1.12.2009
.
12.23.2008
A Outra
12.19.2008
Silêncio
Irritando Rafaela Oliveira

Nessa época do ano eu fico mais suceptível a irritabilidade. E o que mais me deprime é a maldita decoração de Natal. Nada contra as bolinhas e o festão, sou contra o exagero. Se não tiver dinheiro para fazer uma coisa de bom gosto tenha a dignidade de não fazer nada!
Esse mês entrei no supermercado perto da minha casa e dei de cara com um boneco de Papai Noel murcho e feio, ai pensei: Que marmota! O franzino velhinho constituia-se de um boneco grande e magro, mal vestido, com uma barba falsa todo embolada. Em volta um festão. Estava lamentável... Foi difícil segurar o riso. Eu preferí fingir que não o ví e passei reto. Ainda hoje me esforço para ignorar aquela figura "excêntrica” quando vou ao supermercado. Mas essa rede de supermercados com certeza não preza pelo bom gosto. Isso é perceptível na música que ecoa em seus corredores, sempre um pop music estilo FM. Aliás supermercado não é lugar para ter música. Se eu quero ouvir música vou para um bar ou boate. Ningém pensa: puxa, estava querendo ouvir uma música hoje... Vou ao supermercado.
12.15.2008
A despedida
Sempre soube agradá-los, servi-los. Gemer quando necessário, sorrir no momento certo. E com o tempo Tereza foi aprendendo a tocá-los. Ela sabia faze-los sentir prazer, e o fazia com o mesmo talento quanto um bom concertista.
Mas ele a abandonou para ficar com outra mulher. E isso feriu seu orgulho de fêmea. Não entendeu o que deixou de fazer, ou e que se excedeu. Agiu perfeitamente como as regras. Amou-o como uma receita.
Hoje, Tereza, teve a oportunidade que estava há meses. Ele se foi, levando consigo sua razão de viver, e agora ele estava de volta por conta de uma desculpa inventada por ela. Uma reforma, a qual seus livros deixados estariam sobrando na re-decoração da sala de jantar.
Ela o esperou vestida com vestido florido, lambuzada de lavanda, com os lábios carmins. Ensaiou a desculpa que estava de saída.
Ao chegar, ele sentou-se na sala como se ainda fosse sua. Estava surpreendentemente á vontade. Exalando um cheiro inebriante de homem, que fez Tereza arrepiar. A camisa um pouco aberta, ela vislumbrava os pelos de seu peito.
Após algumas palavras sem importância, e 2 copos de licor ela se deixou tomar, como se ainda fosse dele. Entregando-se por inteira a todas as antigas emoções. Cada toque, cada suspiro trazia consigo uma recordação, e Tereza não agüentou, desabou em lágrimas. Enquanto seu amor a penetrava concentrado em seu sexo, Tereza o olhava e percebia entre lágrimas como ainda o amava, e quanto ele não era mais seu. Quando ele percebeu que ela estava a chorar a abraçou carinhosamente, dizendo que também sentia saudades, tentando aplacar seu choro. E foi nesse momento que Tereza teve certeza que jamais ficariam juntos novamente.
Há coisas que só as mulheres entendem, mesmo que os homens queiram nunca irão compreender.
12.12.2008
Hable con ella
Uma coisa no Amoldovar é totalmente clara e latente: sua admiração pelas mulheres. Me parece que ele não as comprende bem, e isso gera nele um grande facínio. As mulhres de Almodovar são deusas distantes e intocáveis, belas e fortes, estão acima do bem e do mal.
Assistí a esse filme em um fôlego só, como se estivesse segurando um suspiro. Só o soltei quando vi esse balé ao final, e junto com o suspiro veio um choro sincero, como há muito não fazia. Lavei minha alma.
12.08.2008
TABACARIA
Fiz de mim o que não soube
E o que podia fazer de mim não o fiz.
O dominó que vesti era errado.
Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me.
Quando quis tirar a máscara,
Estava pegada à cara
(Fernando Pessoa)
Anna Banana
Porém me encantou sua tentativa de fazer parte do todo, de parecer mais alinhada do que realmente estava, de parecer mais elegante do que realmente era.
Observei-a sentada ao meu lado de pernas cruzadas, mãos sobrepostas ao colo, bebericando de um líquido rosáceo, provavelmente champanhe com licor de cassis. Ostentando uma aparente feição de calma estampada no rosto. Um inabalável sorriso dissimulado, e um olhar que titubeia entre a fixação e a sonolência.
O garçom se aproxima oferece canapés a bela Dama Banana, e com um gesto languido com a mão esquerda ela dispensa o aperitivo, pronunciando calmamente um ‘não-obrigada’.
Ela se vira e olha em meus olhos com displicência como se aquele gesto fosse o mais recorrente de sua vida.
Como não se deixar encantar com tamanha engenhosidade?
Grana suja

Meu ceticismo genuíno me diz que não existem almas gêmeas. Nunca vi um casal perfeito, mesmo os duradouros e harmoniosos eu consegui compreender a dinâmica. Porque TODO relacionamento é uma barganha, pura troca de interesses.
E para nós solteiros temos que estar atentos ao mercado consumidor, nas variações cambiais, para nossos investimentos não se desvalorizarem. Lembrando sempre da lei da oferta e procura! O produto raro que tem muita procura se valoriza, produto que não gera interesse se desvaloriza no mercado.
É isso, limousine e grana suja, nada de alma gêmea. É tudo business honey.
Eu Barcelona

Vi-me retratada nessa película na pele das duas protagonistas. Vi meus pensamentos e opiniões sendo debatidos na tela, todo o universo que me permeia sendo tratado da forma mais jocosa ao estilo woodialiano.
Vi meus dramas pessoais, e minhas angústias amorosas sofridas a pouco. Vi meu desejo de liberdade, e meu temperamento difícil. Vi que não é fácil lidar com a instabilidade, e eu não sou a única a sofrer com isso. Vi minhas descobertas artísticas, e minhas inquietações, e meu medo de onde isso tudo vai me levar.
Mas o que mais amei foi o comentário de Allen ao se deparar com o sucesso do filme:
"Terminei este filme há vários meses, e, quando termino um filme, não sinto mais o menor interesse nele. Já recebi ótimas críticas de filmes que não ganharam um dólar nas bilheterias. Recebi críticas negativas de outros, e isso nunca significou nada. O fato de lhe chamarem de grande não faz você ser grande, e o fato de dizerem que um trabalho é terrível não o torna terrível. Eu me lembro de, anos atrás, voltar para casa depois de ter um grande triunfo com 'A Última Noite de Boris Grushenko' ('Love and Death') e, mesmo assim, a garota do apartamento em frente não quis sair comigo. Eu estava em casa, sozinho, comendo comida chinesa diretamente da embalagem, sem nada a fazer exceto assistir à televisão. O sucesso nunca significa nada".
11.28.2008
A mágica do peixinho dourado

Era uma vez um peixinho dourado amaldiçoado, perdia sua memória a cada 3 segundos. E tudo que viveu, tudo que viu e ouviu se perdia, como se fosse engolido por um grande ralo.
Seu passado não importa, e o seu presente é constituído por segundos. Quando passam aqueles calculados 3 segundos nada existe mais, surge o vazio total.
Todos já cruzamos com peixinhos que não tem capacidade de aprender com a vida, que esquecem os erros cometidos e os cometem de novo com a mesma empolgação que testemunhamos antes. Peixes em que relacionamento é sinônimo de sucessão de pessoas sem significado, de momentos teatralizados e sem emoção. Após 3 segundos de distância da pessoa amada, pronto! A mágica acontece! O afeto, o carinho, o compromisso se perde no vasto esquecimento do pequeno peixe. E se a pessoa amada se vai, a única coisa que o peixinho se presta a fazer é ensaiar uns suspiros, fingir algum ressentimento, mas logo após ele vai nadar leve e brilhante pelo oceano a fora, balançando sua calda como se nada tivesse acontecido. De fato pra ele nada aconteceu.
(essa lenda de que memória de peixe dourado dura apenas 3 segundos está caindo por terra, alguns estudos mostram que eles são mais espertos do que a gente imaginava. Na verdade eles são criaturas sonsas, fingem-se de bobos.)
11.26.2008
Summertime
Castração
Ela se olha no espelho, ao contrário das pernas ela não gosta do que vê. Nunca gostou muito da carcaça com que nasceu, sente que aquela que ali está, do outro lado, não é ela. Um metro e meio de altura. Cinquenta quilos de carne, ossos, pele. Cabelo preto, comprido, liso, à força de tanto o esticar. Alguns cabelos brancos. Olhos escuros. Um nariz grande, redondo. Uma pele ruim, cheia de poros abertos, pontos negros, vermelhidões. Suas mamas parecem cada vez mais pequenas, cada vez mais caídas, como se fossem flores murchas dentro de uma jarra. O peso do tempo a preocupa. As vezes sente que desperdiçou parte da vida com o trabalho, teve poucas oportunidades de se envolver com homens. Ela lamenta.
Ao sair, pára em um sinal e um homem de meia idade sussura em seu ouvido: “Com esse cabelo preto deves ter um bom grelo. Lambia-to todo! Horrorizada Anastácia atravessa a rua, sentindo um calafrio percorrer suas costas. Derrepente se vê sobressaltada, e totalmente perdida na cidade em que nasceu e viveu toda a vida. Um ardor percorre seu sexo, e ele se humedece. Ela pensa em parar, em se virar. Vem a mente suas experiências com sexo; o ardor, a queimação, o incômodo causado pelo membro rígido que teima em entrar em um orifício que sempre permaneceu fechado. Seu estômago revira.
Ela acha absolutamente justificado o seu desprezo pelos homens. Por que Deus criou o corpo das mulheres para sofrer, ela sempre soube disso, são cólicas, dores no parto, dores no ato sexual. Será por isso que ela nunca sentiu prazer no sexo? Todos julgam-na frígida, mas ela sabe que Deus amaldiçoou as mulheres. Por isso não se importa com os prazeres carnais, eles não são para as mulheres. Mas em seu íntimo ela queria que ao menos uma vez os homens sentissem dor no sexo, para saberem um pouco do que são feitas as mulheres.
Estou me deixando levar por sorrisinhos.
Mazelas de nosso tempo? Sentir-se infeliz por não ‘ter’, não ‘ser’, não ‘estar’, e no meu caso nem ‘parecer’ cabe.
Infelicidade genuína e pura, límpida e translúcida como água, pela simples amargura de estar viva. De ter o que fazer e não sentir vontade de executar. Objetivos? Metas? Pra quê? Qual é o prêmio no final? Até hoje não obtive nenhum troféu, nem mesmo tapinha nas costas.
Caminho para um final, que não sei qual é, mas que deve ser tão triste quanto eu mereço.
Sempre fui de essência melancólica, mas aprendi a conviver com isso. Da mesma forma que aprendi a conviver com meu cabelo crespo, minha magreza, meus problemas familiares, sem os aceitar apenas os suportando. Às vezes me pergunto se deixar de forçar vai adiantar? Uma hora a gente cansa, e eu já me cansei há muito tempo.
Ando por ai triste, cansada e desacreditada. Sofro de desencantamento Weberiano crônico. Colou-me no peito uma amargura que não desgruda, um amargo na boca, e no rosto uma expressão taciturna. Pobre de mim.
11.22.2008
Poker Love

11.16.2008
Cadê a educação?
Estendo minha indignação ao telefone (principalmente o celular). Você liga uma vez e a criatura não atende, cria coragem, liga a segunda, e a pessoa nada. Você se sente ignorado, e alguns dias depois você encontra o(a) infeliz e ele(a) diz: ah, eu vi que você ligou o que você queria? Porra! Se viu por que não retornou?
Outra coisa desprezível é o tal de três segundos: ‘onde c ta?’. Várias vezes respondi em seguida, e demorei alguns segundos para perceber que a pessoa desligou, não tem como não ficar constrangido.
Então seres internautas vamos:
- Responder recados com certo esmero e rapidez.
- Se despedir ao sair da conversa.
- Dizer oi antes de iniciar qualquer assunto.
- Se perguntar, a pessoa responder, agradeça.
- Não desligar na cara das pessoas.
Queria trocar de rosto

Escolheria os de homem
Os de bicha
Queria ter todos os rostos
E trocá-los como minhas roupas
Ser invisível
Ser admirada
Agredir
Sossegar
Vestiria as rugas de um velho
Sábia, me sentaria no jardim
Acenderia meu cachimbo
E veria o mundo passar
Seria uma bela negra
Escura e Corpulenta
Teria um arrogante olhar
E um rico namorado
Queria ser todos
Para não ser nenhum
E modificar
Para nunca me enjoar
A saga natalina materna.

A saga começa na escolha da arvore de Natal, quanto maior mais bonita, e mais cara. Os enfeites variados e coloridos também são apelativos e custosos. Mas o mais difícil são os pedidos das crianças, ter que gastas 1/3 do meu salário em um boneco feio, que eu sei que vai perder o braço em um mês, é difícil. E mais ainda é encontrar aquela Barbie Cinderela flash plus, que apareceu no comercial e que só serve ela!
E as intermináveis tardes de passeio no shopping?! Hoje os levei para passear no shopping e conversar com o papai Noel, que pra mim parecia mais meu tio Dirceu de barbas, ele sempre bebeu demais e ficava vermelho e bobo. Fiquei três horas na fila do papai Noel para as crianças ouvirem dois segundos de um ‘hol hol hol’ e a porra da rena gritar: próximo!!!!
A Helena quis sorvete, Pedro quis a piscina de bolinha, depois o hambúrguer que vem com brinquedo. No final estava exausta, sem dinheiro, e com meus filhos mal alimentados e agitados. Viva o espírito de Natal.
11.05.2008
Olhos descascados
Meu corpo está estagnado,
no mesmo lugar.
Parada,
sempre,
sentada,
esperando você.
Meu corpo teu,
vive de sua alma,
eu respiro tua pele.
Amo suas víceras.
Cálida.
Te espero
Percebo um corte no rosto,
sinto sua lembrança,
seu pênis dentro de mim,
seus pelos em minha boca.
Te espero
Seus dedos me apertam,
deixam marcas em minha pele.
Meus cabelos em suas mãos.
Minhas unhas soltam pelo seu corpo.
Doi.
Seu sêmem em minhas mãos.
E o que eu faço com tudo isso?
Eu enterro espinhos,
mas eles voltam para espetar meus pés.
Bebo sua saliva.
Me banho em seu suor
E esse seu vômito como eu posso aproveitar?
(Carta de amor escrita quando descobri a obra de Beth Moysés, seu trabalho gira em torno da violência contra a mulher)
11.04.2008
Coisas das quais eu me orgulho, mas talvez não devesse
Jogo sinuca.
Jogo baralho.
Tenho uma cama grande, apesar de ter sido quase um erro comprá-la.
Escrevo com freqüência.
Ainda uso tremas.
Faço várias coisas ao mesmo tempo (nem sempre dá tudo certo).
Tenho tatuagem
Durmo bem de conchinha.
Meu número de celular nunca mudou (e o aparelho só 3 vezes).
Bebo muita água.
Sei o que está passando em todos os canais parando menos de um segundo em cada. (isso é legal)
Faço coisas sem a menor importância parecerem interessantes.
Meu bem, você está me achando agressiva hoje? O.0 (1)
Bando de bundas moles que não se acham bons o suficiente e ficam tentando convencer a gente que são fodas, ai quando nós finalmente estamos convencidos passamos então a convencer a eles mesmos dessa mentira. Esse é o jogo!
Eu to puta com um monte de coisas, que vão desde a eleição nos Estados Unidos, passando pela Margarida ter perdido as eleições aqui, terminando no preço absurdo dos chocolates. Como essas merdinhas calóricas ficam caras!! Um singelo batom que na minha infância custava 0,20 agora ta 0,50! Onde esse mundo vai parar? O que uma mulher de TPM deve fazer para ter um pouco de caloria a preço módico?
Enquanto isso, estamos aqui todos perdendo tempo com essa putaria de internet, que só serve pra atrapalhar a nossa vida. Só serve pra dar vazão a expressão dos covardes.
Ficam como ratinhos fuçando e entrando em salas de bate-papo e na pior das hipóteses no seu MSN dizendo um monte de asneiras ao alcance do mouse. A internet possibilita isso, aos “gatinhaRJ2008”, ou “razorhead25”, ou “gostosao715”, dizerem o que pensam. E quer saber de uma coisa? Eu estou pouco me lixando para o que vocês pensam! Se quiser dar opinião sobre alguma coisa então pelo menos tenha a decência de assinar em baixo. Porque opinião por opinião minha cachorra também tem a dela sobre rações caninas.
cabras capadas (2)

São cabras que soltam seus balidos em alto e bom som, longos e tenebrosos béééééés, que ecoam pela internet! São cabras capadas, porque Deus em sua inteligência e benevolência percebeu que esses seres desorientados jamais seriam capazes de franquear a chegada de uma criança a este mundo. Por isso capou-as, servindo assim suas lanosas vaginas para serem penetradas por apelativos caralhos, de glandes refulgentes e escrotos cheios, só isso. Nunca para a criação. É tudo um grande vazio.
10.29.2008
Reflexão balzac + gardenal

Acho que por isso sempre me relacionei com homens mais velhos, acho que eu a maioria das garotas também preferem, por se sentirem mais seguras e pelo nível intelectual, pois os homens só conseguem atingir a maturidade um pouco tarde. Mas um dos meus maiores achados nesses últimos tempos foram os homens de 30!
Ah! Como são interessantes os caras de trinta! Eles trabalham, mas já passaram da fase da empolgação com a carreira e não ficam obcecados, achando que ainda irão ficar milionários ou famosos. Já tiveram vários namoros e não se perdem em joguinhos. Tem estabilidade emocional e em alguns casos financeira, e o mais importante já estão na fase de não ter medo de relacionamentos. Mas o lance do futebol com cervejinha continua, e até se agrava. Mas mesmo assim concluo que os balzaquianos são uma raça respeitável. Um brinde aos balzaquianos!
10.21.2008
Ri-dí-cu-lo
E há algum tempo ocorre uma sucessão de casos de violência. Quando um caso perde o interesse, ou os sanguessugas dos jornalistas não tem mais como chupar, largam a carniça de lado e partem para o próximo prato feito!!! E o caso antigo? Alguém se interessa em dizer o que aconteceu? Estou aqui querendo saber da garotinha e do garotinho que morreram e que comoveram (?) meio Brasil!
E a família da vítima? E a intimidade da família que é devastada por esses canibais de microfone? Toda a história familiar e pessoal da pessoa é contada no horário nobre, e os telespectadores jantam ouvindo sangue e assassinato com a boca aberta babada de miojo.
Estamos em tempo de mídia e vale tudo para aparecer na televisão! Até expor um caso de assassinato na sua família ta valendo... Como já dizia Chacal:
‘a propaganda é a alma do negócio.
Agora além do habitual deleite da imprensa e da população, a família da vítima nesse novo caso ao que parece faz o estilo look at me, baby! E a coisa tomou proporções colossais, de pais e mães tendo colapsos (pai de caráter duvidoso, estava sendo procurado em outro estado), doação de órgãos da vítima (pra deixar a coisa mais bonita, e conscientizar as pessoas, sei...), as pessoas passando mal e batendo palmas no enterro (?).
A imprensa deve fazer seu trabalho estar perto e atenta, mas isso já é demais! Não agüento mais ver esses casos da bola da vez, cadê o jornalismo sério e objetivo? Isso me lembra a música do Tom Zé do álbum Todos os olhos (1973):
“E por que é que um Zé qualquer de vez em quando tem que dar sete sopapos na mulher?
Ou seja, essa balela já vem de muito tempo. A conclusão que eu chego depois dessa balbúrdia é que a nossa imprensa é tão despreparada e incopetente quanto nossa polícia que nunca consegue resolver a porra do caso.
FIM
10.16.2008
Papo de homem
Mas não há como não se admirar com os genuínos exemplares dessa raça que conseguem ser tão acéfalos. Agem como deuses, dominam e tomam decisões, mas não se sentem potentes o bastante quando se deparam com uma Mulher. Sentem medo, se encolhem, se atrapalham, e se emplumam como pequenos poodles peludos machões. Pobres exemplares mal sucedidos de homens.
Carta às mocinhas virgens.
Minhas queridas que se guardam infortunadamente aos que um dia vislumbrarão o hímem intacto e inoculo!A vocês garotas que se chafurdam com essa verborréia derramada sobre suas pobres cabecinhas de vento, e por conformismo (ou falta de personalidade) buscam em vão se auto-afirmar através de afirmações mentirosas, dizendo que não querem sexo. E prisioneiras de seu íntimo e mal amado coração se super valorizam sem perceber que perdem assim o valor.
Á vocês amigas que se guardam ao príncipe encantado! Ser amado e belo que surgirá com todas as melhores qualidades e intenções, que irão respeitar e amar vocês pra sempre, da forma mais inesperada e mágica possível. Há vocês que acreditaram quando mamãe disse que iriam se casar com um belo homem e ter belos filhos, eu digo: esse homem não existe!
Sim, era tudo mentira... Nunca vai haver o homem perfeito, sempre vai haver um defeito (quando não for vários). Sempre vai haver aquela ‘coisa’ que estraga; aquele hábito lamentável, aquele passado que condena, aquele cabelo no peito do pé que dá nojo. Então caras amigas, não adianta de nada ficar se guardando pra sempre, esperando o cara certo que nunca vai aparecer. Não adianta transformar o sexo em moeda de troca, como se fosse o prêmio para o garanhão vencedor! Vocês só estão contribuindo para que esse machismo chauvinista babaca continue existindo. Não se esqueça que em uma transa os dois devem sentir prazer, os dois saem ganhando. Não digo que vocês devam sair transando com todo cara que der tesão, isso também não é bacana, mas construir a relação para a possível ocorrência do sexo é normal e saudável.
Não se iluda, seja consciente e dona de si, não aja impulsivamente, use e não apenas seja usada, sinta prazer, sinta os cheiros e sabores, esqueça o mundo lá fora, não esqueça a camisinha.
Mas se caso você queira um cara bonitinho que se cuida, gosta de ir às festas, mas não fica com um monte de mulher, não tem ex que enche o saco, não quer transar o tempo todo, gosta de conversar e te entende, então querida namore uma viado!
10.10.2008
Blindness - Ensaio sobre a cegueira

Destaco a atuação de Julianne Moore. Ela está perfeita! O que me causou uma grande inveja, pois esse era um dos personagens que eu gostaria de interpretar, agora menos um na minha lista.
A cena do estupro foi tratada na medida. Foi bastante explorado o momento que precede ao estupro, o que deu um tom dramático e belo a esse sacrifício. E eu feminista que sou não tenho como não admirar e me derreter com essa citação de Saramago (acho que posso chamar de citação), afinal o que nós mulheres mais fizemos na história foi justamente isso...
A cena que se segue, é uma das mais bonitas que eu já vi no cinema. No livro ela tem um peso magnífico, mas no cinema ela ficou perfeita! As mulheres lavando a garota que morreu, você percebe a cumplicidade, a relação de compaixão, e carinho levada ao extremo da sensibilidade feminina. É emblemático e tocante ver as mulheres sem dizer uma palavra, cometendo um gesto que só nós sabemos o quanto é importante.
Senti falta da cena que eu mais gostei no livro, em que a personagem principal leva comida aos seus debaixo de chuva e sua roupa se rasga deixando a mostra os seios, uma alusão explícita ao quadro A Liberdade conduzindo o povo, de Eugène Delacroix referente à Revolução Francesa. Mas eu entendo que essa cena no cinema e dentro do roteiro não seria tão interessante. Outro ponto negativo foi o cachorro, concordo com Saramago, teria que ser o vira-lata mais feio e carismático do mundo, e não um poodle grande.
Eu teria mais coisas a comentar, mas fico por aqui, de uma forma geral o filme guardou a dramaticidade da história sem excessos, e sem ‘pieguismos’. Não é um filme para as massas, mas para quem tem sensibilidade o bastante para perceber o quanto que essa história guarda grandes paradigmas culturais e sociais de nossa humanidade. Eu como eterna investigadora de Arte aconselho a quem for perceber o filme use a sensibilidade, e não apenas com o olhar e a audição.
10.06.2008
Confissões noturnas
Olho para meus pés e analiso o contorno dos calcanhares, os ossos que teimam em emergir, a sutil tortuosidade dos dedos e percebo o quão inútil em minha vida tem sido meus dedos dos pés.
Sinto vergonha de meus pés, sempre senti , recordo-me de minha tia Gracinha dizendo que pé de moça deve ser delicado, levemente arredondado e bem pequeno. Constrangia-me retirar os sapatos perto das matronas e mais tarde perto dos rapazes. Hoje olho para eles e sinto pena, pobres pés que foram negligenciados a vida toda, e agora de frente a eles me sinto confrontada por todos esses anos de pouca atenção. Benditas noites sem sono que nos mostra a verdade sobre os pés.
Confissões noturnas
Há quem se sinta incomodado com os barulhos ensurdecedores, ou com a falta de espaço para reflexão em meio a tanto caos auditivo.
Há quem se incomode com ruídos em determinados momentos do dia, ou deteste música, ou qualquer outro tipo de som que abale o difícil equilíbrio das coisas.
Eu fico na contramão do óbvio, e assumo sem receio do possível julgamento pseudo-psicológico que eu tenho medo do silêncio, não sei viver na falta de ruído, me desespera, angustia, estar em um ambiente em que o silêncio é duro como rocha. Estou tentando calar meus pensamentos? Seria apenas um vício relativo à solidão? Não sei dizer, mas criei para esse meu novo distúrbio um nome: tacifobia, em homenagem a deusa grega do silêncio, Tácita.
Retirar o silêncio das coisas talvez seja o que mais me dá prazer na vida.
9.26.2008
Meu cabelo entre os dedos, a tesoura em outra mão.
Oiço o ronco da cama, é ele a se revirar entre os lençóis. E penso na noite anterior; o telefonema, o bar, a música, o convite, o sexo. Meu corpo adormecido por baixo do seu, as pernas moles, e a dormência, a semiconsciência. Percebo enfim como é ser mulher, ao sentir meu corpo como fim em si mesmo, como um material a ser carregado e cuidado para propiciar prazer ao corpo do outro. E minha mente enclausurada que habita esse ‘corpo-pele’ busca lucidez. É nessa hora que me lembro dos dizeres de minha avó: “Raríssimas mulheres sentem prazer, filha. O homem, sim. Então a mulher precisa fingir um pouco, o que não tem essa importância que parece. Temos que cumprir nossas tarefas, o resto é supérfluo. Se houver prazer, melhor, mas e se não houver? Ora, ninguém vai morrer por isso.”
Levanto e olho no espelho. Procuro meu rosto no reflexo, e percebo como deixei de parecer comigo. Decido que preciso de um corte novo nos cabelos, abro a primeira gaveta e pego a tesoura. Meu cabelo entre os dedos, a tesoura em outra mão. Corto minha franja e ela sai um pouco torta. Olho-me. Toda a vida menosprezei os conselhos de minha avó, com misto de pena e desdém, mas agora percebo como é melhor ser uma deusa morta do que uma mulher viva.
9.19.2008
eu Nunca quis. mas parece ser Mais forte que eu
O que é justiça? Onde se encontra esse safado de destino que tem o humor mais negro que eu já vi? Eu tentei resistir até o último momento, mas as vozes na minha cabeça não se calaram. Meu corpo padece quando minha mente entra em conflito. Minha mente padece quando meu impulso subverte meu desejo. E eu expio meus pecados constante e dolorosamente. Cá estou eu desesperada agonizante, dentro de mim mesma, lutando para destruir a casca inabalável que criei. Olha pra mim. Onde foi que eu cheguei?
9.03.2008
Muitas saudades de escrever no blog, mas não encontro tempo.
9.01.2008
Living in a ghost world...
Acabei de assistir a esse filme e não hesitei em guardá-lo no blog. Malditos escritores (principalmente os de quadrinhos) que compreendem tão bem o universo dos excluídos, não consegui me manter imune.8.21.2008
Blog, pra quê?
Sinta-se à vontade para observar.
8.14.2008
Que tal nos olharmos no espelho e tentar vermos o que realmente somos?
Sou morena, me acho demais, mais do que devia. Fui muito mimada quando era criança e me rebelei na adolescência. Passei a ser a ovelha negra da família, queria curtir a vida de forma intensa. Fiz tanta loucura e era tão impulsiva que engravidei aos dezessete anos. Abortei naturalmente no meio do ano. No final fui aprovada em um vestibular e me mudei para outra cidade. Morei sem pai e mãe por dois anos. Foi quando engravidei novamente para suprir a carência que o aborto me causou como mulher. Voltei para casa de meus pais e vivi, por quatro meses para minha filha, que é a minha vida. Voltei para faculdade, só que em outro curso. Quando minha filha fez dois anos consegui me enxergar novamente como uma pessoa separada dela. Somos companheiras e unidas, mas somos duas e não uma pessoa só. Foi quando percebi que estava deixando minhas ambições e meus sonhos de lado pela maternidade.
Tenho 23 anos e ás vezes imagino que tenho mais por cobrar de mim devido à maternidade. Se pudesse pedir uma coisa a um gênio da lâmpada pediria para lavar minha alma. Acho que me descuidei dela um pouco. Sinto-me sobrecarregada, os ombros pesados por não sei o que é. Mas pesa.
Muitas vezes concordo com a Marisa Monte: 'apagaram tudo, pintaram tudo de cinza' e me dá vontade de chorar, mas não sei o motivo. Sei, algo me incomoda, mas não consigo identificar para cortar de minha vida. Talvez sejam algemas que me prendem a algo, ou uma bagagem pesada que não seja útil a mim.
Sempre fiz minhas vontades, mas agora sempre que faço algo que quero me sinto culpada. Não entendo o porquê. Muitas vezes não consigo respirar também. Tem algo me sufocando.
(continuação)
Sinto muita falta de rir como ria antes. Rir com muita vontade. Meu sorriso era minha marca registrada. Todos falavam. Hoje sorrio menos e com menos intensidade.
O sexo vem me acompanhando ao longo de minha juventude. Interessei-me por ele muito nova, apesar de perder a virgindade aos 17. Mas me masturbava desde os 12, 13. Depois que terminei um namoro de 7 anos descobri que não era feliz totalmente no sexo com o pai da minha filha. Mas me reencontrei com meu primeiro namorado e enfim transamos. Entendemos-nos muito bem na cama. Ele me faz sentir-me viva e desejada. Nos braços dele sou mulher, mas tenho vergonha de assumir um relacionamento sério com ele porque ele é pobre, é feio, mas é a verdade. Não falei isto para ele, mas se ele tivesse uma situação melhor, eu ficaria com ele.
Hoje estou na metade do curso de jornalismo. Eu sempre quis fazer isto ou psicologia. Estagio em um lugar legal. Tenho um dinheirinho por mês que dá para sobreviver, mas não dá para me realizar. Estou buscando a independência feminina do século XX. A sociedade nos impôs isto. Mas me encaixo no perfil de mulher que não precisa de homem. Pelo menos me imaginava assim quando era criança. Tô na luta! Tentando ser o que eu quero ser. Mas não me lembro muito bem do quero ser. Então estou perdida!
8.11.2008
Estudos sobre fotografia.
A caverna de Platão e a relação com a realidade faz-me tecer uma relação com a fotografia, que se compara a essa busca frustrada pela realidade. A fotografia modificou a realidade, a partir do modernismo, essa realidade (dentro da caverna) propõe novos conteúdos para serem vistos, e mais, observados. A fotografia é um fragmento do mundo. Miniatura de uma realidade. Ela é a técnica que mais se relaciona com a realidade visível.
Imagens que idealizam, como fotografias de moda, não são menos agressivas que as fotografias que valorizam a depressão. Existe sempre um conteúdo de agressividade implícito em qualquer utilização da câmera. Para Diane Arbus, o ato de fotografar era feio, ruim, e isso a interessava. O fotografo pode ser considerado um ser perverso, pois ele se distancia de seu modelo e lança sobre ele apenas um olhar desfragmentado pelo meio técnico fotográfico, não há entre ele e o modelo um relação mais abrasada como há na pintura por exemplo. O ato de fotografar pode ser considerado um ato violento. Podemos perceber, portanto um lado fetichista no ato de fotografar, e ser fotografado. Fotografar é um ato de não intervenção, voyeurismo puro.
A fotografia é um instrumento de poder, tanto do fotógrafo que detém o poder de congelar o tempo, a imagem, quanto o objeto fotografado que se torna imortal. A fotografia sempre foi considerada um bem de luxo. O evento ou pessoa fotografada se torna eterno, por isso é tão importante fotografar-se durante a vida, principalmente crianças. O fato fotografado também se valoriza, e o evento que é registrado por meio de foto sobrevive para sempre, e isso dá um peso e importância histórica que nenhum outro meio dá.
Podemos dizer que hoje estamos mergulhados em um consumismo estético acentuado, provocado pela utilização muitas vezes agressiva da imagem, somos viciados em imagem, sofremos uma poluição imagética mental. Esse fenômeno torna claro o prazer erótico contido na fotografia tanto de quem a tira quanto de quem a observa.
Hoje em dia tudo que existe, existe para começar ou terminar em uma fotografia.
8.07.2008
Gostaria de fazer um desabafo
Quanto mais ela se dedica a nossa relação, mais desconfiava. A dúvida da traição me dominou. Ela passou a fonte de minhas preocupações. Será que ela resistiria à investida de outra pessoa? Por que ela se manteria fiel a mim todos esses anos? Tão indiferente e impecável.
8.01.2008
Pessoas instigantes
Sou indiferente a maioria das pessoas, outras me desagradam mas há uma parcela mínima que me instiga.Gostaria de ter as rugas maduras dela, e esse ar de mulher que sabe o que é.
Carta ao Dr. House.
Tenho uma confissão a fazer: tenho uma queda por você. Sim, isso é uma carta de amor, mas vou tentar não ser piegas, nós não temos paciência pra isso.
Sei que temos que ficar juntos, e como percebi essa verdade antes de você me sinto na obrigação de te alertar.
Você tem o humor mais fino que já encontrei em um homem, e quem me conhece sabe que eu não resisto a um senso de humor.
Não é minha intenção te idealizar, sei que você tem defeitos; è egoísta, característica que divide com todos meus ex namorados, acredite, eu estou acostumada a lidar com isso.
Apesar de ser um belo coroa de olhos azuis, por se dedicar muito ao trabalho não faz o tipo mulherengo, e isso traria paz e tranqüilidade a nossa relação. Com exceção das discussões calorosas que teríamos antecedendo ao sexo, é claro. Perdoe minhas fantasias, é que eu não reprimo meus desejos.
Acho que seríamos uma interessante mistura de anseio e indiferença, intenção e displicência.
Quem me conhece perceberia também que esse meu encanto não passa da minha velha carência de figura paterna. Mas ignorando minha saúde mental eu me candidato a ser sua namorada.
Ligue-me qualquer dia desses.
Com carinho
Rafaela
PS: Acho sua bengala um charme.
Comédia Dell'Arte
Apesar da intempestuosidade do temperamento de seu namorado, Colombiana o amava e se sentia amada, segura. Seu coração derretia por ele.
Mas ela não pôde ficar indiferente quando Arlequim tentou a impedir de entrar na Faculdade – que era em outra cidade – e pela primeira vez ela quis terminar.
Na véspera de sua partida ele ficou enlouquecido e tentou matar a ambos em um acidente de carro. Ela conheceu o mostro que conviveu durante 5 anos. Mentiu, e conseguiu o acalmar. Teve que fugir no outro dia bem cedo, deixou o namorado e o amor que sentia pra trás.
Agora, reiniciando sua vida se rejubila por estar livre. Sente o prazer surpreendente de sair de um relacionamento doentio, completamente ilesa. Ela não sente culpa, não sente raiva. Agora ela está sem amarras, sem grilhões. Prova o prazer da liberdade, não imaginava como estava sedenta dela.
Uma amiga, ciente da situação, convida Colombina a uma festa no apartamento de um rapaz. Colombina bebe e tenta interagir com os convidados, a maioria bastante desinteressante. Um garoto grande e desajeitado tenta ser engraçado, mas a deixa entediada.
Em determinado momento ocorre um tumulto: uma garota se excedeu na bebida e caiu, levando consigo boa parte das garrafas de cerveja do congelador. Os convidados estouram em risadas. Colombina ensaia uma forma de ir embora, e nesse exato momento, em meio a confusão chega mais um convidado, um garoto de nariz engraçado e espessa barba escura, e Colombina sente o que temia sentir, seu coração derretendo. Ela estava novamente preza a uma pessoa. O amor.
7.21.2008
26 de Agosto de 1985
É muito cruel passar de uma idade pra outra em apenas um dia, cria uma sensação ruim do tempo, que ele é traiçoeiro. Ninguém tem noção de mudança de idade sem ser no dia do aniversário. Você passa um ano se acostumando com o numero da idade que tem e de um dia pro outro temos que somar um. Mas como? De onde veio esse ano que eu não vi?
Nunca gostei muito de festa de aniversário, alias a única vez que eu me lembro de ter tido uma foi aos 10 anos, ela foi filmada e eu faço questão de não assistir a fita e ver o freak show que é minha família.
Aos 15 eu participei da festa de 15 anos da minha amiga. Fiz maquiagem, escovei o cabelo, coquei vestido rodado e tudo. Fiquei horrorosa. Nunca mais quis ver a fita também.
Meu aniversário de 18 anos não foi menos decepcionante, pois achava que seria o marco da minha vida, que daquele dia em diante tudo iria mudar, eu seria finalmente adulta, maior de idade, mas eu percebi que continuava a mesma. A mesma Rafaela de sempre... Oh decepção!
Na casa dos vinte, na qual me encontro não está diferente, pelo contrário, tudo uma mesmice. E mais uma vez a sensação que estou sendo usurpada na minha existência. Nada de felicidades, só mais anos de vida que coleciono inutilmente desde os 10 anos. Mais rugas, mais responsabilidades, menos presentes. Por mim continuava fazendo 10 anos até hoje.
Estou em luto pelo meu aniversário.
7.01.2008
Ditadura do orgasmo!
Seria tão bom se os templos religiosos se prestassem a fazer mais que ecoar cânticos aos Deuses. Seria tão enriquecedor se ao invés de decorar as passagens da bíblia de forma surpreendente os religiosos a interpretassem criticamente. Seria imensurável se o espaço de uma casa religiosa se voltasse para questões teológicas, estudos das religiões, dos textos sagrados, e não ser apenas um aglomerado de gente em busca de um bem-estar egoísta. As pessoas deveriam compreender que a busca de um Deus é mais antiga que a civilização ocidental, e a busca pelo consolo supremo é mais antiga que a fala. “O consolador” é uma entidade criada para acalentar as nossas tristezas. Sofremos desde a primeira inspiração. Isso vale tanto para o garoto pobre que nasceu na favela do Rio, quanto para o garoto rico que nasceu na Suíça. Todos sofrem. O que vale é aprender a conviver com as impossibilidades, e parar de dar dinheiro para os psicólogos oportunistas escritores de auto-ajuda.6.07.2008
Shoppings, as novas cavernas.

Admirei o obelisco com o imponente nome do shopping, entrei nas intrigantes portas que abrem sozinhas, e passei pelas vitrines cheias de roupas incríveis que nunca vou ter, chego enfim a tão desejada Saraiva, fazendo as contas de quanto ainda resta de limite no cartão.
Parada na porta observo o ambiente sóbrio e chic que é peculiar das livrarias, me sinto em casa pela primeira vez desde que entrei no shopping, mas a sensação do som contrasta com a imagem, está tocando Justin Timberlake? Ou seria um algum rapper americano? Uma livraria tocando música pop, um contraste muito rude pra mim.
Viro meu olhar para a direita, e o que vejo? A placa Arte, meu coração até dispara! Enfim a felicidade! Ao me aproximar dos livros grandes, coloridos e cheios de imagens percebo que as prateleiras são divididas em assuntos, moda ganhou duas prateleiras inteiras, fotografia também, quadrinhos têm várias, e lá em cima a história da arte com um pedaço de prateleira, examino os livros com cuidado e concluo, não tem nenhum livro muito relevante de crítica de arte. Ó decepção!
Acabo me distraindo com os outros livros, e logo acho a prateleira dos livros de bolso. Benditas editoras que lançam livros de bolso a 10 reais! Interesso-me por alguns e acabo escolhendo um chamado A Arte de Escrever do filósofo alemão Arthur Schopenhauer. Fico passeando pelas prateleiras com o livro na mão e escuto alguns diálogos. Em um momento um garoto se vangloria com outro por ter lido Código da Vinci, afirmando que é um dos melhores que já leu, o outro afirma com certo ar de argúcia que não costuma ler. Meu pobre coração dói.
Mudo de lado, e me dirijo a placa Literatura Brasileira, confesso que estou um pouco por fora do mercado literário brasileiro. Bem no canto, formando o que seria uma vitrine, encontro os dois livros da Bruna surfistinha, e várias biografias, Garrincha, Raul Seixas, Renato Russo, Paulo Freire (esse eu fiquei feliz de ver). È isso... Nossa literatura se resume a uma prostituta-escritora (nada contra a classe das prostitutas, pelo contrário), e um monte de biografias de gosto duvidoso.
Já desolada pela decepção, escuto mais um diálogo lamentável, um homem gordinho usando um jeans de marca apertadinho nos genitais dizendo a uma mulher feia que adorou Quem mexeu no meu queijo, e os dois discutem o valor filosófico dessa obra, e quando eu achei que não poderia piorar ele pega Casais inteligentes enriquecem juntos e mostra para a tal mulher dizendo: amor, olha que livro bom, e ela – é deve ser muito bom mesmo. Depois dessa eu não agüentei, larguei o livro do Schopenhauer e fui embora.
5.29.2008
Você sabe como é ser uma garota?
Como é ter a pele macia
os cabelos compridos
o corpo curvilíneo.
Como é tentar parecer forte nesse mundo,
sem perder a delicadeza.
Ser cobrada, tolhida
e demonstrar graça e beleza.
Ter vontade de agir desordenadamente
mas ter que seguir regras,
Ser feminina
ser fêmea,
vc quer saber?
Como é amar um homem,
como é sentir os dedos dele entre os cabelos
sentir o coração disparar
a vulva umedecer
as pernas relaxarem
Os perfumes
As unhas
A bolsa
Querer ser algo além
Você nunca vai saber o que sente uma garota
5.26.2008
José Saramago assiste pela primeira vez Blindness.
Estou contando os segundos pra ver esse filme. Principalmente depois que eu vi a reação do Saramago.
Você se acha chata?
Muitas vezes. Sou cheia de manias. Tenho carências insolúveis. Sou teimosa. Reclamo de tudo. Critico tudo. Não gosto de queijo. Tenho normalmente reações fora do comum, isso deixa as pessoas um pouco constrangidas. Às vezes calma de mais, às vezes nervosa de mais. Não gosto que mexam nas minhas coisas. Sou egoísta. Detesto que toquem minha orelha, adoro tocar a orelha dos outros. Não imploro afeto. Não sou indiscreta nas minhas relações. Tenho poucos amigos, porque acho mais inteligente ser seletivo a respeito daqueles que você escolhe para contar seus segredos.
5.21.2008
Manhã de domingo
Hoje Carlos completa 83 anos, mas a importância dessa data incidi sobre seus ombros através de uma carta roxa recebida há uma semana. Com uma bela letra caligrafada, o nome Paola, seu coração maduro pára, era o convite de casamento dela.
Após o desjejum matinal, o escritor senta-se à sua mesa de escritório, lugar onde executou os maiores trabalhos de sua vida. Carrega consigo a carta roxa que lhe pesa o coração e lhe trás recordações do passado, ele vê a sua frente sorrisos, lágrimas, brincadeiras, bebidas, cata-ventos, uma garotinha de olhos grandes, magra e sorridente.
Escritor que obteve grande sucesso, mas há muito tempo entrou em franca decadência. Mesmo recebendo suporte de seus amigos jornalistas em colunas eventuais, Carlos percebe sem assumir, que é hoje apenas uma sombra do que foi há 20 anos, é como se uma maldição tivesse esvaído todo seu talento literário. Hoje se senta à mesa para escrever a carta mais difícil de sua vida.
Ele não se orgulha do que fez, mas sabe que optou pelo melhor para todos ao abandonar a mãe de Paola. Ele sabia em seu íntimo que não iria trazer felicidade ás duas, ele sabia que sua esposa mais cedo ou mais tarde iria descobrir a filha ilegítima, e para proteger a mãe e a bela garotinha que ele guarda em sua lembrança teve que deixar-las ir.
Pedir desculpas? Justificar que não iria ao casamento por doença? O que dizer a pequena Paola que agora é mulher feita? Ele sabia que desejava o melhor, o sorriso mais gostoso que ela pudesse dar, mesmo que ele nunca tivesse perto pra ouvir, mesmo que há muito tempo não ouvisse sequer a voz dela.
Ele nunca se explicou, nunca facilitou para ela compreender sua ausência, e agora ela lhe dá esse presente, um convite de casamento.
Sentado há frente de seu computador, ao olhar para a tela em branco, o escritor se deu conta que não tinha mais nada a dizer. O que não foi dito o silêncio se encarregaria de dizer. Pois depois de tantos anos o que restava de sua paternidade? Ele não se sentia no direito de participar dessa celebração, ele não cometeria a imprudência de comparecer. Covardia? E para se punir, ou se abster, ele se omite mais uma vez. Não responde ao convite. Se cala e chora.
5.19.2008
0,5 ml de lágrimas
Meu pensamento vagueia.
Quero acender um cigarro,
pensando bem
não vale tanto a pena.
Penso nos livros para ler,
nos livros que nuca li,
muitas páginas em branco.
Deito na cama
e me encolho
o máximo que posso,
meu joelho tocar meu peito,
e se eu ficar bem quieta escuto meu coração,
escuto o que ele diz.
Um silêncio muito grande se instalou.
Da janela pra fora chove,
o mundo chove.
E o ruído da TV se confunde com a chuva,
mudar de canal ou ir fazer chá?
Olho o telefone, nenhuma ligação.
Às vezes o escuto tocando
é só minha imaginação.
Será que alguém vem me salvar?
Nem o telefone nem a porta.
Espero.
Escolho o chá.
Deito na cama,
aperto a almofada contra o peito
enquanto tomo chá quente
meu peito se aquece
como há muito não se aquecia.
Duas lágrimas escorrem,
apenas 2 lágrimas,
0,5 ml de lágrima,
e nada mais.
5.17.2008
Ensaio da Rafaela sobre a cegueira.

Pois bem... Eu estava em um estado estranho, quase em transe, e fiquei observando essas pessoas e notei a tristeza que emana delas. Como os jovens são tristes!
Em um determinado momento vi um casal se beijando, tão paixonadamente que não consegui tirar os olhos, era um beijo lânguido, curtido, gostoso. Eu logo imaginei que se tratava de namorados, e uma paixão ardente, quase táctil. Mas ao final do beijo o rapaz ficou de frente pra mim me olhando fixamente, fiquei constrangida, depois o casal se despediu como velhos conhecidos e cada um foi para um lado, como se o que era verdadeiramente importante já houvesse acontecido e não restava mais nada. Achei estranho...
Vi várias outras cenas parecidas com essa, casais bonitos que se separavam com muita displicência, me fez me sentir mal.
Vi essa mesma tristeza nos olhos das pessoas que estavam comigo, percebi que a maioria estava fingindo que estava bem, que estava se divertindo. Percebi a angustia que em alguns foge pelos olhos. É a mentira que o álcool facilita, mas o olhar revela.
Esses casais que se beijam e buscam o melhor em estar com alguém em um curto espaço de tempo. O que eles temem? Como se passasse daquilo já não valesse a pena, que olhar no olho da pessoa que você beijou fosse perigoso. Medo de se apaixonar? Medo de se envolver?
Pobres pessoas que se enganam e perdem o melhor da vida. Tenho uma mistura de pena e medo da cegueira das pessoas.
5.08.2008
Período menstrual
Como qualquer mulher eu odeio menstruar. Quem nunca se constrangeu ao ter sua intimidade revelada quando o absorvente não dá conta do fluxo? Nada mais embaraçoso.
Ter que usar absorventes, que eu tenho pra mim foram projetados por homens, principalmente aqueles que afinam no final, não existe nada mais desconfortável.
Mas esse mês é diferente. Minha menstruação chegou segunda-feira por volta do meio dia. Ela chegou para me limpar.
A menstruação pra mim sempre simbolizou renovação, é o período do mês em que nós mulheres trocamos de fase, como a lua. Todo o preparativo vital para gerar vida é criado dentro de nós, nos preparamos para receber o melhor, o mais abençoado. Mas se por ventura não somos fecundadas, essa forca vital deve ser renovada, e todo o sangue que cria e mantém, é colocado para fora já morto.
Meu corpo conversa comigo, e eu o compreendo muito bem. Minha menstruação está retirando o que não foi fecundado em mim, e assim que ela acabar na próxima segunda eu sei que estarei renovada, pronta para gerar vida novamente. Até lá participo dessa tarefa corporal de retirar o velho e aguardar o novo.
E quem sabe um dia meu calor vital seja correspondido e eu gere vida! Quem sabe um dia...
5.07.2008
Milágrimas
(grupo Orquídeas do Brasil, interpretando uma música de Itamar Assumpção, letra a baixo para cantar junto!)
Em caso de dor, ponha gelo
Mude o corte do cabelo
Mude como modelo
Vá ao cinema, dê um sorriso
Ainda que amarelo
Esqueça seu cotovelo
Se amargo for já ter sido
Troque já este vestido
Troque o padrão do tecido
Saia do sério, deixe os critérios
Siga todos os sentidos
Faça fazer sentido
A cada milágrimas sai um milagre
Em caso de tristeza vire a mesa
Coma só a sobremesa
Coma somente a cereja
Jogue para cima, faça cena
Cante as rimas de um poema
Sofra apenas, viva apenas
Sendo só fissura, ou loucura
Quem sabe casando cura
Ninguém sabe o que procura
Faça uma novena, reze um terço
Caia fora do contexto, invente seu endereço
A cada milágrimas sai um milagre
Mas se apesar de banal
Chorar for inevitável
Sinta o gosto do sal
Sinta o gosto do sal
Gota a gota, uma a uma
Duas, três, dez, cem mil lágrimas, sinta o milagre
A cada milágrimas sai um milagre
5.05.2008
Cobaias de Deus
Eu pensei, eu também quero muitas coisas. Quero um sapato novo, quero um cigarro, quero meus amigos, quero paz, quero ser amada.
Às vezes a gente não tem tudo que deseja.
4.30.2008
e finalmente a conclusão! (8)
O namorado ¬¬ (7)
Não acho que as mulheres devam ser escravas da beleza, e principalmente desses meios desumanos de conseguir ela, mas também não acho que os homens devam ser desleixados, acho que tudo fica bom no meio termo. As mulheres deviam se desligar um pouco da vaidade e da competição e os homens entrarem um pouco nela.
Uma das coisas que mais me intrigam na vida são essas meninas que conseguem estar o tempo todo impecáveis, depois da descrição detalhada que dei abaixo dá pra perceber que não é fácil estar sempre impecável.
E a roupa? (6)
E os cabelos?(5)
E as unhas? (4)
E a depilação? (3)
Sonho de uma noite de verão (2)
Sonho de uma noite de verão (1)
4.29.2008
Mau gosto

Por que certos homens quando ficam velhos pintam o cabelo de louro acaju? Existe cor mais infame do que louro acaju? Onde está o bom senso dessa pessoa? Ou melhor, onde está a esposa dessa pessoa? Uma mulher jamais deixaria essa blasfêmia acontecer. Com exceção das tias que pintam o cabelo de vermelho intenso.
Já sei!!! As tias de cabelo vermelho intenso são esposas dos tios de cabelo louro acaju. Só uma pessoa de muito mau gosto conviveria com outra de mau gosto na mesma medida.
Eu fico imaginando os filhos...
Madeira
Sinto falta das conversas bobas de portão, das famílias que em tempo de calor sentavam-se a porta para conversar com os vizinhos enquanto os pequenos brincavam.
Sinto falta do tempo em que não se matava de trabalhar pra comprar tecnologias fúteis. Sinto falta da época em que a tecnologia não atrapalhava nossas vidas, onde escrever cartas era um prazer normal. Onde rever um grande amigo demorava muito, e a emoção do reencontro era imensurável.
Sinto falta da época em que para não se estar só devíamos estar com a família, onde as famílias eram fundamentais na vida das pessoas.
Acredito e amo essa inocência que foi perdida com o aumento da capacidade de comunicação, e a diminuição da sua qualidade.
Amo esse mundo que cheirava a madeira.
A garota que ví hoje.
Na maioria nem se trata de pessoas bonitas, daquelas que não se consegue tirar o olho. Não! São na maioria das vezes pessoas comuns, e até banais, mas dotadas de uma expressão, de uma plasticidade emocionante.
Hoje me deparei com um exemplar desse tipo de pessoa no supermercado. Era uma garota mais baixa que eu, de cabelos cor de malva, lisos, brilhantes e compridos, pele morena e sadia, nariz arredondado um pouco arrebitado na ponta e belos olhos grandes contornados por olheiras que lhe caiam incrivelmente bem.
Não desgrudei os olhos dela na fila do pão e a segui até o guichê, ela me parecia tão alva e melancólica, fiquei imaginando se ela sofria. Fiquei imaginando no que ela estaria pensando e defini que era na avó materna com quem ela vive desde que começou a faculdade. A família muito religiosa e conservadora não permitiu que ela morasse com suas amigas, ela sofreu em silêncio nos primeiros meses, mas depois acostumou-se com as manias da avó, e se calou.
Segui a garota até a porta do supermercado e depois ela se foi. Deixando-me um aperto no coração.
4.26.2008
Elizabeth - A era de ouro

Voltando ao filme... Eu destacaria o trabalho de iluminação. A luz narra quase tão incisivamente quanto o texto.
Destaco uma cena em especial: a última, onde a luz representa à narrativa. A cena se passa em uma sala iluminada por uma grande janela, Elizabeth pega o filho de seu amante do colo e a luz bate nela de perfil por trás, uma menção nítida a virgem Maria, há um giro de câmera e a luz fica de frente para a atriz, a luz resplandece na tez clara de Kate Blanchett e ela se ilumina, comparando-se a uma divindade, sua personagem de mãe do povo se torna uma Deusa! Com certeza Elizabeth III vai ser a grande rainha em seu momento mais sublime. Estou aguardando...
A Pele

A Pele é uma fábula que conta uma parte da vida de Diane Arbus a qual não temos muitas informações, tentando traçar a transição de uma mãe de família para uma fotógrafa atenta ao seu tempo, sem hipocrisia e extremamente sensível.
Sua atração pelo freak amadurece no decorrer da trama, e ela descobre um meio de se expressar e botar o dedo na ferida de um EUA American Way of Life.
Nicole Kidman usa todo seu talento (o qual nem sempre vemos em seus filmes) para dar vida as expressões e principalmente aos olhos de Diane – e que olhos!
A protagonista abre a porta e um universo de experiências e aberrações, e entra com tudo nessa viagem, (que me lembra muito Aventuras de Alice no Pais das Maravilhas).
Aconselho a quem for ver o filme que se informe previamente a respeito do trabalho dessa incrível artista, e sua morte por suicídio anos mais tarde, assim a trama cria mais sentido. Perceba suas inquietações, e o universo obscuro e incrivelmente belo em que ela se aventura.
O filme apresenta uma bela Diane Arbus atormentada e nascendo.
4.02.2008
(...)
Pobre garota de sonhos reprimidos
Sonhos condensados em desejos maltrapilhos
Pobre menina
Que sofre pelos amores perdidos
Sofre na mão do bandido
Pobre rafaela com tranças
Deitada
Enrolada
Miúda
Na cama
Pobre rafaela que chora
Sofre as dores do amor romântico
Sem nem mesmo acredita-lo
Sofre como quem sofre de um tédio doloroso
Sente dor no peito
Dor nas ancas
Pobre rafaela que se devora






