. Mas não me lembro muito bem do quero ser. Então estou perdida!
Sinto muita falta de rir como ria antes. Rir com muita vontade. Meu sorriso era minha marca registrada. Todos falavam. Hoje sorrio menos e com menos intensidade.
O sexo vem me acompanhando ao longo de minha juventude. Interessei-me por ele muito nova, apesar de perder a virgindade aos 17. Mas me masturbava desde os 12, 13. Depois que terminei um namoro de 7 anos descobri que não era feliz totalmente no sexo com o pai da minha filha. Mas me reencontrei com meu primeiro namorado e enfim transamos. Entendemos-nos muito bem na cama. Ele me faz sentir-me viva e desejada. Nos braços dele sou mulher, mas tenho vergonha de assumir um relacionamento sério com ele porque ele é pobre, é feio, mas é a verdade. Não falei isto para ele, mas se ele tivesse uma situação melhor, eu ficaria com ele.
Hoje estou na metade do curso de jornalismo. Eu sempre quis fazer isto ou psicologia. Estagio em um lugar legal. Tenho um dinheirinho por mês que dá para sobreviver, mas não dá para me realizar. Estou buscando a independência feminina do século XX. A sociedade nos impôs isto. Mas me encaixo no perfil de mulher que não precisa de homem. Pelo menos me imaginava assim quando era criança. Tô na luta! Tentando ser o que eu quero ser. Mas não me lembro muito bem do quero ser. Então estou perdida!
(esse texto foi roubado, mas não poderia deixar de colocá-lo aqui, a verdadeira dona dele me entenderá)
8.11.2008
Estudos sobre fotografia.
(Estou lendo um livro sobre fotografia e senti vontade de organizar meu raciocínio. Estão aqui algumas considerações feitas por mim, uma pseudo-fotógrafa)
A caverna de Platão e a relação com a realidade faz-me tecer uma relação com a fotografia, que se compara a essa busca frustrada pela realidade. A fotografia modificou a realidade, a partir do modernismo, essa realidade (dentro da caverna) propõe novos conteúdos para serem vistos, e mais, observados. A fotografia é um fragmento do mundo. Miniatura de uma realidade. Ela é a técnica que mais se relaciona com a realidade visível.
Imagens que idealizam, como fotografias de moda, não são menos agressivas que as fotografias que valorizam a depressão. Existe sempre um conteúdo de agressividade implícito em qualquer utilização da câmera. Para Diane Arbus, o ato de fotografar era feio, ruim, e isso a interessava. O fotografo pode ser considerado um ser perverso, pois ele se distancia de seu modelo e lança sobre ele apenas um olhar desfragmentado pelo meio técnico fotográfico, não há entre ele e o modelo um relação mais abrasada como há na pintura por exemplo. O ato de fotografar pode ser considerado um ato violento. Podemos perceber, portanto um lado fetichista no ato de fotografar, e ser fotografado. Fotografar é um ato de não intervenção, voyeurismo puro.
A fotografia é um instrumento de poder, tanto do fotógrafo que detém o poder de congelar o tempo, a imagem, quanto o objeto fotografado que se torna imortal. A fotografia sempre foi considerada um bem de luxo. O evento ou pessoa fotografada se torna eterno, por isso é tão importante fotografar-se durante a vida, principalmente crianças. O fato fotografado também se valoriza, e o evento que é registrado por meio de foto sobrevive para sempre, e isso dá um peso e importância histórica que nenhum outro meio dá.
Podemos dizer que hoje estamos mergulhados em um consumismo estético acentuado, provocado pela utilização muitas vezes agressiva da imagem, somos viciados em imagem, sofremos uma poluição imagética mental. Esse fenômeno torna claro o prazer erótico contido na fotografia tanto de quem a tira quanto de quem a observa.
Hoje em dia tudo que existe, existe para começar ou terminar em uma fotografia.
A caverna de Platão e a relação com a realidade faz-me tecer uma relação com a fotografia, que se compara a essa busca frustrada pela realidade. A fotografia modificou a realidade, a partir do modernismo, essa realidade (dentro da caverna) propõe novos conteúdos para serem vistos, e mais, observados. A fotografia é um fragmento do mundo. Miniatura de uma realidade. Ela é a técnica que mais se relaciona com a realidade visível.
Imagens que idealizam, como fotografias de moda, não são menos agressivas que as fotografias que valorizam a depressão. Existe sempre um conteúdo de agressividade implícito em qualquer utilização da câmera. Para Diane Arbus, o ato de fotografar era feio, ruim, e isso a interessava. O fotografo pode ser considerado um ser perverso, pois ele se distancia de seu modelo e lança sobre ele apenas um olhar desfragmentado pelo meio técnico fotográfico, não há entre ele e o modelo um relação mais abrasada como há na pintura por exemplo. O ato de fotografar pode ser considerado um ato violento. Podemos perceber, portanto um lado fetichista no ato de fotografar, e ser fotografado. Fotografar é um ato de não intervenção, voyeurismo puro.
A fotografia é um instrumento de poder, tanto do fotógrafo que detém o poder de congelar o tempo, a imagem, quanto o objeto fotografado que se torna imortal. A fotografia sempre foi considerada um bem de luxo. O evento ou pessoa fotografada se torna eterno, por isso é tão importante fotografar-se durante a vida, principalmente crianças. O fato fotografado também se valoriza, e o evento que é registrado por meio de foto sobrevive para sempre, e isso dá um peso e importância histórica que nenhum outro meio dá.
Podemos dizer que hoje estamos mergulhados em um consumismo estético acentuado, provocado pela utilização muitas vezes agressiva da imagem, somos viciados em imagem, sofremos uma poluição imagética mental. Esse fenômeno torna claro o prazer erótico contido na fotografia tanto de quem a tira quanto de quem a observa.
Hoje em dia tudo que existe, existe para começar ou terminar em uma fotografia.
8.07.2008
Gostaria de fazer um desabafo
Tenho uma namorada de 19 anos, que tem sido a fonte de minhas preocupações. Quando a conheci, há cinco anos, me pareceu a mulher certa, dotada de uma beleza encantadora, mas desprovida de inteligência, e isso me reconforta. Sempre gostei de manter meus relacionamentos sob controle e com ela não havia nenhuma dificuldade.
Apesar da forma respeitosa com que nos tratamos, que faria o maior incrédulo acreditar que nos amamos, eu sabia em meu intimo que havia deixado de amá-la há muito tempo, e o desejo por outras mulheres havia ressurgido de forma quase incontrolável. Pensei em contar pra ela sobre minhas vontades, pensei em dizer a verdade, dizer que a traí, mas fui covarde. Sei que ela desconfiava, mas nunca se manifestou.
Houve um dia que um pensamento me dominou: a passividade dela e compreensão com meus ímpetos só poderiam ser fruto de uma intensa culpa. Por que ela era tão compreensiva? Sei que não sou o melhor ser humano do mundo, e sei que ela teve que ceder a muitas imposições descabidas feitas por mim durante o relacionamento.
Quanto mais ela se dedica a nossa relação, mais desconfiava. A dúvida da traição me dominou. Ela passou a fonte de minhas preocupações. Será que ela resistiria à investida de outra pessoa? Por que ela se manteria fiel a mim todos esses anos? Tão indiferente e impecável.
Quanto mais ela se dedica a nossa relação, mais desconfiava. A dúvida da traição me dominou. Ela passou a fonte de minhas preocupações. Será que ela resistiria à investida de outra pessoa? Por que ela se manteria fiel a mim todos esses anos? Tão indiferente e impecável.
Em meio a essa pressão eu a traí mais uma vez com uma amiga em comum, não me orgulho disso, mas pensei em mim naquele momento, e a vontade de sentir a boca de outra garota me tomou. Sentir a pele, o corpo o desejo de outra pessoa e não o habitual foi irresistível. Não quero que você leitor me perdoe, nem que me compreenda, mas apenas me escute, e perceba que a minha traição foi o estopim do meu ciúme.
Hoje eu sei que minha namorada é tão capaz de me trair como eu fui, dói quando ela é carinhosa, e às vezes quando fecho os olhos eu a vejo nos braços de outra pessoa. Percebi as duras penas que a traição é um doce veneno que subtrai aos poucos as defesas de quem o toma.
8.01.2008
Pessoas instigantes
Sou indiferente a maioria das pessoas, outras me desagradam mas há uma parcela mínima que me instiga.Outro dia fiz uma lista mental das mulheres mais bonitas em minha opinião, e no meio de uma profusão de rostos me veio um que não consegui superar: como é bonita a cantora Zélia Duncan! Belo rosto, somado a uma bela voz, que casa bem com as rugas, e um jeito de mulher feliz, realizada.
Gostaria de ter as rugas maduras dela, e esse ar de mulher que sabe o que é.
Gostaria de ter as rugas maduras dela, e esse ar de mulher que sabe o que é.
Carta ao Dr. House.
Tenho uma confissão a fazer: tenho uma queda por você. Sim, isso é uma carta de amor, mas vou tentar não ser piegas, nós não temos paciência pra isso.
Sei que temos que ficar juntos, e como percebi essa verdade antes de você me sinto na obrigação de te alertar.
Você tem o humor mais fino que já encontrei em um homem, e quem me conhece sabe que eu não resisto a um senso de humor.
Não é minha intenção te idealizar, sei que você tem defeitos; è egoísta, característica que divide com todos meus ex namorados, acredite, eu estou acostumada a lidar com isso.
Apesar de ser um belo coroa de olhos azuis, por se dedicar muito ao trabalho não faz o tipo mulherengo, e isso traria paz e tranqüilidade a nossa relação. Com exceção das discussões calorosas que teríamos antecedendo ao sexo, é claro. Perdoe minhas fantasias, é que eu não reprimo meus desejos.
Acho que seríamos uma interessante mistura de anseio e indiferença, intenção e displicência.
Quem me conhece perceberia também que esse meu encanto não passa da minha velha carência de figura paterna. Mas ignorando minha saúde mental eu me candidato a ser sua namorada.
Ligue-me qualquer dia desses.
Com carinho
Rafaela
PS: Acho sua bengala um charme.
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