Entediava-me com as amigas do colégio, e tinha pouca paciência para as da rua. O que me entretinha eram os livros, passava horas a fio com a cabeça enfiada neles. Assim que chegava do colégio sossegava a fome e corria para a biblioteca. A biblioteca que me refiro, era a que ficava dentro da oficina/casa do tio Levy, homem alto, barbudo, moreno, passava-se perfeitamente por um terrorista iraquiano, morava em um quartinho imundo, minúsculo, com prateleiras enferrujadas, e abarrotadas de livros de todo tipo, desde os espíritas aos clássicos da literatura. Lá eu tive acesso ao mundo mágico das letras que me transportava a qualquer lugar. Eu lia livros sobre garotas da minha idade, vikins, história geral, geografia, romances, contos, em fim, não tinha limite à variedade e minha paixão por eles. A biblioteca do tio Levy tinha cheiro de coisa velha, misturado com os cheiros peculiares da sua relojoaria, sim, meu tio era relojoeiro, essa clássica profissão quase tão respeitável quanto os chaveiros, até hoje quando entro em uma oficina que cheira a coisa velha meu coração fica apertadinho de saudade. Era com certeza muito mais agradável ler em sua relojoaria do que brincar com as gêmeas, as Dadá.
9.30.2007
9.05.2007
Seu Peixe

Meu peixe, o Zuiudo, se suicidou quando eu tinha 10 anos. Ele se jogou de onde morava (um pote de vidro) direto na minha gaveta de roupas. Foi chocante pra mim, quando em um gesto corriqueiro abri a gaveta para pegar uma muda de roupa e me deparei com o cadáver do peixe.
Imaginei-o pegando impulso, pulando pela boca do pote e caindo inevitavelmente na minha gaveta, que para tristeza da minha mãe, sempre estava aberta. Fiquei imaginando por quanto tempo ele ficou se debatendo em cima das minhas roupas, tentando desesperadamente sobreviver.
Durante muito tempo tive a certeza de que a sua morte foi culpa minha. Analisei a situação e percebi a sua monótona vida: morava em um pote de vidro, demasiado pequeno para ele, sem outros peixes para conviver, sem outros objetos para interagir. Não é de se estranhar que ele cometesse suicídio. Eu matei meu peixe de tédio!
Achava que por não ter proporcionado a ele uma vida mais confortável e feliz ele resolveu se matar, o pobre peixe vivia abandonado em cima da cômoda, com a mesma paisagem distorcida para olhar, o pouco espaço sufocante. E eu o alimentava inocentemente sem perceber o quanto ele sofria. Como somos mesquinhos com o sofrimento dos outros.
Hoje depois de crescida percebo que a morte do Zuiudo não foi minha culpa, por não estar em um aquário devidamente estruturado o coitado ficou sem ar, e não teve outra solução a não ser se aventurar fora do pote, e explorar esse mundo misterioso do ‘lado de fora’, infelizmente não teve sorte. Pobre Zuiudo, que Deus o tenha em bom lugar, pelo menos melhor do que o que eu o deixei.
Amém
Imaginei-o pegando impulso, pulando pela boca do pote e caindo inevitavelmente na minha gaveta, que para tristeza da minha mãe, sempre estava aberta. Fiquei imaginando por quanto tempo ele ficou se debatendo em cima das minhas roupas, tentando desesperadamente sobreviver.
Durante muito tempo tive a certeza de que a sua morte foi culpa minha. Analisei a situação e percebi a sua monótona vida: morava em um pote de vidro, demasiado pequeno para ele, sem outros peixes para conviver, sem outros objetos para interagir. Não é de se estranhar que ele cometesse suicídio. Eu matei meu peixe de tédio!
Achava que por não ter proporcionado a ele uma vida mais confortável e feliz ele resolveu se matar, o pobre peixe vivia abandonado em cima da cômoda, com a mesma paisagem distorcida para olhar, o pouco espaço sufocante. E eu o alimentava inocentemente sem perceber o quanto ele sofria. Como somos mesquinhos com o sofrimento dos outros.
Hoje depois de crescida percebo que a morte do Zuiudo não foi minha culpa, por não estar em um aquário devidamente estruturado o coitado ficou sem ar, e não teve outra solução a não ser se aventurar fora do pote, e explorar esse mundo misterioso do ‘lado de fora’, infelizmente não teve sorte. Pobre Zuiudo, que Deus o tenha em bom lugar, pelo menos melhor do que o que eu o deixei.
Amém
Notícia
Hoje tive a lamentável noticia: de acordo coma igreja católica, o limbo não existe mais. Depois de uma breve confusão mental, eu me perguntei: então pra onde eu vou? Já que com meu pouco entendimento sobre essa cultura católica me dizia que o limbo era destinado aos não batizados. Sendo assim eu decidi fazer como o Raul Seixas: “já que o céu está cheio, eu vou levar um lero com o diabo, antes que o inferno fique cheio também”. Ou antes que a igreja resolva acabar com mais alguma coisa.
Sei lá, esse novo papa parece com o Hannibal, não dá pra confiar em um papa que parece com um psicopata ficcional.
Sei lá, esse novo papa parece com o Hannibal, não dá pra confiar em um papa que parece com um psicopata ficcional.
Cinderela compulsiva desequilibrada.

Na Terra Encantada do Reino do Orkut moravam várias princesas, que não obstante se enchiam de roupas, e jóias, e poses, e caras, para parecerem mais bonitas na foto. Mostravam os lugares mais legais que estiveram como dote!!! Posavam às vezes todas juntas às vezes separadas, mas sempre na melhor pose. Tudo em busca do príncipe encantado, mas é difícil se livrar dos sapos!!!
No Reino Encantado do Orkut as pessoas são felizes e sorridentes, tem muitos amigos, e muito carinho... No Reino Encantado do Orkut as pessoas são importantes umas pras outras, se gostam, dão demonstrações públicas de carinho, escrevem grandes declarações de amor... Mas só no Reino Encantado do Orkut.
Lá tudo é azul cor do céu!! Lá você pode ser quem quiser!! Lá não tem tristeza nem choro, só um pouco de saudade às vezes, saudade que cura com umas poucas palavras!!! No Reino Encantado do Orkut todo mundo é amigo de todo mundo, sem preconceito, sem diferença de classes. Lá as pessoas conversam e se dão bem... Lá todo mundo é feliz.
Mas só na Terra Encantada do Reino do Orkut.
No Reino Encantado do Orkut as pessoas são felizes e sorridentes, tem muitos amigos, e muito carinho... No Reino Encantado do Orkut as pessoas são importantes umas pras outras, se gostam, dão demonstrações públicas de carinho, escrevem grandes declarações de amor... Mas só no Reino Encantado do Orkut.
Lá tudo é azul cor do céu!! Lá você pode ser quem quiser!! Lá não tem tristeza nem choro, só um pouco de saudade às vezes, saudade que cura com umas poucas palavras!!! No Reino Encantado do Orkut todo mundo é amigo de todo mundo, sem preconceito, sem diferença de classes. Lá as pessoas conversam e se dão bem... Lá todo mundo é feliz.
Mas só na Terra Encantada do Reino do Orkut.
5.13.2007
Pin up

Pensando na diferença do que é imposto a nós, e o que é vantajoso. Entrei em um dilema: onde a vaidade passa a ser ostentação?
Essa cultura que nos obriga a ser como as Pin ups dos anos 50. Posamos impecáveis, perfeitas, como se fossemos um presente para os homens, prontas para fazer qualquer um feliz. Mas até onde vai a imposição e até onde vai nossa vaidade? Acho que as feministas pecaram nesse ponto, esqueceram que faz parte da identidade humana o desejo de embelezar-se, de possuir-se e devorar-se.
Vivemos em uma sociedade midiática (termo técnico imbecil), diariamente recebemos uma grande onda de informação visual, nossos ícones mudam o tempo todo, sempre um rosto novo, um modismo novo, um amor novo, onde isso tudo vai parar? Como fica nossa orientação visual? Mas essa não é a discussão agora.
O que quero levantar aqui é a necessidade individual de auto-aceitação, temos um padrão em que nós seguimos, um padrão individual, onde nos esforçamos para nos encaixar nele, e com hipocrisia apontamos o padrão do outro como o errado...Tudo isso veio á tona com o simples fato d'eu ter pintado cabelo (é impressionante como nossa aparência influência no nosso jeito), cabelo louro, unhas vermelhas e sutien de enchimento... Artificial? Ou apenas mostrando a mulher fútil que há em mim?
Será que eu também não quero ser uma Pin up? Essas mulheres de bochecha rosada e pés em curva.
[As Pin ups, garotas que enfeitavam as capas de revistas no começo do século passado, o equivalente as nossas modelos... Nós industrializamos tudo porque não as mulheres?]
Essa cultura que nos obriga a ser como as Pin ups dos anos 50. Posamos impecáveis, perfeitas, como se fossemos um presente para os homens, prontas para fazer qualquer um feliz. Mas até onde vai a imposição e até onde vai nossa vaidade? Acho que as feministas pecaram nesse ponto, esqueceram que faz parte da identidade humana o desejo de embelezar-se, de possuir-se e devorar-se.
Vivemos em uma sociedade midiática (termo técnico imbecil), diariamente recebemos uma grande onda de informação visual, nossos ícones mudam o tempo todo, sempre um rosto novo, um modismo novo, um amor novo, onde isso tudo vai parar? Como fica nossa orientação visual? Mas essa não é a discussão agora.
O que quero levantar aqui é a necessidade individual de auto-aceitação, temos um padrão em que nós seguimos, um padrão individual, onde nos esforçamos para nos encaixar nele, e com hipocrisia apontamos o padrão do outro como o errado...Tudo isso veio á tona com o simples fato d'eu ter pintado cabelo (é impressionante como nossa aparência influência no nosso jeito), cabelo louro, unhas vermelhas e sutien de enchimento... Artificial? Ou apenas mostrando a mulher fútil que há em mim?
Será que eu também não quero ser uma Pin up? Essas mulheres de bochecha rosada e pés em curva.
[As Pin ups, garotas que enfeitavam as capas de revistas no começo do século passado, o equivalente as nossas modelos... Nós industrializamos tudo porque não as mulheres?]
5.07.2007
Pensamentos que merecem ser guardados e futuramente desenvolvidos.
O que há de sensual na guerra?O que é sexo o que é violência? Podem ser a mesma coisa? Qual é o limite de um e qual é o limite do outro?
"Que o homem se afastara de sua dimensão profunda, e só a liberação da carne poderia conduzir-lhe de volta ao convívio com a própria alma. As prostitutas, por rifarem o seu corpo com tal desprendimento, seriam as mais puras porque nada mais lhes restava que não a dimensão espiritual."
"Que o homem se afastara de sua dimensão profunda, e só a liberação da carne poderia conduzir-lhe de volta ao convívio com a própria alma. As prostitutas, por rifarem o seu corpo com tal desprendimento, seriam as mais puras porque nada mais lhes restava que não a dimensão espiritual."
Arte ou sacanagem?
ato antropofágico

A antropofagia é um fenômeno imensamente complexo, contendo múltiplos significados, que se aplica à arte, mitologia, política, psicanálise, história cultural e teoria crítica. A expressão canibalismo denota o ato humano de comer carne humana. O conceito de canibalismo foi introduzido pelos espanhóis, se referindo aos nativos das ilhas caribenhas, (os espanhóis acreditavam que eles comiam carne humana). Mas toda essa questão de antropofagia dos nativos girava em torno de ideáis ritualísticos, ingerindo determinado conteúdo você estava absorvendo a “energia” dele, conceito o qual nós deixamos de lado, hoje a alimentação é mera necessidade fisiológica, ela perdeu o cunho ritualístico há muito tempo, mas essa não é a questão que quero levantar...
A ingestão de carne humana é considerada o ato mais profano e o comportamento mais anti-social que se possa imaginar. Vistos como bárbaros e selvagens pela cultura européia, indivíduos que comem seus semelhantes são classificados como pertencentes a um estágio de pré-civilização. O devorar o próximo é algo ultrajante no ponto de vista social, mas aponto para a necessidade antropofágica do homem contemporâneo, o que andamos comendo? Ou melhor... A quem comemos? Que tipo de alimentação é a nossa? Cercados de informações desnecessárias o que introjetamos? Cercados de pessoas desnecessárias, de quem nos alimentamos? A antropofagia levada a essa interpretação nos faz raciocinar: o sexo pode ser visto como um ato antropofágico? Digo que sim, e digo que a necessidade de boa alimentação é essencial para ao desenvolvimento moral e intelectual do ser humano.
A ingestão de carne humana é considerada o ato mais profano e o comportamento mais anti-social que se possa imaginar. Vistos como bárbaros e selvagens pela cultura européia, indivíduos que comem seus semelhantes são classificados como pertencentes a um estágio de pré-civilização. O devorar o próximo é algo ultrajante no ponto de vista social, mas aponto para a necessidade antropofágica do homem contemporâneo, o que andamos comendo? Ou melhor... A quem comemos? Que tipo de alimentação é a nossa? Cercados de informações desnecessárias o que introjetamos? Cercados de pessoas desnecessárias, de quem nos alimentamos? A antropofagia levada a essa interpretação nos faz raciocinar: o sexo pode ser visto como um ato antropofágico? Digo que sim, e digo que a necessidade de boa alimentação é essencial para ao desenvolvimento moral e intelectual do ser humano.
Caça as Bruxas

Sou a favor do aborto. Quem é a igreja pra me dizer como devo viver minha vida? Quem é ela para me falar sobre moralidade? Não vai ser a igreja que vai sustentar a mim e ao meu filho, não vai ser a igreja (nem ninguém) que vai me ajudar a cria meu filho, então eu decido o que faço da minha vida!! Sou a favor da vida!! Mas não de qualquer vida, não sou a favor da vida de crianças de rua, de crianças sem pai, crianças criadas de qualquer jeito... E para resguardar a felicidade de meu filho (por amor a ele) eu faria aborto sim, sem nenhuma culpa. Lógico eu não acho que o aborto deva ser encarado como uma fuga fácil. Primeiro vem os métodos contraceptivo, que qualquer mulher inteligente tem que utilizar e ter acesso. Sempre achei que deveria ser obrigatório que toda menina assim que menstruasse fosse ao ginecologista, e esse além de ter uma conversa esclarecedora le receitasse um anticoncepcional ou qualquer outro método contraceptivo, mesmo que a menina seja virgem, educação sexual está diretamente ligada a proteção contra DST e gravidez.
É um absurdo! Nós vivemos no séc XXI e ainda estamos sob o domínio da igreja católica e suas opiniões controversas. Pasmem, existe gente que não usa camisinha porque concorda com a teoria ridícula da igreja que o sexo só serve para procriação.
Sou a favor do aborto sim... Sou a favor de uma vida digna para quem for nascer nesse mundo de caos, se uma família (ou uma mãe) não está estruturada para receber uma criança ela tem todo direito sim de optar pelo conforto dela e da criança, chega de pessoas sendo colocadas no mundo como cães!! Sou a favor do livre arbítrio e das responsabilidades que uma escolha acarreta. Seja responsável e não engravide antes da hora, e se por ventura engravidar não pense nas pessoas a sua volta, pense em você e na criança que vai nascer. Se pergunte em que condições ela vai nascer. Se pergunte se você é capaz de suprir as necessidades básicas de um bebe, de uma criança, de um adolescente, de um adulto. Isso é ter responsabilidade.
É um absurdo! Nós vivemos no séc XXI e ainda estamos sob o domínio da igreja católica e suas opiniões controversas. Pasmem, existe gente que não usa camisinha porque concorda com a teoria ridícula da igreja que o sexo só serve para procriação.
Sou a favor do aborto sim... Sou a favor de uma vida digna para quem for nascer nesse mundo de caos, se uma família (ou uma mãe) não está estruturada para receber uma criança ela tem todo direito sim de optar pelo conforto dela e da criança, chega de pessoas sendo colocadas no mundo como cães!! Sou a favor do livre arbítrio e das responsabilidades que uma escolha acarreta. Seja responsável e não engravide antes da hora, e se por ventura engravidar não pense nas pessoas a sua volta, pense em você e na criança que vai nascer. Se pergunte em que condições ela vai nascer. Se pergunte se você é capaz de suprir as necessidades básicas de um bebe, de uma criança, de um adolescente, de um adulto. Isso é ter responsabilidade.
Ai como doi!!

Não sou masoquista, mas não julgo a natureza humana, cada um encontra prazer onde mais acha conveniente.
O criador desse termo foi Leopold Franz Johann Ferdinand Maria Sacher - Masoch (1836 - 1895), ele teve seu nome associado a um tipo especial de perversão sexual, fato que o imortalizou e banalizou em todos os idiomas do mundo. Masoquismo tornou-se sinônimo de prazer obtido pela dor e sofrimento. Mas Leopold merece mais do que isso. Foi um dos maiores escritores do seu e de todos os tempos. Poucos sabem.
Masoch era de ascendência nobre, mas casou-se com uma serva, por artimanha de outra nobre Madame Frischauer, que queria se vingar dele e obteve através de seus livros conhecimento de suas fraquezas. Obrigou Wanda, que era sua empregada, a ler o livro também. Convenceu a jovem de que Masoch a adotaria se ela encarnasse os desejos perversos dele. Fez mais. Escreveu uma carta a Masoch oferecendo seus préstimos e seu amor. Wanda assinou a missiva. Masoch engoliu a isca e respondeu assim: "Se eu tivesse a sorte de encontrar uma mulher que pudesse encarnar essa Vênus das peles, essa mulher eu amaria, eu a adoraria até a loucura, eu poderia me tornar seu escravo, mesmo que ela fosse apenas uma arrumadeira, porque só espero da mulher beleza e amor"
Madame Frischauer fez Masoch se apaixonar por Wanda, que a primeiro momento se dizia casada para aumentar o caráter afrodisíaco da relação e se apresentava a ele usando uma máscara.
Wanda (empregada que vê uma oportunidade de se casar com um nobre) percebe que tem Masoch na mão e propõe um acordo. Envia para Masoch uma carta com o seguinte trecho: "Se me ama como diz, deve assinar o texto anexo, acrescentado-lhe algumas palavras para confirmar que aceita todas as minhas condições e que dá sua palavra de honra de ser meu escravo até o último suspiro. Prove que tem coragem de se tornar meu marido, meu amante, e... meu cão." Leopold aceita, com a condição de que ela tire a máscara.
Em seus livros Masoch diz que “ciúme é afrodisíaco” concordo plenamente. Quando o relacionamento não está bom à primeira coisa a se fazer é ter ciúme, que a meu ver é uma forma de masoquismo. Atrás do ciúme escondemos nossa face masoquista, nossa necessidade de ser vitimado, de ter um parceiro dominador que nos inflige sofrimento. Existem pessoas que vivem nessa condição de pseudo-masoquismo durante muitos anos, sem perceber as suas tendências.
Ele descreve assim o primeiro encontro amoroso dos dois: "Wanda: dispa-se. Eu: tiro o casaco, quer me amarrar os pés, quer fazê-lo ela própria, amarra-me os pés e as mãos, me chicoteia; inclina-se para mim, pergunta se gosto daquilo. Volúpia. Depois aproxima seus lábios dos meus. Como quero beijá-la, ela se afasta, quer que eu lhe suplique, depois chicoteia com tanta força que mal posso suportar." Caso limite entre um romancista e seus personagens. Ele criou Wanda e aceita agora se tornar o escravo de sua própria criatura.
Será que faz parte da natureza humana amar quem nos faz sofrer?
O amor e a dor estão diretamente ligados, existem pessoas que tiram grande fonte de prazer do sofrimento. Masoquista. Aquele que ama quem o faz sofrer. Por isso é um absurdo julgarmos as pessoas que gozam com algemas. Você nunca se sentiu confortável por estar preso?
O filósofo Gilles Deleuze faz o seguinte comentário: "O contrato masoquista não expressa somente a necessidade do consentimento da vítima, mas também o dom de persuasão, o esforço pedagógico e jurídico pelo qual a vítima educa seu carrasco."
Não somos nós que pedimos pra sofrer?
Masoch era de ascendência nobre, mas casou-se com uma serva, por artimanha de outra nobre Madame Frischauer, que queria se vingar dele e obteve através de seus livros conhecimento de suas fraquezas. Obrigou Wanda, que era sua empregada, a ler o livro também. Convenceu a jovem de que Masoch a adotaria se ela encarnasse os desejos perversos dele. Fez mais. Escreveu uma carta a Masoch oferecendo seus préstimos e seu amor. Wanda assinou a missiva. Masoch engoliu a isca e respondeu assim: "Se eu tivesse a sorte de encontrar uma mulher que pudesse encarnar essa Vênus das peles, essa mulher eu amaria, eu a adoraria até a loucura, eu poderia me tornar seu escravo, mesmo que ela fosse apenas uma arrumadeira, porque só espero da mulher beleza e amor"
Madame Frischauer fez Masoch se apaixonar por Wanda, que a primeiro momento se dizia casada para aumentar o caráter afrodisíaco da relação e se apresentava a ele usando uma máscara.
Wanda (empregada que vê uma oportunidade de se casar com um nobre) percebe que tem Masoch na mão e propõe um acordo. Envia para Masoch uma carta com o seguinte trecho: "Se me ama como diz, deve assinar o texto anexo, acrescentado-lhe algumas palavras para confirmar que aceita todas as minhas condições e que dá sua palavra de honra de ser meu escravo até o último suspiro. Prove que tem coragem de se tornar meu marido, meu amante, e... meu cão." Leopold aceita, com a condição de que ela tire a máscara.
Em seus livros Masoch diz que “ciúme é afrodisíaco” concordo plenamente. Quando o relacionamento não está bom à primeira coisa a se fazer é ter ciúme, que a meu ver é uma forma de masoquismo. Atrás do ciúme escondemos nossa face masoquista, nossa necessidade de ser vitimado, de ter um parceiro dominador que nos inflige sofrimento. Existem pessoas que vivem nessa condição de pseudo-masoquismo durante muitos anos, sem perceber as suas tendências.
Ele descreve assim o primeiro encontro amoroso dos dois: "Wanda: dispa-se. Eu: tiro o casaco, quer me amarrar os pés, quer fazê-lo ela própria, amarra-me os pés e as mãos, me chicoteia; inclina-se para mim, pergunta se gosto daquilo. Volúpia. Depois aproxima seus lábios dos meus. Como quero beijá-la, ela se afasta, quer que eu lhe suplique, depois chicoteia com tanta força que mal posso suportar." Caso limite entre um romancista e seus personagens. Ele criou Wanda e aceita agora se tornar o escravo de sua própria criatura.
Será que faz parte da natureza humana amar quem nos faz sofrer?
O amor e a dor estão diretamente ligados, existem pessoas que tiram grande fonte de prazer do sofrimento. Masoquista. Aquele que ama quem o faz sofrer. Por isso é um absurdo julgarmos as pessoas que gozam com algemas. Você nunca se sentiu confortável por estar preso?
O filósofo Gilles Deleuze faz o seguinte comentário: "O contrato masoquista não expressa somente a necessidade do consentimento da vítima, mas também o dom de persuasão, o esforço pedagógico e jurídico pelo qual a vítima educa seu carrasco."
Não somos nós que pedimos pra sofrer?
4.24.2007
tipos de mulheres
Deparei-me essa semana com mais um caso de submissão feminina que me assustou. Até que ponto uma mulher pode chegar para corresponder às expectativas alheias? Mesmo sabendo que seu namorado não é bom pra você, sabendo que ele vai te trair de novo, que ele não te respeita, você seria capaz de ficar com ele por medo de envelhecer sozinha? Medo de nunca ser mãe? Medo de nunca achar o príncipe encantado? Essas mulheres desesperadas se casam com o sapo!! O que faz uma mulher se diminuir a uma vaca procriadora? Por que a nossas vidas não tem sentido se nunca formos mães? Como que elas não percebem que estão sendo empurradas por uma cultura católica. Elas não percebem que guardam sua “pura” virgindade e tem obrigação de engravidar, por imposição de um padrão religioso tão antigo. Não consigo compreender essas mulheres sem voz, elas vivem na surdina, abaixando a cabeça pra tudo, mulheres que tem potencial, mas que são inibidas, desestimuladas, para cumprirem metas traçadas a 2 milênios atrás, meta essa que não cabe na nossa realidade, não condiz com as vontades e cobranças do nosso tempo.
Existe um outro tipo de mulher, que também não me agrada, elas praticam sexo casual, se dizem independentes, bem resolvidas, mas eu sei que não passa de fachada, tudo que essas pobres mulheres querem é contato físico, elas não sabem viver sem sentir o outro, tem tanta necessidade disso, que ignoram os interesses da outra parte, se tornam felizes apenas pelo fato de saberem que existem pessoas que querem “sentir “elas. Pobres mulheres que se entregam por nada, e recebem nada, e se sentem satisfeitas com isso.
Pra mim o sexo bom é aquele não se limita apenas à penetração, é aquele onde sua intenção não é só fuder com a outra pessoa, é senti-la, toca-la, se unir a ela. A penetração é pouco! Você tem que está consciente da outra pessoa, e a proximidade que só o sexo trás, quando você está transando, você não só penetra um aparte do corpo da pessoa, você penetra a pessoa. Pra mim é isso!! O maior gesto de união que pode haver, você está dentro da pessoa e a pessoa está em você.
Por isso não me conformo nem com as mulheres que aceitam transar o resto da vida com quem não as respeitam, nem as que se entregam de qualquer forma, em busca de uma intimidade que não foi merecida.
Existe um outro tipo de mulher, que também não me agrada, elas praticam sexo casual, se dizem independentes, bem resolvidas, mas eu sei que não passa de fachada, tudo que essas pobres mulheres querem é contato físico, elas não sabem viver sem sentir o outro, tem tanta necessidade disso, que ignoram os interesses da outra parte, se tornam felizes apenas pelo fato de saberem que existem pessoas que querem “sentir “elas. Pobres mulheres que se entregam por nada, e recebem nada, e se sentem satisfeitas com isso.
Pra mim o sexo bom é aquele não se limita apenas à penetração, é aquele onde sua intenção não é só fuder com a outra pessoa, é senti-la, toca-la, se unir a ela. A penetração é pouco! Você tem que está consciente da outra pessoa, e a proximidade que só o sexo trás, quando você está transando, você não só penetra um aparte do corpo da pessoa, você penetra a pessoa. Pra mim é isso!! O maior gesto de união que pode haver, você está dentro da pessoa e a pessoa está em você.
Por isso não me conformo nem com as mulheres que aceitam transar o resto da vida com quem não as respeitam, nem as que se entregam de qualquer forma, em busca de uma intimidade que não foi merecida.
4.23.2007
Amelie Poulan sedutora.
É impressionante como nossos gostos, nossas escolhas falam sobre nós. É fácil dizer sobre uma pessoa só observando seus atos, a sutileza de cada gesto, a escolha de um olhar.
Depois de entrar em contato com uma série de sutilezas cotidianas, chego à definitiva opinião de que o delicado é mais brutal que o rude. Após tomar uma overdose de metáforas bem construídas observo o poder dos pequenos gestos, não digo capazes de mudar o mundo, mas capazes de tocar fundo, e dar aquela sensação que não se sabe de onde vem, nem por quê vem?!
Emociona.
Nosso cotidiano é cercado de momentos que passam despercebidos, padrões de comportamentos que assumimos sem perceber, e que obviamente nos levam a respostas em padrão também. Se pararmos para pensar e observar, talvez possamos achar a cura. Talvez a cura esteja nos nossos próprios atos.
Talvez o medo de ser feliz nos empeça de arriscar, de dar aquele passo decisivo. É mas fácil ser um perdedor. Se lamentar.
É impressionante como um gesto seu por mais simples que seja acaba influenciando a vida de pessoas que você nem conhece, trazendo coisas boas ou não. A vida é uma teia de acontecimentos. O importante é invisível aos olhos.
Por isso, não deixe de curtir os pequenos prazeres da vida, mas não abra mão dos grandes. Não ofenda ninguém. Chore. Escute. E preste atenção no barulho da chuva.
[Texto escrito após assistir o filme: “O Fabuloso Destino de Amélie Poulain” e “O Livro de Cabeceira".]
Depois de entrar em contato com uma série de sutilezas cotidianas, chego à definitiva opinião de que o delicado é mais brutal que o rude. Após tomar uma overdose de metáforas bem construídas observo o poder dos pequenos gestos, não digo capazes de mudar o mundo, mas capazes de tocar fundo, e dar aquela sensação que não se sabe de onde vem, nem por quê vem?!
Emociona.
Nosso cotidiano é cercado de momentos que passam despercebidos, padrões de comportamentos que assumimos sem perceber, e que obviamente nos levam a respostas em padrão também. Se pararmos para pensar e observar, talvez possamos achar a cura. Talvez a cura esteja nos nossos próprios atos.
Talvez o medo de ser feliz nos empeça de arriscar, de dar aquele passo decisivo. É mas fácil ser um perdedor. Se lamentar.
É impressionante como um gesto seu por mais simples que seja acaba influenciando a vida de pessoas que você nem conhece, trazendo coisas boas ou não. A vida é uma teia de acontecimentos. O importante é invisível aos olhos.
Por isso, não deixe de curtir os pequenos prazeres da vida, mas não abra mão dos grandes. Não ofenda ninguém. Chore. Escute. E preste atenção no barulho da chuva.
[Texto escrito após assistir o filme: “O Fabuloso Destino de Amélie Poulain” e “O Livro de Cabeceira".]
3.29.2007
para ele
Desde pequena aprendi a polir minha armadura.
Ensinaram-me a necessidade da guerra.
Lutei contra vários inimigos,
mas um foi o pior:
aquele que se esconde atrás do meu amor.
É duro para mim golpeá-lo.
Apunhalar seu coração é como apunhalar o meu.
Não tive escolha.
Lutei contra ele.
Mas a vitória não me trouxe um gosto bom
Foi uma vitória amarga,
Eu não queria matá-lo,
Eu queria seu amor.
No dia da batalha final
Vesti-me, como quem veste uma armadura.
Pintei-me, como quem vai pra guerra.
Montei no meu cavalo e levantei minha espada
Fui...
De cabeça erguida e olhos úmidos.
Venci.
Rafaela Tereza de Oliveira Sobrinho
Ensinaram-me a necessidade da guerra.
Lutei contra vários inimigos,
mas um foi o pior:
aquele que se esconde atrás do meu amor.
É duro para mim golpeá-lo.
Apunhalar seu coração é como apunhalar o meu.
Não tive escolha.
Lutei contra ele.
Mas a vitória não me trouxe um gosto bom
Foi uma vitória amarga,
Eu não queria matá-lo,
Eu queria seu amor.
No dia da batalha final
Vesti-me, como quem veste uma armadura.
Pintei-me, como quem vai pra guerra.
Montei no meu cavalo e levantei minha espada
Fui...
De cabeça erguida e olhos úmidos.
Venci.
Rafaela Tereza de Oliveira Sobrinho
Um pouco mais puta.
Com quantos homens uma mulher pode transar sem ser puta? O que diferencia uma mulher fácil de uma mulher difícil? Essas perguntas perambularam pela minha mente essa semana. Pensando a respeito disso cheguei a uma primeira conclusão: não existe nem um conceito nem outro, eles variam de acordo com o grau de preconceito e hipocrisia de cada um.
Conheço uma mulher quem tem vários parceiros sexuais. Obviamente há quem ache essa mulher com vários parceiros mais puta que uma com um parceiro fixo. Mas deparei-me com um caso de uma determinada mulher, com parceiro fixo, que descobre que ele a está traindo (meu conceito de traição aqui é o mesmo da raposa do Pequeno Príncipe "Tu te tornas eternamente responsável por aquilo tudo que cativas"), e ela aceita (aceita, não aprova). Então me perguntei: ela não está sendo puta? Não está sendo uma mulher fácil? Para mim sim. Porque ela não está se respeitando, está desprezando seus sentimentos, ignorando sua razão, subestimando sua vontade á vontade alheia. Ela está sendo fácil, se dando por pouco.
E a mulher que dá pra vários? Ela dá apenas o sexo e nada mais e recebe apenas o sexo. Não posso dizer que ela está certa, mais está em vantagem em relação à segunda, porque ela respeita suas vontades e a outra não.
Então, quem é a puta da história?
Conheço uma mulher quem tem vários parceiros sexuais. Obviamente há quem ache essa mulher com vários parceiros mais puta que uma com um parceiro fixo. Mas deparei-me com um caso de uma determinada mulher, com parceiro fixo, que descobre que ele a está traindo (meu conceito de traição aqui é o mesmo da raposa do Pequeno Príncipe "Tu te tornas eternamente responsável por aquilo tudo que cativas"), e ela aceita (aceita, não aprova). Então me perguntei: ela não está sendo puta? Não está sendo uma mulher fácil? Para mim sim. Porque ela não está se respeitando, está desprezando seus sentimentos, ignorando sua razão, subestimando sua vontade á vontade alheia. Ela está sendo fácil, se dando por pouco.
E a mulher que dá pra vários? Ela dá apenas o sexo e nada mais e recebe apenas o sexo. Não posso dizer que ela está certa, mais está em vantagem em relação à segunda, porque ela respeita suas vontades e a outra não.
Então, quem é a puta da história?
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